Arquivo da tag: futuro do jornalismo

A face moderna das notícias

O veterano jornalista inglês Richard Ingrams, 73, fez uma visita à redação do Telegraph registrada pela BBC em áudio.

“Ah, quer dizer que não se fuma mais, mas se bebe?”, pergunta ele, criador de algumas das mais importantes revistas humorísticas do país.

Ingrams notou ainda que o Telegraph tem poucos livros, muitas mulheres trabalhando e bastante silêncio _aliás, presenciei recentemente dois episódios em que pessoas pediam “silêncio” na redação, o que é um absurdo completo (quem quer silêncio em jornalismo tem de trabalhar em assessoria de imprensa de hospital).

A não perder, como diria o António Granado, quem descobriu essa pérola e cujo Ponto Média completou 10 anos. Parabéns.

A revolução que o WikiLeaks não fez

Interessante o artigo de David Carr publicado originalmente no New York Times e reproduzido por jornais brasileiros ontem.

Não é verdadeira a percepção que de que a tática dos vazamentos empregado pelo site de Julian Assange seja uma revolução jornalística.

“Com o tempo, o fundador do site começou a compreender que o que norteia a cobertura dos eventos é a escassez e não a abundância”, escreveu Carr, um especialista em novas mídias e as mudanças que o avanço da tecnologia está trazendo ao jornalismo.

Há duas semana, num podcast, também falei um pouco sobre o modus operandi do WikiLeaks e saudei a união do que existe de melhor na nova mídia, justamente sua velocidade, com o melhor dos meios tradicionais, credibilidade e critério de edição.

Mas Carr agora põe os pingos nos is.

AP estima faturamento de agregadores em US$ 500 milhões

A informação de que os agregadores de notícias movimentam cerca de US$ 500 milhões, estimativa que a agência Associated Press informou em reportagem publicada ontem pela Folha de S.Paulo (só para assinantes), é tão surpreendente quanto difícil de confirmar.

Infelizmente a matéria não esclarece qual o período de apuração desse valor (semanal, mensal, anual?) e, estando a AP na linha de frente do combate aos sites que adicionam (e promovem, diga-se) conteúdo alheio, não dá para acreditar em tudo o que ela diz sobre este tema.

A fonte do texto é Srinandan Kasi, vice-presidente da AP, que está empenhada na criação de um formato parecido ao pagamento de direitos autorais, como ocorre na música, por exemplo, para os criadores de conteúdo linkados por agregadores _a priori, estas páginas não possuem publicidade, daí a dificuldade em entender de onde sairia tanto dinheiro.

Vamos ver onde isso vai dar. A tendência é que em lugar nenhum.

O fim da fronteira entre mídia e audiência

Como 20 anos de comunicação digital acabaram com a fronteira entre mídia e audiência?

É o que repassa este texto, dividido em três partes e bastante completo.

Diários Secretos: uma saudação ao bom jornalismo convergente

Imperdoável não falar do Grande Prêmio da 55ª edição do Esso, lauréu que os jornalistas mais dão valor, merecidamente conquistado pelos colegas Katia Brembatti, Karlos Kohlbach, James Alberti e Gabriel Tabatcheik, da Gazeta do Povo, de Curitiba.

Por dois anos, e fora da pauta (ou seja, cuidando apenas disso), eles vasculharam o diário oficial da Assembleia do Paraná (um calhamaço de 724 volumes publicados entre 1998 e 2009), até então mantidos em sigilo _ainda há, registre-se, atos secretos que nem a reportagem conseguiu desvendar.

O trabalho, batizado de Diários Secretos, não só revelou um esquema de contratação de funcionários-fantasma e desvio de dinheiro estimado em R$ 100 milhões como foi o estopim de um movimento da sociedade civil, O Paraná que Queremos, que mobilizou milhares de pessoas em junho deste ano em 13 manifestações públicas nas principais cidades do Estado.

Não é só isso: além de o conteúdo dos diários estar disponível para consulta pública, o leitor pôde (ainda pode, na realidade) ajudar os repórteres dando pistas sobre o que sabiam.

Ótima convergência entre jornalismo em papel e a plataforma on-line, com pitada de crowdsourcing. Tudo bem moderno, e ao mesmo tempo, absolutamente antigo: jornalismo, hoje, se faz assim.

Uma nova geração de jornalistas

Lewis Dvorkin é um jornalista veterano com passagens, entre outras, pelas redações de NYT, Newsweek, AOL, The Wall Street Journal. Atualmente, ele chefia a produção on-line da Forbes.

Bem por isso suas palavras têm mais peso.

Ele disse fazer parte de uma nova geração de jornalistas, aqueles que criam e planejam conteúdo na era da internet.

Não é pouco, para quem conheceu o jornalismo antes da revolução tecnológica, admitir que prática e abordagem na profissão mudaram. É uma discussão que vamos manter bastante em 2011.

‘A internet é o penico do mundo’

Ao responder esta semana a comentários de seus espectadores num programa ao vivo, José Trajano, diretor de jornalismo dos canais ESPN (um dos primeiros veículos a entender e abraçar a necessidade do diálogo com o público), reclamou da intolerância diante do contraditório.

“As pessoas não sabem mais conviver com a opinião contrária”, afirmou.

Trajano (íntegro e relevante em nossa profissão, registre-se) falava de futebol, ambiente apaixonado que o remeteu à  campanha eleitoral recém encerrada, para ele “aquela guerra na internet, acusações desenfreadas”.

Concordo, mas o problema é anterior à vida em rede. Pessoas são precipitadas, não analisam o conjunto do discurso e, abrigadas numa trincheira tecnológica qualquer, se tornam ainda mais destemidas.

Há um desequilíbrio no diálogo público em que estamos metidos.

No mesmo programa Trajano também disse que “a internet é o penico do mundo”, como antes fizeram Fausto Silva e muitos outros colegas _a opinião é recorrente no meio, e quero deixar claro que a subscrevo.

Os jornalistas ainda achamos que a participação dos consumidores de notícias também precisa melhorar.

Henry Jenkins fala

Uma entrevista do professor Henry Jenkins a Vinicius Navarro (PDF em inglês com versão em português) vale o esforço, aproveitando que vem mais feriado por aí.

Fala-se, claro, de convergência, mas de narrativas transmidiáticas, iniciativas pedagógicas, cinema, direitos autorais, participação e cultura de massa.

Quando os jornais acabarão?

Afinal, quando os jornais vão se tornar irrelevantes mesmo?

Ross Dawson conta para a gente em gráficos bem interessantes que o António Granado viu primeiro.

Para o Brasil, a previsão para as regiões metropolitanas é 2027.

A arte da simplicidade

Um conjunto de trabalhos em novas narrativas jornalísticas que primam justamente  por essa característica tão importante nestes tempos de pirotecnia: a simplicidade.

Não perca.