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A circulação de jornais nos EUA

Pela ordem, Wall Street Journal (de longe), USA Today e New York Times são os jornais que ostentam as maiores circulações nos Estados Unidos, segundo dados recentemente divulgados.

321 anos de história dos jornais americanos

O infográfico acima mostra 321 anos de história dos jornais americanos, com link para mais informações sobre cada um dos mais de 140 mil jornais já publicados lá. Precioso.

As contradições do jornalismo on-line

Pesquisa telefônica feita recentemente com editores de jornal nos EUA mostra uma contradição: eles dizem estar estudando meios de tornar o noticíário mais interativo e com participação do público mas, ao mesmo tempo, 45% admitem que não interagem com os usuários nas caixas de comentários dos sites.

Mais: os jornalistas admitem que a maior parte das decisões editorais são tomadas com base na resposta da audiência, o que significa que, de uma vez por todas, o jornalimo-on-lime assumiu o conceito de televisão para estrututar seu conteúdo.

A luta do USA Today pela sobrevivência

Ele já foi o jornal que emulou a linguagem televisiva (fator para seu sucesso nos anos 80 e 90), mas hoje amarga uma queda de circulação de 30% e está tentando se reinventar para sobreviver.

Outro dado impressionante: a publicação tem hoje metade das páginas publicitárias que tinha em 2005.

Saiba mais sobre a luta do USA Today (hoje o segundo jornal de maior circulação nos EUA) pela sobrevivência no relato da vibrante Esther Vargas em seu Clases de Periodismo.

A celebração do álcool

New York Times Co./Hulton Archive
Eu certamente estaria nesse evento: é a festa pelo fim da Lei Seca nos Estados Unidos, que tornou crime a venda, fabricação e importação de álcool (por quase 14 anos, creia).

Nova York, 5 de dezembro de 1933. Eu seria aquele cara com o chapéu ao alto ali no canto esquerdo.

E a lei, ora a lei, conseguiu estimular apenas a corrupção e contrabando.

O que as assessorias de imprensa querem com a gente?

O que as agências (nome contemporâneo para os escritórios que gerenciam marcas, produtos e carreiras) querem com a gente, os jornalistas?

Fundamentalmente, duas coisas: nossa agenda e rede de relacionamentos e a habilidade de escrever coisas o mais parecidas possível com um texto jornalístico.

A combinação dos dois elementos é explosiva: sim, as assessorias de imprensa estão cada vez mais emplacando textos ipsis litteris, em boa medida com a colaboração do jornalismo on-line _este ente enfermo, sucateado e desprezado, que por falta de mão de obra acaba, deliberadamente ou por ineficiência, refém dos releases nossos de cada dia.

Até nos Estados Unidos, onde o trabalho nas agências sempre foi coisa de relações públicas (e eu repito: pra mim, assessoria de imprensa é coisa de relações públicas mesmo), cresceu a quantidade de coleguinhas empregados no negócio.

Entre 1980 e agora, subiu em 60% o número de jornalistas que trabalham em assessorias de imprensa (ao mesmo tempo em que as redações enxugaram em 40% seus quadros).

A leitura clara é que os negócios, não as notícias, estão pautando o jornalismo.

A lei está de olho na imprensa que invade casas e identifica meros suspeitos

Um canal de TV dos EUA está sendo processado por violar direitos civis durante a gravação de um reality show que exibia o trabalho de um esquadrão feminino da polícia de Chicago.

A equipe do Biography Channel fez o que a gente está cansado de ver na TV brasileira: cobriu a prisão de pessoas e divulgou suas identidades, num flagrante desrespeito à lei. Acontece aqui e acontece lá, e às vezes alguém põe a mão na consciência e resolve tomar uma atitude.

Ainda nos EUA houve outro caso de processo a uma equipe de reportagem, também de TV, que invadiu uma propriedade privada ao registrar outra batida policial.

Demitidos, jornalistas se organizam para ‘discutir a relação’ com o jornal

Cerca de 60 coleguinhas demitidos num passaralho no The Baltimore Sun se reuniram agora num site para contar suas histórias _basicamente, sua relação com o diário (alguns tinham longa ficha de serviços prestados à publicação).

Não deixa de ser uma lembrança, para a gente, de que a crise do jornalismo impresso nos Estados Unidos está muito distante da nossa realidade nos países emergentes, onde pessoas recentemente começaram a comer de forma decente.

Temos alguns anos pela frente antes de nos lembrarmos com nostalgia dos dias de glória do impresso, como retrata o romance The Imperfectionists, de Tom Rachman, recém-lançado.

Finalmente uma guerra que vale a pena

Finalmente o exército dos Estados Unidos entrou numa guerra que vale a pena: a guerra contra o uso indiscriminado de apresentações de Power Point.

Transposta para a nossa realidade (compreensão do futuro do jornalismo e o que fazer com ele na era da publicação pessoal), é uma briga bastante boa de se comprar. Também em nossa área há uma disseminação de diagramas que, muitas vezes, nada significam.

Tudo começou com o slide acima, que gerou comentário hilário de um general (“Quando nós entendermos esse slide, vamos ganhar a guerra”).

A verdade é que o general está certo. Os problemas do exército dos EUA, assim como as questões que nós jornalistas enfrentamos diariamente no desafio de desbravar uma profissão moldada pelo avanço tecnológico, não são todos explicáveis por meio de apresentações.

Lá, em algumas unidades o exército já barrou o uso desse recurso, considerando que eles nos torna “mais estúpidos”.

A refletir.

‘Jornalcídio’ ameaça dedicação à profissão

Pelo menos 15 mil jornalistas já perderam o emprego neste ano nos EUA. A cifra está bastante próxima de igualar (ou até mesmo superar) o banho de sangue do ano passado, quando 16 mil colegas foram para o olho da rua.

Alan Mutter, autor de brilhante estudo que relaciona a penetração da banda larga residencial ao declínio das tiragens dos veículos impressos, faz uma reflexão não sobre quem já estava no mercado, mas que diz respeito a toda uma geração de jornalistas que está saindo das universidades e, agora, encontra muito mais dificuldades para começar na profissão numa única função _é a profusão de frilas substituindo o trabalho regular numa redação.

Para ele, a sociedade como um todo sentirá essa lacuna. “Essa perda”, diz ele, “privará, no futuro, os cidadãos dos insights que só podem ser entregues por profissionais que se dedicam a um trabalho”.