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Governo da França tira 600 milhões de euros do bolso para salvar jornais impressos

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou hoje um pacote que prevê a liberação de 600 milhões de euros (quase R$ 2 bilhões), durante três anos, para salvar a imprensa do país _notadamente a impressa, que possui uma dívida conjunta hoje incalculável.

Na Inglaterra, o governo também já estuda uma forma de salvar a imprensa regional da desaparição.

A ideia francesa é reduzir entre 30% e 40% os custos de impressão dos veículos (a dobradinha impressão/logística responde hoje por quase 50% dos gastos de um jornal impresso).

Entre as medidas estão o adiamento do aumento das tarifas postais (o Estado pagará a conta) e também menos encargos trabalhistas sobre os salários.

O dinheiro (220 milhões de euros por ano) servirá basicamente para a modernização das gráficas.

Primeiro, parece anacrônico para mim investir em gráficas. Há outras demandas mais preementes no processo jornalístico. Aliás, jornais como Guardian e New York Times já tinham até anunciado que não comprarão mais rotativas.

Outra coisa: Sarkozy já mostrou, no ano passado, que desconhece os rumos do jornalismo na era da publicação pessoal. “A gratuidade é a morte da imprensa”, disse ele, acrescentando que aposta no jornalismo pago por acreditar no valor da informação “checada, analisada e hierarquizada”.

Enquanto isso, na Web, o valor-notícia despenca e, ao mesmo tempo, nas ruas, os diários distribuídos de graça são uma realidade metropolitana.

ATUALIZAÇÃO: Talvez o detalhe mais bacana e diferente das medidas de Sarkozy é o governo francês pagar assinaturas de jornais para os jovens ao completarem 18 anos.

O mito da imparcialidade dos jornais

Eventos jornalisticamente relevantes como a eleição norte-americana, cujo ato final acontecerá amanhã, são bons para colocar mais pá de cal no mito da imparcialidade dos jornais _que a academia, especialmente no Brasil, teima em levar adiante.

A Editor and Publisher já havia detectado, em trabalhosa pesquisa, que 240 jornais dos EUA apóiam abertamente o democrata Barack Obama, contra apenas 114 que o fizeram publicamente em favor do republicano John McCain. Em números absolutos, essa vantagem significa 21 milhões de edições diárias em tese pró-Obama, contra 7 milhões em favor do colega de chapa de Sarah Palin (aliás, formada em jornalismo _argumento de per si contra o diploma?).

Agora foi a vez de o analista Roy Greenslade, em seu blog no Guardian, fazer o mesmo (ainda que em forma de amostragem) com as publicações britânicas. E o resultado foi praticamente o mesmo: dos cinco jornais avaliados por ele ontem, quatro se manifestaram claramente a favor de Obama.

As preferências dos jornais se expressam não apenas nos editorais, área reservada exatamente para isso, mas também na escolha de articulistas e colunistas e, em algum casos mais graves, nas próprias reportagens, várias delas escolhidas a dedo para provocar ou instigar contradições numa ou noutra campanha.

No Brasil, as revistas semanais (vide os casos de Veja e Carta Capital) têm muito mais facilidade para assumir suas posições políticas com transparência. Os jornais, via de regra, se escondem sob a frágil capa da imparcialidade, mantida mesmo quando são “descobertos” por leitores mais solertes.

É um tema tabu ainda não resolvido completamente em nossa profissão.

A linha do tempo do principal noticiário da BBC

Como se estivesse no rádio (e não, ele estava ao vivo na tela!), o apresentador Richard Baker lê not�cias em 1954

Vi no Jornalistas da Web que o Guardian (provavelmente o dono do melhor site entre os jornais em papel, por isso a distinção no menu à sua direita) pôs no ar uma galeria de fotos que mostra a evolução do cenário do principal noticiário televisivo da BBC.

O especial começa com Richard Baker (o cidadão aqui em cima, ainda pouco ambientado ao vídeo e agindo como se estivesse no rádio) e chega aos pirotécnicos tempos atuais em 28 imagens. Bem legal.