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A internet é antidemocrática

O texto “A internet não é tão democrática“, que Renato Janine Ribeiro publicou no Valor, é mais uma constatação de que, na web, as pessoas buscam a concordância, jamais o contraditório.

Mestre Castells vem dizendo isso há algum tempo e, em definitivo, é o que explica a intolerância diante da opinião contrária.

Uma pena, mas a rede jamais será um espaço democrático. Sociologia e filosofia explicam o porquê.

O jornalismo cidadão não morreu

A academia trocou o estudo do jornalismo cidadão pelo de mídias sociais (onde as pessoas também fazem jornalismo cidadão), mas isso não significa que a participação do público no processo de apuração, análise e difusão de notícias tenha entrado em declínio.

Trabalho recente do Open Society Media Program, a cargo da pesquisadora Nadine Jurrat, reforça o papel de democratização que  meio digital e avanço tecnológico  vêm jogando atualmente.

Mapping Digital Media: Citizen Journalism and the Internet.

Wikidemocracia é bom, mas não é panaceia

Pedro Abramovay escreveu esta semana, na Folha, um ode à wikidemocracia _o incentivo a participação das pessoas, via internet, na discussão de políticas públicas.

Algo para ser levado bastante a sério, principalmente num ambiente em que o anonimato grassa e manipulações de toda sorte são fáceis de serem engedradas.

‘Primavera’ revigora o jornalismo no mundo árabe

É bom saber que o jornalismo pegou carona no movimento popular apelidado pela mídia de Primavera Árabe.

Na Tunísia, que botou um ditador pra correr no começo do ano, nada menos do que 70 empresas já pediram autorização para funcionar.

Na Líbia, onde Muamar Khadafi ainda resiste, até um jornal em inglês já está sendo editado (o país tem cerca de 80 jornais e revistas).

Nenhuma dúvida que a democracia é o ambiente mais propício para o exercício da profissão.

O jornalismo não fala mais em nome da opinião pública

No livro “Pensar a Comunicação: Pontos de Vista para Jornalistas e Políticos“, do francês Dominique Wolton, há uma excelente reflexão sobre as mudanças que a sociedade (e, nesse bojo, o jornalismo) experimentou nas últimas décadas. E olhem que a obra é de 2005, ou seja, há mais cinco anos de mudanças desde que o pesquisador francês se debruçou sobre o assunto.

Resumidamente, para Wolton, antes a legitimidade da imprensa constituía um embate no mesmo sentido da briga por uma sociedade democrática. Nesse contexto, o jornalismo diversas vezes soube utilizar a opinião pública para conseguir o que queria do poder político. Essa etapa, diz o francês, foi vencida.

Ocorre que, agora, os atores desse processo (ou seja, nós mesmos) continuamos agindo como se estivéssemos no século passado. “Os jornalistas pensam os problemas da informação com os olhos de ontem (…), como se a relação de força com o poder político ainda fosse frágil”.

Wolton prossegue: “Os jornalistas ainda se consideram os valentes guerreiros da verdade e do combate épico da informação do século passado e ignoram as contradições ligadas a seu próprio poder”.

Podemos enumerar, como parte do problema analisado pelo pesquisador, o overload informativo (a saturação de informação), falta de profissionalismo e excesso de velocidade na produção da informação, entre outros.

A conclusão, para Wolton: no meio desse caldeirão, os jornais (e jornalistas) deixaram de ser os porta-vozes da opinião pública para comprar brigas que têm como pano de fundo apenas a manutenção de seu status.

Muito bom.

Quem é mais nocivo à democracia: Hugo Chávez ou o exército imbecil de adoradores de Lula?

Novas ameaças do ditador da Venezuela, Hugo Chávez, contra veículos jornalísticos que criticam seu governo. Ontem, em seu “programa” de TV (que não passa de doutrinação barata), o mandatário foi categórico ao afirmar que poderá cassar concessões _como já o fizera com a Univisión.

Uma coisa é a crítica, e outra, a conspiração“, disse.

O que me dá medo é que essa é exatamente a lógica da turba irracional e burra que, cega por opção própria, incensou Lula a outro patamar, transformando em golpe qualquer tentativa de opinião ou análise racional do que está acontecendo no Brasil.

Dia desses falei, numa resposta na caixa de comentários do site, que não aceito patrulhamento de nenhuma espécie. Nem sei se seria o caso hoje, já que nem sequer entrei no mérito do governo Lula, mas de seu séquito de adoradores que, paspalhos e imbecilizados, não têm condições de viver num estado democrático de direito.

Deveriam, pois, mudar de bibelô e se bandearem todos para Caracas. Lá, sim, eles terão um presidente que pensa _e mais do que isso, que age_ como eles.