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Radiojornalismo hipermidiático

“Radiojornalismo Hipermidiático”, de autoria de Debora Cristina Lopez, está disponível on-line.

No livro a autora, que é da Universidade Federal de Santa Maria (RS), defende que o rádio “já não é mais um meio de comunicação monomídia, mas utiliza linguagem multimídia, dispositivos multiplataforma e novos formatos para o jornalismo.”

Em sua pesquisa, Débora analisou emissoras dedicadas integralmente ao jornalismo, como CBN e BandNews.

Um passo interessante para que repensemos o verdadeiro impacto da conectividade em todas as mídias.

A ideia da convergência de Jenkins transposta para o jornalismo

Mantendo uma tradição recente do Webmanario, hoje é a vez de divulgar mais uma edição da revista Interin, elaborada pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da UTP (Universidade Tuiuti do Paraná).

O dossiê temático sobre “Comunicação e História” é bastante variado e conta com a colaboração de pesquisadores estrangeiros.

Destaco o artigo “Jornalismo Transmidiático ou Multimídia?”, de Carlos Pernisa Júnior, no qual o autor faz uma abordagem interessante sobre as possibilidades multimidiáticas usando como pano de fundo a ideia de convergência colocada por Henry Jenkins, um de meus autores prediletos.

E se o papel abandonasse qualquer tentativa de convergência com o on-line?

O decano Janio de Freitas, em sua coluna nesta semana na Folha de S.Paulo, prossegue a discussão sobre os valores do jornalismo impresso em confrontação com os do on-line usando, para isso, o caso dos vazamentos do WikiLeaks.

Janio lembra que, para ter repercussão, o site de Julian Assange precisou recorrer ao jornalismo tradicional _basicamente o que escrevemos por aqui há algumas semanas.

Só que ele vai além, dando a entender que o papel deveria prescindir de qualquer tentativa de convergência com a plataforma mais rápida e de menor limitação física (caminho cuja trilha, inevitável, já começou).

“Você já reparou em uns pequeninos registros, colocados ao pé de textos, com os dizeres ‘Se quiser ler mais sobre este assunto, veja’ (segue-se o endereço do jornal na internet)? Quase nenhum espaço ocupado com isso. Mas diz muito. É o jornalismo impresso abrindo mão da sua função e transferindo-a à internet que tanto o atemoriza, e que nada lhe pediu. O leitor, que pagou pelo jornal, deve se virar como puder, para ter o complemento de informação pela qual entregou seu dinheirinho. A sonegação de tantas partes em variados assuntos, claro, não terá a correspondência de corte algum no preço do exemplar.”

Isso sim dá pano para uma longa discussão…

A face moderna das notícias

O veterano jornalista inglês Richard Ingrams, 73, fez uma visita à redação do Telegraph registrada pela BBC em áudio.

“Ah, quer dizer que não se fuma mais, mas se bebe?”, pergunta ele, criador de algumas das mais importantes revistas humorísticas do país.

Ingrams notou ainda que o Telegraph tem poucos livros, muitas mulheres trabalhando e bastante silêncio _aliás, presenciei recentemente dois episódios em que pessoas pediam “silêncio” na redação, o que é um absurdo completo (quem quer silêncio em jornalismo tem de trabalhar em assessoria de imprensa de hospital).

A não perder, como diria o António Granado, quem descobriu essa pérola e cujo Ponto Média completou 10 anos. Parabéns.

Diários Secretos: uma saudação ao bom jornalismo convergente

Imperdoável não falar do Grande Prêmio da 55ª edição do Esso, lauréu que os jornalistas mais dão valor, merecidamente conquistado pelos colegas Katia Brembatti, Karlos Kohlbach, James Alberti e Gabriel Tabatcheik, da Gazeta do Povo, de Curitiba.

Por dois anos, e fora da pauta (ou seja, cuidando apenas disso), eles vasculharam o diário oficial da Assembleia do Paraná (um calhamaço de 724 volumes publicados entre 1998 e 2009), até então mantidos em sigilo _ainda há, registre-se, atos secretos que nem a reportagem conseguiu desvendar.

O trabalho, batizado de Diários Secretos, não só revelou um esquema de contratação de funcionários-fantasma e desvio de dinheiro estimado em R$ 100 milhões como foi o estopim de um movimento da sociedade civil, O Paraná que Queremos, que mobilizou milhares de pessoas em junho deste ano em 13 manifestações públicas nas principais cidades do Estado.

Não é só isso: além de o conteúdo dos diários estar disponível para consulta pública, o leitor pôde (ainda pode, na realidade) ajudar os repórteres dando pistas sobre o que sabiam.

Ótima convergência entre jornalismo em papel e a plataforma on-line, com pitada de crowdsourcing. Tudo bem moderno, e ao mesmo tempo, absolutamente antigo: jornalismo, hoje, se faz assim.

Henry Jenkins fala

Uma entrevista do professor Henry Jenkins a Vinicius Navarro (PDF em inglês com versão em português) vale o esforço, aproveitando que vem mais feriado por aí.

Fala-se, claro, de convergência, mas de narrativas transmidiáticas, iniciativas pedagógicas, cinema, direitos autorais, participação e cultura de massa.

Integrar ou desintegrar?

Há uma pergunta para a qual poucos possuem a reposta: afinal, é melhor juntar ou separar as redações papel e on-line?

Nesta semana, o USA Today, jornal que incutiu o conceito de entretenimento e TV no papel, anunciou a separação de corpos de sua equipe após cinco anos.

Claramente o timing e a sincronização são problemas graves quando se pretende unir plataformas tão distintas.

É possível, mas é necessário entender que só a lógica reversa, ou seja, pensar primeiro o on-line, e depois adaptá-lo ao impresso, é o caminho mais fácil para permitir que ambos caminhem juntos.

A integração é o objetivo final de um processo de convergência.

Explico: preciso de muito mais tempo para fazer virar algum projeto on-line. Logo, se ele capitanear a pauta, a chance de conseguir coisas bacanas juntos passa a ser crível _a adaptação às páginas do jornal é muito mais fácil.

Este vídeo mostra como meios de Argentina e Espanha estão se virando nesse aspecto.

E eu volto ao assunto na semana que vem, para dizer como se dá o processo em Poder, o caderno de política da Folha de S.Paulo.

Lições de integração do Guardian

Alan Rusbridger, diretor do Guardian (provavelmente o jornal que melhor entendeu a necessidade da convergência entre papel e on-line), deu uma belíssima entrevista ao El Pais.

Nela, lamenta que tenha menosprezado o poder do Twitter e defende uma web aberta e colaborativa _até como antídoto ao altíssimo custo do jornalismo investigativo de qualidade.

Comandado por Rusbridger, o processo de integração do jornal britânico começou na marra (seus jornalistas foram obrigados a abrir contas em redes sociais e a interagir com os leitores). Não é uma prática recomendável (o engajamento dos entusiastas e o convencimento paulatino dos demais, na minha opinião, é mais eficiente).

Mas deu certo: o Guardian é um belo exemplo de como fazer.

A convergência de mídias agora já vem original, de fábrica

A convergência de suportes agora já está vindo de fábrica. Nesta semana, o UOL anunciou uma parceria com a empresa sul-coreana LG para o desenvolvimento de conteúdo específico. Até aí, nenhuma novidade.

O bacana da história vem agora: “Textos, vídeos e fotos das estações Notícias, Entretenimento e Esportes, além de uma home page do portal UOL editada especificamente para esse canal, estão disponíveis na nova geração de aparelhos da LG, que possuem acesso à web”, informou o portal.

O interessante dessa convergência TV-Web é que o UOL participou diretamente do desenvolvimento de peças para a plataforma, ou seja, não se trata de mera transposição de meios.

Júlio Duram, diretor de Interface do UOL, explica que houve, por exemplo, estudo de usabilidade para que a apresentação do conteúdo ficasse adequado numa tela bem maior do que a do computador.

“A convergência entre os meios de comunicação era inevitável. A agilidade na circulação das informações acontece graças à internet e, hoje, ninguém quer esperar para receber as notícias se existem meios de acessá-la em tempo real. Entramos na era do sofá, onde os usuários podem se conectar entre um programa e outro sem ter de levantar e pegar seu notebook. Basta um click no controle remoto, o que muda a maneira de olhar para os aparelhos de TV”, afirma Duram.

As novidades, em nosso meio, não param…

A redação mais cara do mundo

Um vídeo que só pode ser publicitário mostra aparentemente dois editores comandando uma rede de correspondentes conectados e até uma editoria “sem fio” (para assuntos mobile) numa cobertura sobre caos aéreo global.

Difícil fazer uma estimativa, ainda que grosseira, de quanto custaria uma redação tão diligente e com tanto apoio alhures.

Fato é que essa redação ficcional certamente seria a mais cara do mundo. Mas que eles trabalham bem, não há dúvida.

ATUALIZAÇÃO: o Gilson Pôrto Jr. avisa nos comentários que já expandiu a informação sobre o vídeo, o que ele representa e mais: que talvez uma redação assim não seja tão cara, ou melhor, que seu trabalho seja vendido a um preço bastante alto, bancando sua onipresença.