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Você quer ler boas notícias?

Fico sabendo do projeto Só Notícia Boa, tocado entre outros por uma colega de graduação, Andréa Fassina, profissional com longa folha de serviços prestados ao radiojornalismo – fez parte da primeira equipe da pioneira CBN, em São Paulo.

Já escrevi aqui algumas vezes sobre iniciativas do gênero, inclusive como opção filosófica (ou ópera bufa, como a desastrada incursão do iG ao tema).

Um oásis blindado contra pais que atiram filhos pela janela, humanos que espancam animais, corrupção política.

É tudo verdade, porém editada.

Quem lê tanta notícia boa?

O perigoso uso de chapéu em títulos no jornalismo on-line

O uso de chapéu (aquela palavrinha que fica acima dos títulos) no jornalismo on-line é um problema.

O exemplo acima (um singelo “au-au!”) é apenas uma mostra do que pode acontecer.

É fato que o uso desse recurso exige poder de edição e síntese brilhantes _para realmente poucos na profissão.

Daí vem o dilema: ou se estabelecem palavras-padrão, o que torna a edição burocrática, ou corre-se o risco de latir.

Escolha.

Impressionado com as fotos de Kadhafi morto?

Então dá uma lida no que escreveu Carlos Heitor Cony sobre o assunto.

“Há uma corrente de profissionais da mídia que adota a tese da necessidade de informar tudo o que acontece, o leitor tem o sagrado direito de saber de tudo, nos mínimos detalhes. Mesmo os escabrosos, de péssimo gosto e que em nada contribuem para clarificação de um fato, por mais delituoso que seja.”

Tirando a parte do “que em nada contribuem”, já que gosto não é bom objeto de debate, sou desse time.

E, francamente, no caso do ex-ditador líbio não havia como escapar. Só mesmo um péssimo editor fecharia os olhos.

Gostar de escrever basta?

Gostar de escrever é suficiente para querer ser jornalista?

É o que discute Gary Moskowitz neste interessante artigo.

A conclusão, minha e dele, é que não basta gostar, é preciso saber.

Ainda que, no caso do jornalismo on-line, o texto não seja exatamente uma prioridade para quem pretende explorar o potencial das novas narrativas (como Moskowitz explica no artigo).

Uma conversa sobre a linkagem em conteúdo jornalístico

Robert Niles entrevistou o pesquisador Ronald Yaros, da Universidade de Maryland, sobre o uso do hiperlink em conteúdo jornalístico.

Yaros acabou de publicar um estudo no qual as conclusões, apesar de óbvias, são fruto de coleta e análise científica _e aí passam a valer mais.

Segundo Yaros, a linkagem adequada melhora a experiência do leitor. E qual é a forma certa de linkar? Depende do tipo de material que você vai publicar.

Há algumas regras básicas (por exemplo, evitar redudâncias do tipo “clique aqui” e, em vez\ disso, escolher palavra ou trechos que deixem claro para onde o usuário será direcionado).

Dá um pulo na entrevista lá pra entender melhor.

A morte de José Alencar e alguns segredos do jornalismo

Para quem é de fora do jornalismo, é difícil entender a previdência de certas medidas que tomamos para garantir uma vida com o mínimo possível de sobressaltos. Uma delas, e que mais choca, é o hábito de deixar pronto o obituário de personalidades relevantes do noticiário.

Neste quesito, José Alencar merece uma citação à parte. Nunca um obituário esteve tão pronto. Foram várias as oportunidades em que ele esteve a ponto de ser publicado _nem só on-line: numa noite de novembro do ano passado, pessoas foram chamadas de volta à Redação porque havia o rumor da morte do mineiro. Foi assim por várias vezes.

E os plantões? Quantas vezes fomos ao trabalho sob o risco de a morte acontecer _e modificar todos os planos da edição do dia? O temor acabou não se justificando (a morte, no final das contas, ocorreu numa terça-feira, e bem cedo para os padrões jornalísticos).

Outra crueldade oculta do jornalismo é a avaliação de quanto tempo e espaço dedicar a um morto. Para nós, é evidente que José Alencar valia muito mais como vice-presidente. Ao deixar o poder, paulatinamente foi perdendo a relevância.

São, enfim, pequenos segredos do jornalismo.

O massacre dos redatores do LA Times

Deirdre Edgar, O ombudsman do Los Angeles Times, teve de comentar (e o fez com bastante humor) o errinho chato da página A22 da edição impressa da última quinta-feira.

Foram rodados 55 mil exemplares até que alguém se desse conta de que não havia títulos nas notas de uma coluna de noticiário nacional.

Quer dizer, títulos havia, mas eram marcações gráficas do tipo “O título vem aqui”, o bom e velho modelo ou figurino: um texto fake salvo para fazer a demarcação do espaço que ocupa.

“Os leitores temeram que todos os redatores tivessem sido demitidos ou até mesmo ‘massacrados’, como disse um”, registrou Edgar.

Acontece.

Campeonato de sorriso

Total off-topic, mas se fosse um campeonato de sorriso, você votaria em quem?

Agruras da diagramação e da falta de acabamento decretam que entrevistado é sem noção

Olha quão importante é, no jornalismo impresso, o acabamento da edição (também o é no on-line, mas é que o papel não permite correção): fui tratado como “sem noção” em entrevista que dei recentemente, como você vê acima.

O projeto gráfico do Diário do Norte do Paraná, de Maringá, me foi cruel: o box em que apareço como entrevistado de um miniping tem um título e uma seta que não deixa dúvida. Leva diretamente ao meu nome. Eu sou sem noção.

Não creio ser uma decisão editorial, já que também ofereço declarações para o abre.

Sempre digo que não é fácil fazer jornalismo em papel…

A Wikipedia é cada vez menos colaborativa

(Ilustração: NYT)

(Ilustração: NYT)

É fato: aos 8 anos e entre os dez sites mais acessados da web, a Wikipedia é cada vez menos colaborativa e caminha para se fechar totalmente em copas, deixando para os odiados administradores a tarefa de editar verbetes _o que, na prática, já vinha ocorrendo com frequência.

Agora, o produto símbolo da web 2.0 (outra denominação odiosa e, pior, picareta e marketeira) decidiu restringir a edição de entradas sobre pessoas vivas.

Isso já vinha sendo discutido desde o início do ano e, a partir de hoje, será assunto na Wikimania, em Buenos Aires.

O gigantismo do site (só em inglês já são mais de 3 milhões de artigos _a versão em português caminha para o milhão) seria a justificativa para o zelo, mesmo contrariando o espírito aberto da iniciativa. A conclusão da Wikipedia é que hoje não faz mais sentido abraçar a cultura do caos, mas sim oferecer um produto maduro e organizado.

Pela proposta, só editores “experientes, ativos e com alta reputação” poderão chancelar mudanças nos verbetes das personalidades vivas.

Ou seja, é a consagração da percepção de que a Wikipedia, que um dia já foi de todo mundo, tem cada vez menos donos. Carlos d’Andrea, que tem estudado bem de perto o fenômeno, vê a mudança por outro ângulo.

Leia mais sobre a Wikipedia no Webmanario