Arquivo da tag: conversação

Mais conversas sobre a publicação pessoal

Na sexta-feira encerrei mais um pequeno curso (uma conversa, na verdade) sobre a era da publicação pessoal para a 48ª turma de trainees da Folha de S.Paulo.

É um pessoal que me pareceu bastante ciente sobre os novos desafios que a tecnologia impôs à profissão.

Os slides da aula (agradecimento especial ao amigo Sérgio Lüdtke)

O roteiro de links

Depois de uma sessão mais teórica, na semana passada, desta vez nos agarramos a exemplos (bons e ruins) de conversação e abertura para participação do público no mainstream.

Delícia lembrar o dia em que a ex-plateia, revoltada com o descaso e a ineficiência do veículo que acompanhavam, deu o troco e fez uma grande organização pagar muito caro.

Ou ainda perceber que, na lógica das redes sociais, as pessoas vêm sempre antes das instituições (algo que já virou um corolário, né?).

Mais: que o Twitter, diferentemente de todas as outras mídias sociais, não é construído com base em relações de afetividade e amizade. Todo o oposto: seu inimigo pode estar seguindo você.

Enfim, temos muito a aprender.

Conversas sobre a publicação pessoal

Sexta-feira ministrei a primeira parte da conversa sobre publicação pessoal e o jornalismo para os trainees da atual turma de treinamento de Folha de S.Paulo, a 48ª da série.

É aquele papo que os jornalistas, normalmente, não estão muito dispostos a ouvir: que temos de deixar o pedestal e assumir que o público, graças ao avanço da tecnologia, tem à disposição as mesmas ferramentas que nós.

Os slides da aula

O roteiro de links (senha: webma)

Mais: que público, fontes, empresas e governos estão publicando o tempo todo na internet, muitas vezes mais do que nós próprios, dispensando definitivamente a mediação da imprensa para se comunicar entre si.

É um estado irreversível contra o qual não adianta espernear. Infelizmente, ainda é mínima a compreensão, no jornalismo profissional, de que essa situação força a convivência com todos esses jogadores e, mais do que isso, o diálogo entre todos nós que, hoje, desempenhamos essa tarefa extraordinária que é apurar/difundir/analisar notícias.

Espero que essa nova geração que chega agora às redações entenda o recado.

A web, a conversação e a parede de banheiro

“Aquilo que antigamente as pessoas escreviam numa parede de banheiro hoje pode ser visto por milhões”, afirma a advogada Sandra Baron, diretora-executiva do Centro de Estudos de Direitos da Mídia, de Nova York.

A frase sintetiza o que está acontecendo agora nos Estados Unidos e, como sempre, deve se espalhar pelo mundo: pessoas estão sendo processadas por calúnia, invasão de privacidade e violação de direitos autorais pelo que publicam na internet _seja nos comentários de um blog, num fórum, num chat, no microblog…

Reportagem do The Wall Street Journal (que aliás erra no título e restringe o problema legal aos “blogueiros”, esse termo detestável) mostra que o número de processos civis motivados por declarações postadas na web saltou de 12, em 2003, para 106 quatro anos depois (é o dado disponível mais recente).

Essa metáfora da parede de banheiro é muito boa. E se aplica também ao jornalismo, profissional ou amador.

Curioso que, nos EUA, alguns dos processados alegam estarem cumprindo tarefas jornalísticas para serem julgados por uma lei específica.

No Brasil, nem essa chance há mais: a queda da Lei de Imprensa aumentou sensivelmente o risco de a gente ser condenado por calúnia, injúria e difamação.

Consultor de notícias, uma nova função no jornalismo

David Cohn fez muito bem em retomar dois assuntos sobre os quais tratou recentemente.

Um dá conta de uma possível nova função no jornalismo: consultor de notícias. Consiste em percorrer sob demanda a rede colhendo informação para demandas específicas de um cliente.

Eu acrescentaria ainda a possibilidade de a função ser útil também ao jornalismo diário, com a preocupação de reunir links úteis para a compreensão do noticiário e hierarquizá-los, usando para isso todas as mídias sociais disponíveis (blog, microblog, sites de compartilhamento de conteúdo, redes sociais etc).

A outra de Cohn é  uma experiência que já ocorre no jornal alemão Taz, é bastante interessante. Lá, no térreo do prédio da redação funciona um café público onde, inevitalmente, os jornalistas da casa fazem seus pit stops.

O jornal incentiva os leitores a frequentar o espaço e trocar impressões com os membros do estafe. Essa relação pessoal reforça o aspecto “marca” de cada integrante da equipe, além de criar laços que eventualmente poderão ser convertidos em grandes reportagens.

A gente que fala tanto na necessidade de desbravar o mundo on-line que muitas vezes se esquece da conversa olho no olho, né? Ela é boa também para conhecer quem nos lê também.

Uma decepção chamada leitor

Nada polêmica, capa de revista semanal de diário americano provoca reação negativa do leitorado

Nada polêmica, capa de revista semanal de diário americano provoca reação negativa do leitorado

Acho que sou muito ingênuo, porque fiquei espantado ao saber que uma foto na capa da revista semanal do jornal St. Louis Post-Dispatch provocou forte reação negativa dos leitores.

Na capa, que reproduzi acima, um negro beija uma branca. E daí?

E daí que essa combinação ainda incomoda as pessoas. Sim, em pleno 2009.

O jornal possui um blog que discute exatamente a questão racial nos EUA. E, ali, a capa (que não tem nada de polêmica mas acabou revelando os esqueletos no armário das famílias americanas) foi objeto de um intenso fórum de discussão.

Incrível como a gente ainda se surpreende com o público que lê e avalia o nosso trabalho. Às vezes dá vontade até de desistir dele. De vez.

A Era da Conversação

O jornalista perdeu o monopólio sobre a apuração/interpretação/difusão de notícias (por sinal, direito fundamental da pessoa). Hoje, os cidadãos têm acesso aos mesmos dispositivos tecnológicos que a mídia profissional. A era da publicação pessoal provocou um processo inescapável de conversação entre imprensa _antes o filtro universal dos acontecimentos_ e seu público.

Os conceitos condensados acima foram o tema das quase oito horas do curso “A Era da Conversação”, que ministrei à nova turma de trainees da editoria de Treinamento da Folha de S.Paulo.

Não será a única discussão do povo sobre o mundo digital e as mudanças que ele impôs ao exercício do jornalismo. Pelo contrário, esses focas passarão por treinamento multimídia, experimentarão novas plataformas e possibilidades de fazer bom jornalismo, ou seja, contar uma boa história.

Os slides da aula 1

Os slides da aula 2

Roteiro de links para acompanhar a apresentação

A bibliografia do curso

O jornal entende, neste momento, que nada melhor do que o trabalho de base para começar para valer um processo de integração de suas redações em papel e na web. Trabalho árduo que supõe conquistar, no menor prazo possível, a convergência de conteúdos.

Sim, conquistar, porque só se chega à convergência depois que compreendemos, individualmente, de que forma as múltiplas plataformas estão à nossa disposição para prestar um serviço mais eficiente ao leitor/usuário e seguir praticando bom jornalismo. É pensar como o seu produto (o texto que você acabou de escrever para um jornal impresso) pode ser complementado numa tela de telefone celular, num vídeo, num bate-papo na internet, numa enquete, numa lista de discussão.

No curso conversamos bastante sobre o microblog, grata surpresa jornalística em meio à enxurrada de ferramentas e sites de redes sociais. O Twitter, seu expoente máximo, foi convertido pelos usuários num espaço basicamente informacional, extrapolando o entendimento da pergunta “O que você está fazendo agora?” que convida, inocentemente, os internautas a prová-lo.

Finalmente, debatemos a facilidade de mobilização e vigilância que o público (o nosso público) adquiriu com o avanço tecnológico.

A cereja no bolo foi assistir a um fenômeno bem diante de nossos olhos: descoberto em sala de aula, o #completeog1 movimentou a sexta-feira da internet brasileira e teve como consequência uma reação quase imediata.

Era a ex-plateia nos lembrando que, agora, é ela que está no comando.