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Em 2012, leitores serão tratados como consumidores

Clay Shirky, uma dos analistas mais importantes da era da publicação pessoal e mobilização, agora escreve sobre a possibilidade deste 2012 (que já entra em seu segundo mês…) marcar definitivamente o momento em que os jornais impressos passarão a tratar todo o seu conteúdo como produto, e todos os seus leitores como consumidores.

Como se trata de um mercado que deixou de ser de massa, a estratégia aqui passa por políticas de recompensa de leitores fiéis – aqueles que não abrem mão do produto jornal.

Não deixe de ler.

Mais uma foto manipulada, mas a culpa é do jornalismo participativo?

Quando acontece mais um caso de foto enviada pelo público que, no final das contas, era manipulada, surgem os arautos que enxergam no jornalismo colaborativo o apocalipse.

Quando sabemos que fotógrafos profissionais não se cansam se recorrer aos mesmos métodos, esse furor todo faz água.

A colaboração, o nome já diz, é uma via de mão dupla. Ambos, profissional e amador, têm responsabilidade sobre o conteúdo – mas a culpa, ora a culpa, será sempre da imprensa formal, a quem não faltam técnicas de checagem.

De novo, a importância da curadoria de conteúdo

De Arianna Huffington, em entrevista ao Globo, sobre a importância do conteúdo jornalístico num mundo cada vez mais voltado para as redes sociais e seus “jornais pessoais”.

“Com o tempo, as pessoas reduzem a quantidade de sites que elas frequentam com alguma regularidade. Nos Estados Unidos, não são mais que 20 sites. Então, as pessoas querem o que eu chamo de curadoria, ou seja, querem um conteúdo editado, selecionado. O aspecto social é tão importante quanto a edição à medida que as pessoas vão se acostumando ao ambiente da internet.”

É isso: a massa de mídias e o overload informativo só aumentarão a importância do trabalho jornalístico profissional.

Armadilhas da colaboração na rede

Investigação jornalística. É essa receita de Julien Pain para evitar que falsas notícias acabem indo parar nas páginas do Observers, site colaborativo francês.

Chato, mas sempre tem alguém usando o jornalismo participativo para tentar trapacear, seja enviando uma foto não original ou, ainda pior, um relato fraudulento.

No caso de quem trabalha no dia a dia com mídia social, monitorar o que as pessoas estão dizendo na rede pode significar minutos preciosos na antecipação de um acontecimento _desde, claro, que ele seja verídico.

Identificar o autor da informação, contextualizá-la e organizá-la são algumas dicas da Slate francesa para evitar barrigas vindas das redes sociais.

Outro aspecto bacana é o técnico: descobrir informações sobre imagens postadas (e isso não é muito difícil mesmo sem ferramentas pagas) pode, por exemplo, revelar uma data que inviabilizaria a associação com uma determinada notícia.

Internet, velocidade e controles de qualidade

A internet não será um bom lugar para praticar o jornalismo até que existam controles editorais de qualidade.

O debate entre David Simon e Aaron Sorkin, roteiristas de séries e filmes de sucessos como The Wire ou A Rede Social, foi um dos pontos altos da semana passada em Cannes (a cidade francesa abrigou mais uma edição do festival de criação publicitária).

A conversa era sobre produção de conteúdo e, tenho de deixar claro, discordo da sentença que abre este texto, citada no papo.

Não existe lugar bom ou ruim para praticar o jornalismo, ele está posto, e em todas as fronteiras.

Simon (ex-jornalista) foi o mais crítico de todos à velocidade de ferramentas como o Twitter _hoje absolutamente dominados pelo jornalismo. Ele pediu mais critérios e profundidade.

É, aquele velho problema da superficialidade e rapidez. Mas jornais impressos têm o timing de 24 horas e estão forrados de erros e informação ligeira (também faço um e sei do que falo).

Talvez a maior curiosidade da conversa tenha sido Sorkin revelar que tinha ouvido falar do Facebook “como sabia sobre um carburador” antes de adaptar o roteiro que ganharia o Oscar.

Ah, e Piers Morgan absolutamente deslumbrado com o poder de drive de audiência (para a TV) que o microblog possui.

O avanço inevitável dos aplicativos

Levantamentos nos Estados Unidos já apontam que o usuário passa mais tempo conectado a aplicativos do que propriamente à web.

Isso comprova uma detecção de meses atrás, e que sugeriu novos desafios para o jornalismo, no campo do conteúdo e também dos negócios.

É uma fronteira sem fim de novo conhecimento e potencial de distribuir o nosso trabalho.

Uma conversa sobre mídias digitais integradas

As apresentações de Michel Lent, por motivos óbvios, têm viés (e interesse) publicitário, mas não deixam de ser pertinentes para quem, como a gente, tem um cliente diferente _o consumidor de produtos noticiosos.

Nesta palestra, Lent fala sobre mídias digitais integradas, com foco na produção para a terceira tela, o celular (falando nisso, seriam os tablets a quarta tela?).

Um bom panorama do mercado brasileiro e a certeza de que o jornalismo precisa se dedicar com mais urgência a produzir para dispositivos móveis. Não estamos falando de futuro, mas de presente.

O poder das redes sociais na distribuição de conteúdo noticioso

Levantamento da eMarketer mostra o potencial da distribuição de notícias via redes sociais: nada menos do que 60% dos links compartilhados nessas plataformas remetem a esse tipo de conteúdo.

É apenas mais uma compilação que aponta para a mesma direção: que a produção jornalística precisa ser fortemente voltada para sites como Facebook e Twitter.

Uma vez me perguntaram porque os jornais competiam entre si para dar mais audiência ao Facebook. Puro desconhecimento: exibiri conteúdo lá tem um retorno, em seu próprio domínio, que muito provavelmente (em alguns casos isso já aconteceu) superará o do Google.

Uma conversa sobre a linkagem em conteúdo jornalístico

Robert Niles entrevistou o pesquisador Ronald Yaros, da Universidade de Maryland, sobre o uso do hiperlink em conteúdo jornalístico.

Yaros acabou de publicar um estudo no qual as conclusões, apesar de óbvias, são fruto de coleta e análise científica _e aí passam a valer mais.

Segundo Yaros, a linkagem adequada melhora a experiência do leitor. E qual é a forma certa de linkar? Depende do tipo de material que você vai publicar.

Há algumas regras básicas (por exemplo, evitar redudâncias do tipo “clique aqui” e, em vez\ disso, escolher palavra ou trechos que deixem claro para onde o usuário será direcionado).

Dá um pulo na entrevista lá pra entender melhor.

O desafio do 1º jornal brasileiro só para iPad

Com noticiário basicamente colhido em outros veículos, pela internet, e agências de notícias que pululam na própria rede, que diferencial poderia ter o jornal Brasil 247 (os números significam as 24 horas do dia, sete dias por semana), o primeiro veículo brasileiro exclusivo para iPad?

Comandada pelos jornalistas Leonardo Attuch e Joaquim Castanheira e a reboque de um investimento de R$ 4 milhões, a publicação terá um árduo trabalho em busca de uma identidade única que a faça ser desejada (e baixada) pelos leitores.

É, diga-se de passagem, o grande desafio do jornalismo atual em meio ao oceano de informação.