Arquivo da tag: jornal impresso

Eles decidiram investir em jornais impressos…

Num momento como esse, palmas para seis empreendedores que decidiram abrir jornais impressos mundo nos Estados Unidos, como relata a Editor & Publisher.

O país é justamente um dos que mais sofrem com o enxugamento do negócio de imprimir notícias.

Saudações a quem tem coragem.

O suporte importa (algumas observações)

Importante fazer algumas observações sobre pesquisa conduzida por Arthur D. Santana, Randall Livingstone e Yoon Cho (todos da Universidade do Oregon), que basicamente detectou maior capacidade de apreensão do noticiário por quem consome jornais impressos – a comparação aqui foi direta com páginas na internet.

Não, o jornal impresso não possui nenhum poder mágico sobre o leitor. A explicação para isso é basicamente física – e já havia sido largamente explorada nos estudos de usabilidade de Jakob Nielsen.

Em 1997, ele mostrou que a leitura humana numa tela de computador funciona basicamente por meio de escaneamento de palavras. Ou seja, lemos mal e porcamente a web – um ambiente hostil ao olho humano, que funciona melhor reagindo à reflexão da luz (como se lê em papel) do que à sua emissão.

Outra vantagem do suporte papel, e isso o trabalho do povo do Oregon ressalta, é a capacidade de hierarquizar informação, deixando evidente ao consumidor o que é considerado mais importante.

A ciranda de manchetes e mudanças do jornalismo on-line joga decisivamente nisso, desvalorizando, por mera questão temporal, assuntos que talvez devessem ter destaque mais duradouro.

Nova classe média impulsiona venda de jornais no Brasil

Mais uma vez o bordão “é a nova classe média” serve de explicação, agora para o satisfatório resultado dos jornais impressos brasileiros, que em 2011 registraram um consumo 3,5% superior ao de 2012.

O detalhe aí é que foi a venda de jornais populares (os que custam menos de R$ 2) o que garantiu o fechamento (e num belíssimo azul, dadas as circunstâncias) positivo da mídia impressa.

Sabíamos, e faz tempo, que a ameaça ao jornalismo em papel (realidade na Europa e nos Estados Unidos) ainda está longe de acossar nações emergentes como a nossa.

Dados como os revelados agora mostram exatamente o ponto.

 

Mais importante do que a morte do ditador

Tudo bem, o jornal é um tabloide popular…

Nos EUA, 11 jornais impressos se transformam em apenas dois

Segue rolando uma movimentação quase silenciosa de fechamento de jornais impressos nos Estados Unidos.

Agora, a MediaNews Group anunciou um pacote em que 11 publicações se transformaram em apenas duas.

Entre as falecidas, o vetusto Oakland Tribune, publicado desde 1874, e desde a década de 50 o único jornal em papel da cidade.

Atenção para os números: em 2009, o jornal tirava comprovados 93 mil exemplares (o número é bastante bom e supera em muito, por exemplo, publicações nacionais que ainda resistem, como o páulistano Jornal da Tarde).

Uma pena.

O jornal impresso relegado ao último plano

Confesso que fiquei horrorizado com o que nos conta Michele McLellan.

Animada, ela relata que o jornal The Wichita Eagle está tão empolgado com essa história de “digital first” que “colocou a operação impressa no fim” da cadeia de produção jornalística, como afirma Sherry Chisenhall, vice-presidente editorial do veículo.

Dos 60 jornalistas da casa, 50 tiveram a função alterada e agora praticamente trabalham para o site, respondendo a um único editor-geral (em vez dos editores de cada editoria de papel).

Não é assim que se faz um jornal impresso, gente. Trata-se de um produto que, pelo contrário, precisa ser planejado antecipadamente. Só assim (e olhe lá) e possível fugir da irrelevância e da repetição das coisas publicadas em outras plataformas.

Tratar o impresso como um mero reprodutor de conteúdo on-line é um tiro no pé. Não é pra festejar, não.

Políticas de correção de erros on-line

A ausência de uma política de correção de erros em sites noticiosos não deveria ser uma surpresa.

Temos jornais impressos tradicionais (estamos falando de publicações com mais de 100 anos) que até hoje não possuem transparência nem um local específico para avisar a seus leitores que coisas incorretas foram publicadas.

O caráter de hemeroteca viva da internet transforma esse trabalho (o de corrigir os erros nossos de cada dia) numa tarefa ainda mais fundamental. Afinal de contas, o jornal de ontem não está mais nas suas mãos, e acessá-lo certamente lhe dará algum trabalho.

Enquanto isso, na web os textos estão ao alcance do dedo.

Para os veículos, isso significa não só uma política editorial, mas também de recursos humanos _o dia a dia on-line, todos sabemos, é árduo Trabalho retroativo é mais um acúmulo na montanha de tarefas.

E aí o bode entra na sala.

Quem sabe sobre o leitor de jornal?

Alguns mitos sobre o leitor de jornais impressos (sobre o qual, aliás, sabemos pouquíssimo).

A retração dos jornais gratuitos

Acabou a sanha dos jornais gratuitos?

Pelo menos na Espanha, sim. Ali os diários distribuídos de graça têm perdido leitores de forma consistente, como na Dinamarca e na Holanda.

Tem sido assim no hemisfério norte, com exceções.

Um cenário esperado no contexto de uma economia dilapidada _os gratuitos, lembremos, sobrevivem exclusivamente de publicidade, mercado que se retrai automaticamente em momentos de crise.

O modelo de negócios é bom, mas precisa vir acompanhado de um país em que as oportunidades pululem. Tipo um gigante da América do Sul que conhecemos muito bem…

O concorrente dos jornais se chama Facebook

Sábias palavras de Juan Luis Cebrián, fundador do jornal espanhol El Pais e presidente do Grupo Prisa, que edita o periódico.

“Os diários já não dão notícias. Todo mundo já sabe as notícias quando vai ler os jornais. Os jornais explicam, fazem análises, debatem. O competidor da Folha não é o “Estado de S. Paulo”, é o Google, o Facebook, estes são nossos competidores reais. E não queremos admitir porque não sabemos como competir com eles”.

Ainda outro dia falávamos sobre o caráter de “jornal pessoal” do site de Mark Zuckerberg…