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O concorrente dos jornais se chama Facebook

Sábias palavras de Juan Luis Cebrián, fundador do jornal espanhol El Pais e presidente do Grupo Prisa, que edita o periódico.

“Os diários já não dão notícias. Todo mundo já sabe as notícias quando vai ler os jornais. Os jornais explicam, fazem análises, debatem. O competidor da Folha não é o “Estado de S. Paulo”, é o Google, o Facebook, estes são nossos competidores reais. E não queremos admitir porque não sabemos como competir com eles”.

Ainda outro dia falávamos sobre o caráter de “jornal pessoal” do site de Mark Zuckerberg…

O estranho intercâmbio de imagens entre fotojornalistas

O El Pais espanhol publica uma interessante reportagem sobre um hábito (diz o jornal) “quase extinto”: o intercâmbio de imagens entre fotojornalistas.

O acadêmico López Mondéjar, ouvido pelo jornal, diz que havia esse hábito na Espanha porque “não se dava grande valor” ao trabalho dos fotógrafos até meados dos anos 60.

Por aqui, a prática ainda sobrevive, mas como aspecto corporativo: é comum profissionais salvarem a pele de colegas que perderam alguma coisa importante “emprestando” alguma imagem.

O problema é a espécie de “espionagem industrial” que ocorre quando o conteúdo que um veículo pagou para ser produzido acaba aparecendo num concorrente (ou em outro lugar qualquer).

Um blog para discutir o futuro do jornalismo

O blog “Periodismo con Futuro“, do El Pais, merece a visita. É mais uma página dedicada a boas discussões sobre a profissão.

As origens do jornalismo visual

Bem legal: conhecer o passado para entender o futuro do jornalismo, como mostra o El Pais.

Lembrei do Estadão e de seus gráficos históricos, que foram motivo de comentário por aqui em 2009.

As mil capas do Babelia, sinônimo de suplemento cultural

Babelia, o suplemento cultural do jornal espanhol El Pais, completou mil edições (e quase dez anos) e disponibilizou esse exuberante acervo de capas.

É um cadernão clássico de cultura que, por anos, seguiu um princípio de diagramação da primeira página na verdade presente até hoje na publicação.

Para consultar e usar como referência.

O papel do jornalista

Testemuhar, decifrar e interpretar.

Boas missões do jornalismo descritas por Timothy Garton Ash em artigo no El Pais.

Exatamente isso.

400 infográficos do La Información

O espanhol Mario Tascón esta na linha de frente entre os que se dedicam a pensar o futuro das narrativas jornalísticas.

Em suas duas trincheiras _o jornal La Información e o blog de mídia 233 Grados_, sempre tem coisas interessantes a oferecer, de reflexão pura a manga arregaçada mesmo.

Ex-diretor digital do El Pais (outro jornal que sabe fazer bem as coisas na internet), partiu para a carreira solo e seu diário on-line completou um ano disponibilizando os mais de 400 infográficos multimídia que concebeu nos últimos 365 dias.

Tem coisa ruim, mas muito material inspirador.

Tascón é um provocador nato _a propósito, 233 graus (nome de seu blog) é a temperatura de combustão do papel.

A guinada do El Pais rumo às redes sociais e à conversação

Alberto Dines descreve, em texto no Observatório da Imprensa, a aposta do espanhol El Pais em redes sociais.

O jornal, que há até bem pouco tempo separava completamente suas equipes em papel e on-line (e dizendo que era o que devia ser feito porque as mídias têm características diferentes), agora acelera a integração.

Mais: se preocupa com a conversação com seu público, uma tecla em que eu tenho batido muito _agora com a oportunidade de testá-la na prática com resultados bem satisfatórios.

Sempre gosto de lembrar que o El Pais é praticamente um garoto entre os jornais relevantes do planeta (tem só 34 anos).

A insuportável indignidade de ser repórter

John Carlin escreve um texto bastante forte (e direto) sobre o que ele chama de “a insuportável indignidade de ser jornalista”.

Basicamente é o desabafo de um repórter esportivo obrigado a conviver com milionários (os personagens das notícias, ou seja, jovens jogadores alçados de repente ao estrelato) e as dificuldades de entrevistá-los.

“A primeira exigência para ser um repórter é a persistência, virtude admirável condenada sempre a beirar a humilhação”.

Carlin descreve como nós, em busca de um entrevista, somos obrigados a esperar e suplicar (às vezes, rastejar). No caso de esportes, e ele detalha isso bem, é clara a distância entre jornalista e fonte _de fato, muitas vezes é mais difícil conversar com a nova estrelinha do futebol do que com o próprio presidente da República.

E há saída? “Vingar-se da profissão e virar assessor de imprensa de um clube ou encontrar a salvação na pré-aposentadoria jornalística do escritor de colunas opinativas”, receita.

Hilário, ao mesmo tempo triste, mas absolutamente verdadeiro.

Gay Talese está ficando gagá

Gay Talese, 78 anos, definitivamente, está ficando gagá.

O pai do novo jornalismo (novo?) dá mostras evidentes de senilidade numa entrevista publicada sábado pelo jornal espanhol El Pais na qual, entre outras asneiras, diz que a chegada das mulheres ao jornalismo e outras posições de poder converteram os escândalos sexuais em notícia.

“Tivemos uma revolução sexual e graças a ela agora você pode viver com seu namorado sem se casar, mas se você tem um rolo fora do casamento… Veja o caso de Tiger Woods e suas amantes, como se ele as tivesse obrigado a dormir com ele”, disse Talese à atônita repórter Bárbara Celis.

Tem mais. “Quando alguma coisa é realmente boa, acaba chegando aos jornais”, afirma, ao justificar seu desinteresse pelo jornalismo on-line ou qualquer coisa que signifique avanço tecnológico (Talese nem sequer tem celular e seu telefone fixo, num elegante apartamento de Nova York, exibe um vistoso fio ligado à parede).

Para não ser de todo maldoso, há coisas bacanas na entrevista (mas leia se quiser descobrir, eu não vou contar).

De verdade? Eu acho que a gente devia deixar certas pessoas em paz.