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A retração dos jornais gratuitos

Acabou a sanha dos jornais gratuitos?

Pelo menos na Espanha, sim. Ali os diários distribuídos de graça têm perdido leitores de forma consistente, como na Dinamarca e na Holanda.

Tem sido assim no hemisfério norte, com exceções.

Um cenário esperado no contexto de uma economia dilapidada _os gratuitos, lembremos, sobrevivem exclusivamente de publicidade, mercado que se retrai automaticamente em momentos de crise.

O modelo de negócios é bom, mas precisa vir acompanhado de um país em que as oportunidades pululem. Tipo um gigante da América do Sul que conhecemos muito bem…

O concorrente dos jornais se chama Facebook

Sábias palavras de Juan Luis Cebrián, fundador do jornal espanhol El Pais e presidente do Grupo Prisa, que edita o periódico.

“Os diários já não dão notícias. Todo mundo já sabe as notícias quando vai ler os jornais. Os jornais explicam, fazem análises, debatem. O competidor da Folha não é o “Estado de S. Paulo”, é o Google, o Facebook, estes são nossos competidores reais. E não queremos admitir porque não sabemos como competir com eles”.

Ainda outro dia falávamos sobre o caráter de “jornal pessoal” do site de Mark Zuckerberg…

Jornal francês só vai para as bancas a cada 100 anos

O jornal Le Quinson de Montbéliárd não pode se queixar de queda na circulação: por troça, o veículo é editado apenas a cada 100 anos.

Isso mesmo: depois da edição de 1911, acaba de ser publicada outra. E anunciando que o periódico só volta em 2111…

A tradição foi garantida por um funcionário do arquivo municipal de Montbéliard, que resgatou o exemplar de cem anos atrás e conseguiu reunir um grupo para editá-lo de novo.

A propósito: quinson significa “grito agudo”. Um grito que se ouve apenas a cada século.

Internet, velocidade e controles de qualidade

A internet não será um bom lugar para praticar o jornalismo até que existam controles editorais de qualidade.

O debate entre David Simon e Aaron Sorkin, roteiristas de séries e filmes de sucessos como The Wire ou A Rede Social, foi um dos pontos altos da semana passada em Cannes (a cidade francesa abrigou mais uma edição do festival de criação publicitária).

A conversa era sobre produção de conteúdo e, tenho de deixar claro, discordo da sentença que abre este texto, citada no papo.

Não existe lugar bom ou ruim para praticar o jornalismo, ele está posto, e em todas as fronteiras.

Simon (ex-jornalista) foi o mais crítico de todos à velocidade de ferramentas como o Twitter _hoje absolutamente dominados pelo jornalismo. Ele pediu mais critérios e profundidade.

É, aquele velho problema da superficialidade e rapidez. Mas jornais impressos têm o timing de 24 horas e estão forrados de erros e informação ligeira (também faço um e sei do que falo).

Talvez a maior curiosidade da conversa tenha sido Sorkin revelar que tinha ouvido falar do Facebook “como sabia sobre um carburador” antes de adaptar o roteiro que ganharia o Oscar.

Ah, e Piers Morgan absolutamente deslumbrado com o poder de drive de audiência (para a TV) que o microblog possui.

Pronto: já estão achando que o tablet vai substituir o jornal

Demorou, mas começou a onda de análises que colocam os tablets (com o iPad na linha de frente) como os substitutos dos jornais.

A previsão é que 70 milhões de unidades do produto (das quais 50 milhões de aparelhos da Apple) sejam vendidos apenas nos Estados Unidos em 2011.

Em “The Newsonomics of tablets replacing newspapers”, Ken Doctor analisa ponto a ponto, e pela ótica econômica, a possibilidade real do tablet se transformar num produto a ser levado muito a sério pelo jornalismo.

Eu acredito nisso. Mas, de novo: não tentemos achar um substituto para o papel. O papel é insubstituível. Se ele continuará abrigando notícias, é outra história.

Jornal impresso: extinção não, perda de relevância

O monótono debate sobre o fim dos jornais impressos parece, enfim, ter chegado ao ataque adequado.

À “linha de extinção” de Ross Dawson, que mostramos aqui há duas semanas destacando que tratava-se de uma análise (ainda que contestável) sobre relevância, não uma previsão sobre sua extinção, acresceu-se agora outra, que pegou dados gerais de circulação na Europa e os dividiu pela população.

Por esse critério, nota-se que os países nórdicos, além de curiosidades como Luxemburgo e Liechtenstein, aparecem no topo da cadeia entre os consumidores de jornais. Logo, é possível dizer que nessas regiões o jornal possui mais importância do que, genericamente, costumamos determinar.

É o que acontece em países ainda em desenvolvimento, como Índia (que possui o maior número de títulos pagos do mundo, 2,5 mil) ou China (que tem mais jornais entre os 100 maiores em circulação no planeta).

Há anos estamos dizendo aqui que o jornal impresso, como o conhecíamos, já experimentou uma mudança importantíssima, deixando de ser um produto de massa. Há outras opções informativas (e mais agradáveis do ponto de vista tecnológico) a dividir atenção com o papel tingido de notícias e serviço.

Além de tudo, esse produto piorou e, em boa medida, passou a repetir as informações que o jornalismo on-line tem horas de vantagem na divulgação _isso também certamente explica essa perda de relevância a qual voltamos a comentar hoje.

Porém é impossível tentar imaginar o simples desaparecimento de algo cultural e enraizado. Insisto na aposta do jornal impresso como produto premium, mas é algo que, no Brasil, por exemplo, ainda está distante de ser debatido. Temos décadas de jornal na banca pela frente ainda.

Apple não vê graça nenhuma em comercial bem-humorado de jornal dos EUA

Muita gente se divertiu _e não é para menos_ com a publicidade do Newsday, jornal de Long Island (EUA) que acaba de ganhar um aplicativo para iPad e brincou com a única função em que o produto perde para o bom e velho jornal impresso.

O que vem a seguir não tem a menor a graça: a Apple não gostou nada do comercial. E ameaçou o jornal com a exclusão da App Store (onde estão expostos os aplicativos) se a publicidade não fosse tirada do ar.

Em nota oficial, o Newsday confirmou a pressão e anunciou que “a curta e gloriosa trajetória” da fantástica peça se encerrou.

Impressionante a falta de humor de Steve Jobs…

NYT fala pela primeira vez em deixar de publicar

Provocou algum furor a declaração de Arthur Sulzberger Jr, publisher do New York Times, de que um dia o jornal “será forçado” a parar de publicar o produto em papel.

Foi numa resposta a questionamento sobre um suposto crepúsculo para o impresso (perguntou-se se era 2015).

Essa (o fim do impresso) ainda é uma pergunta sem resposta, mas foi a primeira vez que o NYT falou oficialmente sobre isso.

Sulzberger falou também sobre o muro do conteúdo pago, que o jornalão faz subir a partir de 2011. Deu em outra frase ótima: “Para sermos bem-sucedidos, é preciso correr riscos”.

Vamos ver até onde vai essa máxima.

(Leopoldo Godoy foi quem deu a dica)

Um ano sem jornal impresso, isso é que é reality show

O consultor em relações públicas Adam Vicenzini está conduzindo um autoexperimento interessantíssimo. O desafio é passar um ano (este 2010) sem ver, ler ou comprar jornais impressos.

Ele, que se apresenta como consumidor voraz de notícias, quer testar o quanto isso terá impacto sobre sua personalidade e seu trabalho, ao mesmo tempo em que pretende explorar novos meios (on-line e móveis) de se informar.

Já há histórias engraçadíssimas nesse começo de empreitada, como a tarefa hercúlea de evitar olhar um jornal (são os gratuitos, claro) no metrô de Londres.

Uma aventura a se acompanhar, e cujo desfecho já é conhecido: muito provavelmente ele não vai perder nada. Os jornais fornecem boa parte da matéria prima que dá o start de cada dia na internet “noticiosa”. Se ele for um leitor atento dos on-lines, não perderá o melhor dos impressos.

Mas vamos acompanhar.

PS – Quem achou essa história foi o Journalism.co.uk, outro que merece ser acompanhado.

Seu jornalista não dá furos? Tomate nele!

Se a sua redação não dá furos, isso tem consequências.

E um “jornalista” da equipe crucificado a um outdoor, pronto para levar tomatadas de seus leitores.

Viral bem sacado e humorado do Stuff (Nova Zelândia), um dos jornais que compreendem a web.