Arquivo da tag: futuro do jornalismo

Reportagens redigidas por uma máquina. É verdade.

O New York Times já tinha falado sobre isso há alguns meses, mas o jornalismo produzido por computador (como é que é?) parece estar se tornando real.

Prova da evolução da inteligência artificial, que consegue que uma máquina imite um humano até no jeito de escrever.

Já há quem aposte que, no futuro, 90% do conteúdo que leremos on-line terá sido redigido por meio de um software que possui, como principal vantagem, o fato de não assassinar gramática e ortografia.

A coisa está ficando interessante…

Enciclopédia do futuro da notícia vai crescendo…

Lembram da Encyclo, um projeto do Nieman Lab que visa a catalogar termos que digam respeito ao futuro do jornalismo e à inovação na área?

Falei dela em maio, mas a coisa está crescendo a olhos vistos…

Clay Shirky: ‘Mesmo sem dinheiro, estamos na época de ouro do jornalismo’

Ainda tratado como “guru” (o que é um despropósito, trata-se de um pesquisador), Clay Shirky falou esta semana em Paris sobre as mudanças que a tecnologia impõe ao comportamento humano.

Para quem ainda não o conhece, Shirky escreveu dois livros importantíssimos sobre o tema (Here Comes Everybody e Cognitive Surplus, ambos sem tradução em português).

No que nos diz respeito, o jornalismo, Shirky sai do lugar comum: diz que a profissão vive seu melhor momento “ainda que não haja dinheiro”.

Para ler, guardar a refletir.

Newspapermap cataloga os jornais do mundo

A interface ainda é meio grosseira, mas a ideia é boa: o Newspapermap pretende catalogar, usando um mashup do Google, todos os jornais impressos do mundo.

Interessante será observar, se a ferramenta for atualizada, quantos marcadores desaparecerão no hemifério Norte (e quantos irão aparecer no Sul).

(A dica é de José Antonio Meira da Rocha).

‘Ambulanciaterapia’ consolida expertise do JC em novas narrativas

A “ambulanciaterapia”, aquela prática de transferir pacientes de cidades do interior para hospitais nas capitais, consolida a vocação do Jornal do Commercio, de Recife, para a webrreportagem com “A Viagem de Joanda“.

Conteúdo que vale a pena explorar feito por gente que, em outra oportunidade, já tinha recorrido a conceitos de HQ e fotonovela para contar uma história.

Estou gostando de ver.

Erros de informação em redes sociais: apagar ou não apagar?

Já tive de deletar dois tweets corporativos com informação comprovadamente equivocada, por ordem superior, sendo vencido em meu pleito de que o que já tinha sido difundido precisava ser corrigido, não varrido para debaixo do tapete.

Nem falar sobre a quantidade de feeds que acompanham suas atualizações em redes sociais (e os aplicativos móveis estão cada vez mais abundantes) tornando uma reformulação em sua timeline quase inócua _a informação não pertence mais a você, já foi distribuída por outros meios.

Craig Silverman concorda e propõe medidas para amenizar os equívocos sem a necessidade de recorrer à síndrome do avestruz _como apelidei o ímpeto de borrar . Como um botão de comunicação direta com quem redistribuiu uma barriga, alertando sobre a necessidade de repassar o mea-culpa reparador.

Com atalho ou não, é isso aí: quando erramos num meio em que a informação corre muito rápido, o melhor a fazer é incentivar os mesmos hubs da notícia falsa a transmitir a correção.

Alterar a cena do delito, como bem sabemos, é crime.

E se o papel abandonasse qualquer tentativa de convergência com o on-line?

O decano Janio de Freitas, em sua coluna nesta semana na Folha de S.Paulo, prossegue a discussão sobre os valores do jornalismo impresso em confrontação com os do on-line usando, para isso, o caso dos vazamentos do WikiLeaks.

Janio lembra que, para ter repercussão, o site de Julian Assange precisou recorrer ao jornalismo tradicional _basicamente o que escrevemos por aqui há algumas semanas.

Só que ele vai além, dando a entender que o papel deveria prescindir de qualquer tentativa de convergência com a plataforma mais rápida e de menor limitação física (caminho cuja trilha, inevitável, já começou).

“Você já reparou em uns pequeninos registros, colocados ao pé de textos, com os dizeres ‘Se quiser ler mais sobre este assunto, veja’ (segue-se o endereço do jornal na internet)? Quase nenhum espaço ocupado com isso. Mas diz muito. É o jornalismo impresso abrindo mão da sua função e transferindo-a à internet que tanto o atemoriza, e que nada lhe pediu. O leitor, que pagou pelo jornal, deve se virar como puder, para ter o complemento de informação pela qual entregou seu dinheirinho. A sonegação de tantas partes em variados assuntos, claro, não terá a correspondência de corte algum no preço do exemplar.”

Isso sim dá pano para uma longa discussão…

Pronto: já estão achando que o tablet vai substituir o jornal

Demorou, mas começou a onda de análises que colocam os tablets (com o iPad na linha de frente) como os substitutos dos jornais.

A previsão é que 70 milhões de unidades do produto (das quais 50 milhões de aparelhos da Apple) sejam vendidos apenas nos Estados Unidos em 2011.

Em “The Newsonomics of tablets replacing newspapers”, Ken Doctor analisa ponto a ponto, e pela ótica econômica, a possibilidade real do tablet se transformar num produto a ser levado muito a sério pelo jornalismo.

Eu acredito nisso. Mas, de novo: não tentemos achar um substituto para o papel. O papel é insubstituível. Se ele continuará abrigando notícias, é outra história.

A face moderna das notícias

O veterano jornalista inglês Richard Ingrams, 73, fez uma visita à redação do Telegraph registrada pela BBC em áudio.

“Ah, quer dizer que não se fuma mais, mas se bebe?”, pergunta ele, criador de algumas das mais importantes revistas humorísticas do país.

Ingrams notou ainda que o Telegraph tem poucos livros, muitas mulheres trabalhando e bastante silêncio _aliás, presenciei recentemente dois episódios em que pessoas pediam “silêncio” na redação, o que é um absurdo completo (quem quer silêncio em jornalismo tem de trabalhar em assessoria de imprensa de hospital).

A não perder, como diria o António Granado, quem descobriu essa pérola e cujo Ponto Média completou 10 anos. Parabéns.

A revolução que o WikiLeaks não fez

Interessante o artigo de David Carr publicado originalmente no New York Times e reproduzido por jornais brasileiros ontem.

Não é verdadeira a percepção que de que a tática dos vazamentos empregado pelo site de Julian Assange seja uma revolução jornalística.

“Com o tempo, o fundador do site começou a compreender que o que norteia a cobertura dos eventos é a escassez e não a abundância”, escreveu Carr, um especialista em novas mídias e as mudanças que o avanço da tecnologia está trazendo ao jornalismo.

Há duas semana, num podcast, também falei um pouco sobre o modus operandi do WikiLeaks e saudei a união do que existe de melhor na nova mídia, justamente sua velocidade, com o melhor dos meios tradicionais, credibilidade e critério de edição.

Mas Carr agora põe os pingos nos is.