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Gay Talese está ficando gagá

Gay Talese, 78 anos, definitivamente, está ficando gagá.

O pai do novo jornalismo (novo?) dá mostras evidentes de senilidade numa entrevista publicada sábado pelo jornal espanhol El Pais na qual, entre outras asneiras, diz que a chegada das mulheres ao jornalismo e outras posições de poder converteram os escândalos sexuais em notícia.

“Tivemos uma revolução sexual e graças a ela agora você pode viver com seu namorado sem se casar, mas se você tem um rolo fora do casamento… Veja o caso de Tiger Woods e suas amantes, como se ele as tivesse obrigado a dormir com ele”, disse Talese à atônita repórter Bárbara Celis.

Tem mais. “Quando alguma coisa é realmente boa, acaba chegando aos jornais”, afirma, ao justificar seu desinteresse pelo jornalismo on-line ou qualquer coisa que signifique avanço tecnológico (Talese nem sequer tem celular e seu telefone fixo, num elegante apartamento de Nova York, exibe um vistoso fio ligado à parede).

Para não ser de todo maldoso, há coisas bacanas na entrevista (mas leia se quiser descobrir, eu não vou contar).

De verdade? Eu acho que a gente devia deixar certas pessoas em paz.

A questão da audiência no jornalismo on-line

O pesadelo de qualquer site jornalístico (ou de qualquer produto na web) é verificar uma estagnação no número de leitores. É claro, a cada dia há mais gente nova na internet, e teoricamente estamos aqui para fisgá-las rumo ao nosso conteúdo.

Se todo dia há mais gente surfando, é natural que minha audiência cresça dia a dia. Essa é a lógica. De quanto será o crescimento, aí sim, é a diferença entre sucesso e fracasso.

Alguns números na Espanha, entretanto, são impressionantes: El Pais (seu jornal mais influente e importante) e 20 Minutos (jornal gratuito de grande tiragem), entre outros, simplesmente não tiveram mudanças na base de usuários em 12 meses. Isso significa dizer que, passado um ano, são lidos exatamente pelas mesmas pessoas _uma tragédia quando se fala no suporte on-line.

Quando o acesso de leitores a um site jornalístico fica um ano no mesmo patamar é sinal claro de que são necessárias mudanças.

El Pais desiste da separação de corpos e funde papel e on-line

O jornal espanhol El Pais (muito relevante globalmente, ainda mais considerando-se sua idade _faz 34 anos em 4 de maio) decidiu fazer aquilo que tinha descartado: unir suas redações em papel e on-line, ainda que numa integração física forçada, bastante comum hoje.

Claro, a integração física é a mais fácil de se fazer. Basta quebrar paredes e acomodar as pessoas perto umas das outras. Debater o que cada uma vai fazer (e com qual prioridade, eis o mais importante)… ah, deixa pra lá.

“Agora o El Pais é um só”, garante Gumersindo Lafuente, diretor adjunto do jornal com clara missão de fundir e tornar complementar os conteúdos dos dois suportes.

A fórmula inicial é batida: o “mesão”, uma central nervosa da redação, com editores e repórteres experientes alimentando o site e, ao mesmo tempo, discutindo o desdobramento que os assuntos devem merecer nas páginas do dia seguinte. É um formato que, via de regra, descamba para o burocrático (e para o inevitável burro encostado na sombra).

A favor de Lafuente conta o passado no Soitu.es, meio nativo digital que agitou o jornalismo espanhol por 22 meses, entre 2007 e 2009, e fechou as portas por falta de capitalização. O jornalista levou consigo para o El Pais outros 11 colegas que desfrutaram daquela aventura na web _ressalte-se que a crise no jornalismo, impresso ou eletrônico, é muito mais evidente em países que já se desenvolveram, caso da Espanha.

Quando dirigia outro importante periódico espanhol, o El Mundo, Lafuente era um ferrenho defensor da separação de corpos: on-line pra cá, papel pra lá. Tudo em nome da defesa da “identidade” de cada plataforma.

Ramón Salaverría e Samuel Negredo falam muito sobre isso no livro “Periodismo Integrado“, no qual analisam oito casos de integração de redações (poucos levaram à convergência, o orgasmo da fusão de suportes no jornalismo).

Mas é certo qe não existe fórmula pronta: depende da quantidade de entusiastas da internet e de características e aspectos culturais de cada empresa. Uma coisa, porém, é certa: precisa querer fazer.

Você quer?

Mais um obituário do jornalismo impresso

Quando as pessoas falam sobre determinada coisa com viés choroso e nostálgico, está claro que aquilo está fadado a desaparecer.

É o que fez o escritor espanhol Gustavo Martín Gazo, em artigo publicado esta semana pelo jornal El Pais. Ele falava sobre o jornal impresso.

“É difícil imaginar como seria nossa vida sem jornais impressos. Como teriam sido, por exemplo, as épocas obscuras de nossa história recente sem a ajuda a imprensa escrita. Sem o auxílio, acima de tudo, dos que mantiveram a crença em sua razão, na liberdade pessoal e nos valores democráticos. Pois exatamente isso devem ser os jornais: companheiros leais, discretos e sensatos a quem recorrer a cada manhã não apenas para encontrar justificativa para nossas ideias ou alimentar nossos rancores”, escreve Gazo num artigo, digamos, mimoso.

“Falar com as fontes, os rios e os animais. E assim brotar essas chamas que nos consolam de nossos pecados, nos acompanhem e nos ajudem a viver”, prossegue ele, que faz uma interessante relação entre a capacidade de narrar (inclusive com texto “literário”) e o apelo que os periódicos exercem hoje .

Um artigo que é quase um obituário do jornal impresso, um ode, um lamento em formato de chorumela. Vale a pena ler.

Pra não dizer que não falei da Campus Party

Pra não dizer que não falei da Campus Party (mais uma vez não fui, os únicos eventos desorganizados que ainda frequento _ainda que a dose tenha sido reduzida drasticamente_ são jogos de futebol), repasso a impressão que o El Pais teve ao participar de alguns debates no sábado.

Primeiro, que a performance de Alfredo Manevy, secretário-executivo do Ministério da Cultura, encantou os espanhóis. Claro: num momento em que a Espanha discute rígida regulamentação para troca de arquivos e direitos autorais, Manevy (chamado na matéria de “ministro interino com ar hippie”) equiparou a internet a serviços essenciais como água e luz e defendeu a cópia digital de obras como um antídoto para baixa tiragem de livros, edições esgotadas e a falta de hábito de frequentar bibliotecas.

“Com a internet essas pessoas poderiam conhecer a cultura. Incluímos, nos últimos anos, 40 milhões de pessoas na classe média. Não podemos traí-las fechando-lhe as portas. Este não é um país de 40 milhões de piratas, mas de gente que tem vontade de aprender”, disse Manevy na Campus Party deste ano.

Nesse campo, Laurence Lessig tem muito a dizer. Ele é um dos criadores do sistema creative commons, que tenta pacificar a relação entre autores e público, e acha que o Brasil é o país mais importante do mundo para o futuro da cultura digital _eu acho que China e Índia vêm antes.

Mas Lessing tem uma capivara gravíssima: defende que o jornalismo seja financiado com dinheiro público “porque cumpre uma finção social. Sem imprensa livre e com jornalistas formados é impossível entender a democracia”, discursou.

Imprensa livre financiada com dinheiro público? Jornalistas formados? Gente, do que esse cara está falando?

‘O negócio de mídia é um negócio de identidade. Você tem que ter algo a dizer, e com estilo único’

Paco Sánchez é um das poucas pessoas que realmente dá para chamar de mestre. E não apenas porque ele é professor de jornalismo (tive o prazer de ser seu aluno no Master em Jornalismo Digital Multimídia, no ano passado _sua disciplina, Planejamento de Conteúdos, valeria um semestre inteiro).

Paco também é diretor editorial do jornal espanhol La Voz de Galicia e tem bastante a dizer sobre a espécie de “crise de conteúdos” que estamos assistindo no jornalismo, em geral, e no on-line, especificamente, num momento em que todos os sites se parecem bastante entre si.

O diagnóstico de Paco é preciso. “O negócio de mídia é um negócio de identidade. Você tem que ser alguém com algo a dizer, e dizê-lo com um estilo único”. E como encontrar esse estilo? Leia a conversa que tivemos recentemente.

Paco, você defende que os portais de internet tiveram uma má influência sobre o menu dos sites jornalísticos em geral. Explicando isso melhor: você acredita que a competição por audiência leva sites menores ou “independentes” a, em alguma medida, apenas replicar o conteúdo alheio para não parecer desatualizado?
Eu acho que alguns jornais perderam, na internet, a identidade que têm no papel. Isto é grave. Claro que afeta principalmente os jornais com menos recursos, mas também alguns grandes. Se você se guiar apenas pelas páginas mais vistas, por estratégias de SEO, pode cometer erros absurdos. Por exemplo, é possível que as dez matérias mais acessadas de um jornal sejam superficiais, frequentemente frívolas, replicadas de agências internacionais ou capturadas em outro lugar.

Se quem gerencia o conteúdo se deixa levar por esses resultados e programa mais matérias parecidas, está cometendo dois erros simultâneos de percepção: seu público não chegou ao jornal por causa daquele conteúdo e o usa apenas como passagem (“vejo o noticiário do time de futebol local e aproveito para clicar nessa matéria da Britney Spears”). O que atrai o leitor é informação diferenciada. Se seu objetivo era ler sobre Britney Spears, provavelmente ele entraria em outro site, mais específico, com o qual não poderíamos competir. Se, apesar de tudo, o objetivo do usuário era Britney Spears, provavelmente caiu em nosso site através de um motor de busca. É, portanto, um leitor puramente aleatório, com o qual dificilmente podemos construir uma audiência estável. Então,se nós seguirmos este tipo de estratégia, só conseguiremos visitas hoje, e fome amanhã. E o pior: alguns periódicos de papel começaram a permitir que os resultados de acesso de sua edição on-line passassem a influenciar a agenda de conteúdos na edição impressa. A última gota.

Outro de seus mantras é que nós, jornalistas, não devemos procurar a audiência, mas ao contrário: pela qualidade e originalidade de nossos conteúdos, as pessoas virão até nós. Primeiro que eu adoraria tê-lo como chefe (risos). Sério, como se equilibra isso? Eu não posso manter um site que ninguém acessa. Isso significa que é importante saber o que os usuários querem, certo? Ou não, o jornalismo profissional deve saber quais são as notícias mais relevantes e não pode viver ao sabor da preferência do público?
Estava me referindo mais ao meio, como corporação, dos que aos jornalistas individualmente, ainda que de certa forma seja possível aplicar o conceito também. Em geral, a grande mídia nasceu de uma pessoa ou um grupo de pessoas que tinham algo a dizer e ecoou em uma audiência grande ou importante. Se o processo for ao contrário, raramente funciona.

Sempre lembro que Roberto Civita dizia que, primeiro, imaginava a revista que queria fazer, a que agradava a ele, e só depois começava a fazer pesquisas. O negócio de mídia é um negócio de identidade. Você tem que ser alguém com algo a dizer, e dizê-lo com um estilo único. O sucesso da The Economist é muito bem explicado a partir dessa perspectiva.

Há também exemplos no sentido oposto: no final do ano passado, houve alguma celeuma entre o público do jornal diário espanhol El Pais porque o diário criticou fortemente o governo socialista. Não era o que esperavam muitos leitores, embora o veículo estivesse certo, e alguns até mesmo chegaram a expressar o descontentamento emmento

público de uma forma muito significativa: “Este não é o meu ‘País’”. Com a identidade não se brinca.

Se estamos aguardando apenas o parecer volúvel que nos chega através de pesquisas de marketing, o destino mais provável é uma identidade confusa ou diluída e os termos se invertem: já não somos alguém que tem algo a dizer, e a audiência deixa de precisar da gente. A crise de tantas revistas noticiosas tradicionais tem a ver, em parte, com um processo dessa natureza.

Palavras suas: um jornal impresso tem valor por cerca de quatro horas. O que pode ser feito nas outras 20h para manter o público interessado? Você se lembra de exemplos de jornais que estão otimizando suas operações em grande parte através de intervenções nas suas edições digitais (editorial e produto)?
Com essas palavras o que eu quis dizer é que quase 100% dos exemplares diários impressos são vendidos quatro horas depois de publicados. O resto da venda é marginal. Isso não significa que as informações contidas no jornal expirem. Na verdade, minha proposta é encontrar maneiras de continuar lucrando com todo o volume de informação que continua a ser válida e útil em sua grande maioria.

A indústria do audiovisual entendeu isso muito bem desde o início, com alguma frequência amortiza investimento ou até mesmo começa a gerar lucros quando o filme estreia nos cinemas, mas ela passará anos tirando partido do produto, seja na TV paga, na TV aberta, no pay-per-view, no mercado de DVD etc.

Já existem muitos veículos que utilizam seu conteúdo impresso, aparentemente defasado, para agregar valor à edição eletrônica ou revendê-lo de outras maneiras: não só o The New York Times ou CNN, mas também meios pequenos já são capazes, por exemplo, de converter seu cartunista em uma marca ou vender as fotos do dia.

‘As empresas não são o jornalismo’, diz correspondente veterano

Ex-correspondente do espanhol El Pais em Londres, Paris, Nova York, Washington e Roma, Enric González, 50, é um sábio.

Olha só o que ele disse ao receber um importante prêmio jornalístico das mãos do príncipe herdeiro em seu país. “Não dá mais para confiar nas grandes empresas, elas têm outros interesses. Os jornalistas é que deverão se organizar em cooperativas, sociedades, o que for, para continuar fazendo informação. As empresas não são a imprensa”.

Lapidar.

Tudo bem que, na sequência, ele protesta contra as “vozes desconexas” da web, uma insinuação ao suposto “caos informativo” advindo do uso cada vez maior da rede.

Nesse ponto, meu querido González, não vai ter jornalista que segure.

Ele diz ainda que o jornalismo do futuro será aquele que os jornalistas quiserem. Outra bobagem: será o que o público quiser. Já é assim, é inexorável. Ou não haveria editores de mídia social pululando em tantas redações, não é mesmo?

Mas a noção de que pessoas são maiores que as instituições, essa sim está corretíssima.

O jornalismo que transcende o papel

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Um veículo modesto, bem longe da badalação do homônimo rico e congêneres; Uma ideia de trazer conceitos mais vanguardistas ao surrado jornalismo nosso de cada dia. É o que basta.

O El Pais, de Cáli (terceiro maior jornal da Colômbia), inaugurou um canal para, segundo o próprio periódico, impactar a audiência “a nível gráfico, visual e jornalístico”.

Basicamente, propostas de novas narrativas jornalísticas. Um nome pomposo, que tenho usado sempre, mas que significa apenas deixar um pouco de lado a ditadura do texto e explorar outros recursos da web (todos, como vídeo, áudio, grafismos etc). A fórmula aqui é até surrada (a história de 11 personagens da noite calenha), mas isso pouco importa.

Se o El Pais daqui faz, com a estrutura que você já pode imaginar, a gente também consegue. Nem que seja pelo institucional, é obrigatório ter experiências assim em nossos veículos.

E há gente bastante importante no Brasil que, infelizmente, ainda está com o pé no freio quando a conversa vai para esse lado de fazer algo que transcenda (e ao mesmo tempo valorize mais) o papel.

100 anos de infografia

O brutal crescimento do tráfego marítimo no Brasil infografado pela edição de 18 de agosto de 1909 de O Estado de S. Paulo

O brutal crescimento do tráfego marítimo no Brasil infografado pela edição de 18 de agosto de 1909 de O Estado de S. Paulo

O entendimento de que um infográfico deve usar conceitos de comparação e proporcionalidade é muito antigo, como prova gráfico publicado no jornal O Estado de S. Paulo na edição de 18 de agosto de 1909 (é o que você vê acima).

A relíquia está na web graças ao blog dos 100 anos que o jornal paulistano colocou no ar há semanas _e que poderia muito bem ser monetizado, desde que oferecido editado por temas e empacotado num outro formato. São poucos os conteúdos jornalísticos que podem ser cobrados na internet. Este é, certamente, um deles.

"Origem e Evolução dos Gráficos na Espanha, 1856-1936", Fermín Vílchez in Malofiej 14

"Origem e Evolução dos Gráficos na Espanha, 1856-1936", Fermín Vílchez in Malofiej 14

Chiqui Esteban, diretor de novas narrativas do jornal on-line espanhol La Informacion, notou que essa produção do Estadão de cem anos atrás era bem parecida com o que se publicava na imprensa de seu país 20 anos depois (imagem ao lado).

O último grito: o infográfico em ondas do NYTimes, bom apenas porque é do NYTimes

O último grito: o infográfico em ondas do NYTimes, bom apenas porque é do NYTimes

Daqueles para a moda do gráfico em ondas difícil de entender mas considerado brilhante por ter sido executado pelo New York Times não foi um pulo. Demorou. Muitíssimo.

Como não foi menos árdua a chegada a trabalhos como os que reconstituem o acidente com o voo 3054 da TAM, infográfico mais acessado da história do El Pais.

Contra este último, o uso de linguagem de videogame para espetacularizar a notícia. De informação, pouco _ou nada, se levar-se em conta a situação em que o infográfico foi ar, sem vídeos ou áudios complementares adicionados bem depois.

Velho ou novo, o importante é que o infográfico não perca seu sentido de existir: expor, com clareza, dados que facilitem a compreensão da notícia.

Pagar por informação exclusiva é falta de ética?

Pagar para conseguir informação privilegiada é falta de ética?

É exatamente essa a discussão que está acontecendo agora na Grã-Bretanha, à raiz do escândalo dos gastos dos deputados da Câmara dos Comuns (como num determinado país que a gente conhece, eles tinham despesas pessoais cobertas pelo erário).

Ocorre que existe a certeza de que o Telegraph, jornalão conservador de Londres, pagou para conseguir os CDs que continham os dados comprometedores. Mais: o veículo sabia, ainda, que a informação havia sido surrupiada por um funcionário do Parlamento, ou seja, era produto de roubo.

A Scotland Yard, polícia inglesa, se recusou a investigar a procedência da informação usando a mesma justificativa dada pelo jornal (“trata-se de atuação em prol do interesse público”).

É verdade, mas fazer jornal não corresponde a uma luta de vale-tudo. Pelo contrário: quem cobra ética tem de praticá-la cotidianamente.

Na Espanha, conta o El Pais em extensa reportagem sobre o tema, é comum pagar por fotos de filhos recém-nascidos de estrelas de TV ou cobertura de casamento de celebridades. É exatamente o que ocorre no Brasil, onde revistas como Contigo e Caras enchem os bolsos de suas fontes em busca de “exclusividade”.

Porém (e é assim no Brasil também) a imprensa dita “de credibilidade” evita recorrer ao expediente. Nos EUA também é assim. Tanto que, quando pagam, os meios mais tradicionais fazem o possível para esconder _caso recente da CNN, que após várias negativas admitiu ter desembolsado US$ 22 mil por um vídeo da Al-Qaeda (mas acredita-se que tenha sido muito mais).

 Se uma emissora de TV quer transmitir um evento com exclusividade, ela paga ao detentor dos direitos. É possível estabelecer algum tipo de comparação entre isso e dar dinheiro a pessoas que oferecem furos? Difícil, eu não consigo.

É certo que mais imoral ainda é receber para não publicar uma informação _e isso, infelizmente, também é recorrente no jornalismo mundial.

Contudo, pagar por uma entrevista, dossiê ou seja lá o que for, certamente, está bem distante da transparência e dos princípios éticos que deveriam nortear o jornalismo profissional.