Em ano de eleição, as pessoas acreditam no noticiário?
O resultado pode não ser dos melhores para a mídia impressa, mas ao menos a rede social (onde se pratica disparado o pior jornalismo) está no final da fila.
Em ano de eleição, as pessoas acreditam no noticiário?
O resultado pode não ser dos melhores para a mídia impressa, mas ao menos a rede social (onde se pratica disparado o pior jornalismo) está no final da fila.
Caio Túlio Costa pode ter acertado ao dizer que sem a internet não haveria segundo turno na eleição presidencial, mas certamente errou ao creditar essa avaliação à expressiva votação de Marina Silva (PV), que ficou em terceiro na disputa ao Planalto.
A equipe da verde tem participado de alguns encontros para fazer as pessoas crerem que seu trabalho na internet foi determinante para o resultado das urnas. Enganoso.
Além de única campanha com mobilização em rede pré-existente, a candidatura ainda virou natural beneficiária da polêmica religiosa ocorrida entre primeiro e segundo turnos (Marina não apenas parece, ela realmente crê nessa coisa retrógrada que relaciona punição divina a quem pratica o aborto).
Costa, uma referência em gestão editorial, diz orgulhoso que “nem Leonel Brizola teve 20 milhões de votos”.
Claro: a última vez que o caudilho gaúcho-carioca se submeteu ao escrutínio do eleitor foi em 1998, o que elimina qualquer possibilidade de comparação.
A “onda verde” foi uma entrada a preceder o banquete, fomentado pelo jornalismo impresso, que culminou com a queda de Erenice Guerra da Casa Civil.
Ao mesmo tempo a internet estava sendo usada da forma mais baixa, mas como sempre houve na humanidade, para espalhar mentiras e bobagens em correntes de e-mail e sites de redes sociais _tendo como pano de frente o detestável caráter religioso.
O spam do mal teve muito mais reflexo no resultado da urna do que propriamente o propalado sucesso da equipe de Marina na rede.
Aliás, o oposto: quem tuitava pela senadora causou problemas ao repassar mensagem em que a morte do escritor José Saramago foi reduzida ao passamento de alguém “que blasfemou contra deus a vida toda” e por causa disso não deveria ser lamentado.
Nunca antes neste país a expressão “devagar com o andor” fez tanto sentido.
Publicado em Sobrevivência na Rede
Com a tag 2010, aborto, Caio Túlio Costa, campanha, debate religioso, Eleições, internet, Marina Silva
A Folha de S.Paulo publicou hoje entrevista que fiz na sexta-feira com o sociólogo espanhol Manuel Castells, pesquisador-referência no que diz respeito à sociedade em rede.
O enfoque no caderno de Eleições, claro, são as relações entre poder político e cidadãos, que agora além do mesmo país coexistem também nas mesmas plataformas na internet.
Durante a semana, outros assuntos que abordei com Castells _como jornalismo e Twitter_ vão aparecer por aqui.
Até.
Publicado em Entrevistas
Com a tag conexão, controle, Eleições, entrevista, Folha de S.Paulo, Manuel Castells, Poder, política, redes sociais, vigilância, web
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Com a tag 2010, Dilma Rousseff, Edição, Eleições, escolha, fotojornalismo, José Serra, Marina Silva, subjetivo
Texto meu publicado ontem na Folha de S.Paulo sobre a participação do público, via internet, no primeiro debate exclusivamente on-line entre candidatos à Presidência, organizado pelo jornal e pelo UOL.
“As perguntas enviadas pelo público via webcam acrescentaram um ingrediente inesperado ao histórico debate entre os presidenciáveis, o primeiro na internet.
Inesperado, registre-se, para os próprios candidatos, várias vezes obrigados pelos internautas a deixar suas zonas de conforto para responder a assuntos espinhosos.
Num debate, temas como aborto, herança da estabilidade, pedágios e aliados inconvenientes recebem outro tratamento quando a pergunta vem de um cidadão, não de um rival ou jornalista.
Aqui, a internet também joga um papel fundamental: no conforto do sofá de casa, e protegidos por uma tela de computador, somos mais destemidos e espontâneos.
Não foi assim em experiências anteriores já testadas na TV, quando eleitores são confrontados com os candidatos ao vivo e cara a cara -ou dependem de um intermediário (no caso, um repórter) para serem ouvidos.
O banho de realidade da importância da abertura de canais de diálogo com o público vira ducha de água fria quando a rede é tratada pelos candidatos como mera ferramenta educacional ou instrumento de promessa de inclusão.
Se o futuro presidente da República ainda não entendeu o que é a internet, seus eleitores deram uma demonstração de que sabem perfeitamente para que ela serve primordialmente.”
Publicado em Jornalismo Colaborativo, Sobrevivência na Rede
Com a tag debate, Eleições, Folha de S.Paulo, futuro do jornalismo, interação, Presidência, UOL, webcam
O Globo divulgou na quinta-feira o que chama de “Estatuto das Eleições 2010“.
No conjunto, são medidas absolutamente dentro do bom senso, como sugerir aos seus jornalistas que não usem “distintivos, camisetas ou qualquer peça de propaganda de candidatos”.
A peça de dez regras e alguns adendos, porém, faz marcação cerrada contra os perfis pessoais dos funcionários em sites como Twitter e Facebook, porque “na prática, qualquer conteúdo publicado nas redes sociais poderá ser associado à linha editorial do jornal”. É? Se for, é um erro de quem faz a associação.
As restrições vão além e versam até sobre prática do retweet e adição de “amigos”.
“No caso específico do uso de Twitter e/ou outros microblogs, fica vedado ao funcionário do GLOBO a prática de reenvio (“retweets”) de conteúdos publicados por partidos políticos ou candidatos. Também não será permitido usar o serviço para propagar links para sites (pessoais ou institucionais) que contenham propaganda político-partidária, ou que sejam tanto ofensivos quanto elogiosos a determinado candidato.
Se, por necessidade profissional, jornalistas precisarem adicionar candidatos ou partidos políticos como “amigos” em páginas do Facebook, Orkut e demais sites de relacionamento, devem fazê-lo de forma equilibrada, evitando restringir a prática a apenas um determinado candidato ou partido. As inclinações políticas de jornalistas do GLOBO não devem aparecer também em seus perfis pessoais nesses e em outros sites de relacionamento.”
Da forma que foi redigido, o estatuto invade um terreno perigoso _e indefensável.
Outras restrições, em outros veículos, certamente virão.
Publicado em Sobrevivência na Rede
Com a tag cobertura, Eleições, jornalistas, mídia social, O Globo, perfil pessoal, privacidade, proibição, redes sociais, regras
As eleições para a presidência da Rússia serão neste domingo. O candidato do cara aí de baixo é Dimitri Medvedev. O Partido Comunista, oposição no país, denuncia armação. Existe um quê de Sucupira.

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Com a tag contato com o noticiário, Eleições, putin, rússia