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O trabalho mais auditado do mundo

É mesmo surpreendente e curiosa a visão que as torcidas têm do trabalho jornalístico formal _ao mesmo tempo em que martelam na tecla de sua gradual irrelevância, o que, sob a luz da era da publicação pessoal, caminha para uma definição conceitual.

Carlos Fernández Liria, escritor e professor de Filosofia da Universidade Complutense de Madrid, mostra-se totalmente descido do muro ao comentar como a imprensa espanhola se comporta ao cobrir o movimento bolivariano, comandado por Hugo Chávez nas Américas.

“Na Europa há muita censura, a mídia só contrata jornalistas que digam o que lhes interessa”, afirma Fernández.

Claro exagero, mas que passa aquele recado: a internet ampliou a vigilância do público, e o trabalho jornalístico, provavelmente, é o mais auditado do mundo.

Merece até uma quantificação.

‘Não quero uma nação de blogueiros’, diz Steve Jobs

Do evento de terça-feira promovido pelo The Wall Street Journal com Steve Jobs, ficou quase lateral a opinião do messias das novas mídias sobre critério editorial e fontes confiáveis na Internet.

“Não quero uma nação de blogueiros”, disse Jobs, ressaltando a importância de uma imprensa formal possante e democrática.

São palavras com evidente tino comercial: o criador da Apple colocou sua empresa à disposição do mainstream para pensar formas de cobrar por conteúdo na web.

Chineses chutam Gutemberg do pódio

Aqui na minha Pequim, onde inclusive há pouco mataram um pobre-diabo ladrãozinho de motos num estacionamento fétido, a discussão é outra. Os chineses aproveitaram a Olimpíada para revelar ao mundo que foram eles, não Gutemberg, os inventores da imprensa _lembram das alegorias na impressionante (e fake) cerimônia de abertura dos Jogos?
 
“Sem dúvida, fomos os chineses quem inventamos a imprensa. Os europeus dizem que foram eles porque só estudam sua própria história, não a da Ásia”, disse Shi Jinbo, membro da Academia de Ciências Sociais da China, à agência espanhola EFE.

É grande o rol de invenções que os chinses se atribuem. Além da “máquina de imprimir”, entram nessa lista a pólvora, o macarrão, a pizza e até o futebol.

De acordo com a versão chinesa, o precursor da impressão é Bi Sheng (990-1050), que já usava tipos móveis no século 11. O historiador Shi conta que há inúmeros livros e mesmo peças metálicas (os tipos) como prova. “Todos são anteriores ao século 13″, diz.

A teoria de que o processo que originaria o jornal nasceu na China ganha respaldo do acadêmico britânico Timothy Barret, mas não pelas mãos de Sheng. Barret acaba de lançar um livro no qual aponta a imperatriz Wu (625-705) como a real descobridora da imprensa. “Seu feito foi sufocado por puro machismo”, diz o autor de “The Woman Who Discovered Print“.

No Ocidente, a invenção segue creditada a Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg (1400-1468).

Enquanto a paternidade volta a ser discutida, já estamos pensando na herança: afinal, a imprensa ainda será útil para as gerações que estão chegando?