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Mais uma foto manipulada, mas a culpa é do jornalismo participativo?

Quando acontece mais um caso de foto enviada pelo público que, no final das contas, era manipulada, surgem os arautos que enxergam no jornalismo colaborativo o apocalipse.

Quando sabemos que fotógrafos profissionais não se cansam se recorrer aos mesmos métodos, esse furor todo faz água.

A colaboração, o nome já diz, é uma via de mão dupla. Ambos, profissional e amador, têm responsabilidade sobre o conteúdo – mas a culpa, ora a culpa, será sempre da imprensa formal, a quem não faltam técnicas de checagem.

Um livro escrito a várias mãos na rede

Um livro colaborativo sobre jornalismo de dados está sendo escrito a várias mãos.

A previsão é que a obra, que em poucos dias já tem mais de 60 páginas, seja concluída até o final do ano.

Alguém aí se habilita?

(a dica é de António Granado).

Após quase três anos, enciclopédia colaborativa chega à metade do trabalho

Em março de 2008 falei sobre o lançamento da Encyclopedia of Life, que tinha como objetivo inventariar as 1,8 milhão de espécies conhecidas no planeta num trabalho baseado em colaboração – a inteligência coletiva de verdade.

Pois bem, dois anos e meio depois, já são 752.996 seres descritos no site graças à cooperação de 52.825 pessoas que se associaram sem fins lucrativos ao projeto.

Ainda há muito a fazer, mas histórias como as da enciclopédia da vida mostram que estamos no caminho certo ao sugerir o engajamento para o bem comum.

Um dado mínimo para ilustrar isso é a própria Wikipedia: se passamos 10% de nossas vidas vendo TV, com apenas 1% deste tempo foi possível construir o inacreditável sonho de Jimmy Wales.

Armadilhas da colaboração na rede

Investigação jornalística. É essa receita de Julien Pain para evitar que falsas notícias acabem indo parar nas páginas do Observers, site colaborativo francês.

Chato, mas sempre tem alguém usando o jornalismo participativo para tentar trapacear, seja enviando uma foto não original ou, ainda pior, um relato fraudulento.

No caso de quem trabalha no dia a dia com mídia social, monitorar o que as pessoas estão dizendo na rede pode significar minutos preciosos na antecipação de um acontecimento _desde, claro, que ele seja verídico.

Identificar o autor da informação, contextualizá-la e organizá-la são algumas dicas da Slate francesa para evitar barrigas vindas das redes sociais.

Outro aspecto bacana é o técnico: descobrir informações sobre imagens postadas (e isso não é muito difícil mesmo sem ferramentas pagas) pode, por exemplo, revelar uma data que inviabilizaria a associação com uma determinada notícia.

Quanto custa um site?

Quais variáveis influenciam no custo final de um site? Definir esse custo é um drama.

Uma página colaborativa procura justamente reunir esse material para ajudar no trabalho de orçar a construção de um endereço na web.

(via Braimstorm9).

NYT volta a investir em colaboração e crowdsourcing


Com o beta620, o New York Times reforça sua aposta no caráter colaborativo das comunidades da web.

A ideia agora é incentivar o usuário a sugerir novos produtos e participar do desenvolvimento das ideias on-line do jornalão _afinal, aplicativos na rede não servem exatamente para o que achamos que eles servem, mas para o que os usuários dizem que serve.

Registre-se que a iniciativa do NYT (que há bastante tempo vem tomando medidas para reforçar a participação de seus usuários, especialmente no quesito mashups _criar formas de disponibilizar dados tornados públicos pelo próprio jornal) não é inédita: o Boston Globe tem um produto semelhante.

Pode ser apenas mais um doce no caldeirão da colaboração? Sim, mas é melhor do que nada.

WikiLeaks e Napster, um paralelo

O jornalista português Paulo Querido compara WikiLeaks e o Napster, uma provocação pertinente.

“A única forma de parar alguma coisa nela [a Internet] é desligá-la”, diz. É quase um mantra do sociólogo espanhol Manuel Castells.

O Paulo destaca ainda a “organização horizontal e reticular” da colaboração em massa na rede.

É exatamente isso que está mudando relações humanas e, possivelmente, a própria cabeça das pessoas. É essa a tal revolução de que tanto falam.

ATUALIZAÇÃO: Pedro Doria, em seu blog, também faz a mesma comparação.

O fim da fronteira entre mídia e audiência

Como 20 anos de comunicação digital acabaram com a fronteira entre mídia e audiência?

É o que repassa este texto, dividido em três partes e bastante completo.

Profissionais e amadores se juntam e criam novo produto jornalístico

Nasceu, no Canadá, uma nova iniciativa de cooperação jornalística pro-am (ou seja, entre profissionais e amadores). O OpenFile nasce com a proposta de “criar uma conversação vibrante e em constante evolução entre criadores, agregadores e leitores de notícias”.

O projeto bebe um pouco no Spot.us, sobre o qual já falamos longamente aqui. Basicamente, leitores sugerem pautas que, depois, são repassadas a freelancers.

Diferentemente de sua fonte de inspiração, que vive de contribuições do próprio público, o OpenFile será mantido via receita publicitária (aposta arrojada nos dias de hoje, onde nem mesmo veículos de marcas importantes conseguem se sustentar desta forma na web).

A ver.

Crowdsourcing e jornalismo de raiz em debate

Dan Gillmor aparece, num post de blog do Guardian, defendendo o crowdsourcing _outra novidade do jornalismo nos tempos da alta tecnologia.Para quem sabe, Gillmor é uma espécie de pai do “jornalismo de raiz”, ou seja, aquele que independe do jornalista profissional para acontecer.

O ponto do texto era debater dois aspectos do trabalho produzido pela ex-plateia, hoje também protagonista do processo de apuração/relato (e análise)/difusão de notícias: credibilidade do material e envolvimento do público DURANTE a confecção de uma reportagem, não depois, para que ele apenas bata palmas

“O mosaico será sempre verdadeiro, ainda que alguns pixels sejam falsos”, diz que Gillmor, que em 2004 preconizou o fenômeno do “uma imprensa para cada um” no livro “We, the Media“. Ele se refere, por exemplo, às inevitáveis fotos falsas que circulam durante episódios de grande comoção, como o terremoto do Haiti.

Paul Lewis, repórter do Guardian que envolve inteligentemente seus leitores em todas as suas matérias (conseguindo com isso dicas, ajuda e pistas importantes para incrementar suas reportagens), fala sobre o segundo ponto. Ele é um dos que ajudam a acabar com essa baboseira, que circula nas redações, que recorrer ao crowdsourcing é entregar o ouro para o bandido, ou seja, a concorrência.

“Pensa bem: quem é a concorrência? Você tem mais a ganhar do que a perder [recorrendo ao público e compartilhando informação com ele]“, diz. O custo para isso, porém, é bastante alto. É por isso que dá pena ver jornalistas profissionais adentrarem determinadas comunidades que jamais frequentaram, disparando perguntas que ajudem a resolver um problema (dele), normalmente a incapacidade em localizar possíveis entrevistados.

Isso é tão frequente como desastroso. O crowdsourcing terá mais qualidade e credibilidade em razão diretamente proporcional à maneira como o jornalista constrói sua rede de relacionamentos on-line.

É preciso trabalhar duro para ter uma comunidade de verdade e dedicada: oferecer bons serviços a ela, escutá-la, fazer reportagens que atendam seus interesses e provar que se está aberto à conversação é o mínimo. Sair pedindo ajuda a ilustres deconhecidos, em geral, só faz água.

É nesse ambiente que surge a boa colaboração entre público e jornalista.