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A qualidade jornalística passa pela autorregulamentação, diz Unesco

Rogério Christofoletti comenta as publicações da Unesco sobre a qualidade do jornalismo no Brasil.

Diz a Folha que os documentos apontam a autorregulamentação como a melhor maneira para equilibrar e vigiar a qualidade editorial.

Vale dar uma passada.

Um dos maiores momentos da ética no jornalismo

Paulo Beringhs, da TV Brasil Central, pede permissão ao senador Demóstenes Torres para denunciar censura de seus patrões ao programa que apresenta, ao mesmo tempo em que indica o colega ao lado como conivente e seu potencial substituto.

Um resumo das razões pelas quais escolhemos essa profissão.

A Economist photoshopou Obama, e daí?

A capa de 19 de junho da The Economist, revista noticiosa mais importante do mundo (e das poucas que só ganham leitores com o passar do tempo), provocou furor ao descobrir-se, via The New York Times, que a publicação alterou uma fotografia em que o presidente Barack Obama aparecia cabisbaixo ao lado de mais duas pessoas tendo como fundo plataformas petrolíferas _imagem ideal (a alterada, claro) para ilustrar uma reportagem sobre o desastre ambiental de responsabilidade da petrolífera britânica BP em solo americano e suas implicações políticas.

É um pecado menor, e peço aqui que me entendam. Repórteres-fotográficos talvez jamais entenderão (há aquele consenso de que fotografia é obra de arte e não pode ser editada), e fui instado a falar sobre isso por Gustavo Roth, editor-adjunto de Fotografia da Folha de S.Paulo, que sempre colabora com o Webmanario.”Se queimaram feio, hein…?”, me disse Roth, ele próprio antenadíssimo no que rola nos meandros de nossa profissão, seja aqui, nos EUA ou no Uzbequistão.

Vou ser polêmico agora: será? Não acho, mas não acho mesmo. Há, claramente, um erro, mas que embute uma tentativa de acerto. Aliás, Pedro Dias Leite, o homem que faz o caderno Poder da Folha fechar na hora e fechar bem, tinha me avisado um pouco antes da história _compartilhando a visão de que o episódio está longe de ser o maior absurdo do jornalismo moderno.

Talvez a mesma representação com um trabalho de arte em cima (uma estilização impressionista ou pop, sei lá) resolveria a coisa sem questionamentos filosofais que, na verdade, só nós jornalistas temos.

Photoshopado, Obama estava lá e continua lá, cabisbaixo, com uma plataforma de petróleo no Golfo do México como cenário de fundo. Excluíram-se personagens menores _literalmente, como a presidente da Câmara de representantes de uma cidade da Louisiana e uma autoridade local da Guarda Costeira já eliminada no corte do fotograma.

Impossível pensar em fazer uma coisa dessas sem supor que irão descobrir: a foto em questão, tirada em 28 de maio, é de um fotógrafo da agência Reuters, Larry Downing, e provavelmente foi distribuída para todo o mundo.

Eu não faria isso desse jeito numa publicação noticiosa, mas faria, sim, propondo um trabalho de ilustração sobre foto, pra se livrar de uma vez por todas da capivara do “alterar a realidade”, que no final das contas pauta o debate e de quem é muito difícl se desvencilhar.

Mas a capa mexida, no final das contas, não escondeu o Obama triste e enrolado tendo ao fundo o motivo de suas preocupações.

Novas mídias exigem uma nova ética para o jornalismo?

Um simpósio realizado na sexta-feira pela Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA, debateu uma questão interessante: novos tipos de mídia exigem novos padrões éticos?

Sempre fui do time de Cláudio Abramo: a ética do jornalista é a ética do marceneiro, ou seja, nossos valores morais e éticos não podem ser diferentes dos de um profissional qualquer.

“O que o jornalista não deve fazer que o cidadão comum não deva fazer?”, pergunta Abramo. É bem por aí.

Em janeiro, a universidade já havia realizado outro encontro para discutir parâmetros éticos para as novas redações investigativas (em PDF) _com especial cuidado aos projetos sem fins lucrativos e/ou financiados pelo público.

Esse fenômeno é basicamente americano e, aí sim, pode representar um desafio à ética profissional no instante em que interesses outros que não os meramente jornalísticos poderiam estar por trás de pautas bancadas por doações.

Outra questão: em geral, os “patrões” neste modelo de jornalismo costumam ser os próprias jornalistas que produzem o conteúdo, uma integração perigosa entre funções que, estamos acostumados com isso, funcionam bem melhor em lados separados e bem distantes do front.

Obrigatório voltar a tema em breve.

Pagar por informação exclusiva é falta de ética?

Pagar para conseguir informação privilegiada é falta de ética?

É exatamente essa a discussão que está acontecendo agora na Grã-Bretanha, à raiz do escândalo dos gastos dos deputados da Câmara dos Comuns (como num determinado país que a gente conhece, eles tinham despesas pessoais cobertas pelo erário).

Ocorre que existe a certeza de que o Telegraph, jornalão conservador de Londres, pagou para conseguir os CDs que continham os dados comprometedores. Mais: o veículo sabia, ainda, que a informação havia sido surrupiada por um funcionário do Parlamento, ou seja, era produto de roubo.

A Scotland Yard, polícia inglesa, se recusou a investigar a procedência da informação usando a mesma justificativa dada pelo jornal (“trata-se de atuação em prol do interesse público”).

É verdade, mas fazer jornal não corresponde a uma luta de vale-tudo. Pelo contrário: quem cobra ética tem de praticá-la cotidianamente.

Na Espanha, conta o El Pais em extensa reportagem sobre o tema, é comum pagar por fotos de filhos recém-nascidos de estrelas de TV ou cobertura de casamento de celebridades. É exatamente o que ocorre no Brasil, onde revistas como Contigo e Caras enchem os bolsos de suas fontes em busca de “exclusividade”.

Porém (e é assim no Brasil também) a imprensa dita “de credibilidade” evita recorrer ao expediente. Nos EUA também é assim. Tanto que, quando pagam, os meios mais tradicionais fazem o possível para esconder _caso recente da CNN, que após várias negativas admitiu ter desembolsado US$ 22 mil por um vídeo da Al-Qaeda (mas acredita-se que tenha sido muito mais).

 Se uma emissora de TV quer transmitir um evento com exclusividade, ela paga ao detentor dos direitos. É possível estabelecer algum tipo de comparação entre isso e dar dinheiro a pessoas que oferecem furos? Difícil, eu não consigo.

É certo que mais imoral ainda é receber para não publicar uma informação _e isso, infelizmente, também é recorrente no jornalismo mundial.

Contudo, pagar por uma entrevista, dossiê ou seja lá o que for, certamente, está bem distante da transparência e dos princípios éticos que deveriam nortear o jornalismo profissional.

Mais um sapato jornalístico voador. Que vergonha.

Mais um jornalista atirou seus sapatos num personagem de matéria _agora na Índia.

Impossível não lembrar de Bush e sua desventura que virou até jogo na web.

Uma vergonha: jornalista usando o pouco que lhe resta de seu “poder” (a legitimação, ou seja, a autorização para estar próximo de figuras do noticiário) para escancarar uma opinião pessoal…

É a típica pessoa que precisa ser afastada da profissão urgentemente.

Passando dos limites

Um jornalista tem emoções e preferências, mas revelá-las em público (ou seja, no exercício da função) é catastrófico nos quesitos ético e comportamental.

É bastante comum (além de péssimo e não-recomendável), nas coberturas de esporte, treinadores e jogadores vitoriosos serem aplaudidos em entrevistas coletivas.

Repórteres de cultura também costumam dar uma de tietes quando estão diante de astros e estrelas _e daí, tome mais aplausos.

Até em política há personagens que são recebidos com felicitações por profissionais que têm a obrigação de manter postura neutra diante dos acontecimentos (um exemplo é o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, que tem uma geração de fãs hoje de bloquinho e caneta nas mãos).

Mas nada como o ocorreu neste domingo, quando um jornalista iraquiano arremessou seus sapatos contra George W. Bush durante uma visita-surpresa do norte-americano a Bagdá. “Este é o beijo do adeus, cão”, disse o repórter, retirado da sala de entrevistas.

E, espero, da profissão.