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Por economia, jornal abre mão de agência de notícias

O uso do conteúdo de agência de notícias sempre foi uma forma de jornais pequenos garantirem o fechamento de suas páginas, ainda que com material pasteurizado, não personalizado, produzido em série.

Há milhares de publicações no mundo que simplesmente não ficariam prontas diariamente não fossem os despachos de Associated Press, Reuters, France Presse e EFE, apenas para citar as quatro mais importantes.

Agora, estes mesmos jornais estão simplesmente cancelando seus contratos com as agências. É um novo sintoma da crise no jornalismo impresso nos Estados Unidos.

Foi o caso do gratuito Metro, que nos EUA publica edições em Nova York, Boston e Filadélfia e abriu mão do acordo com AP, que manda neste mercado no país. Na lógica da operação, o futuro da publicação está diretamente ligado a sua capacidade de produzir conteúdo original _ainda que a redação, minúscula (no ano passado, com queda de 30% no faturamento publicitário, 27 pessoas foram demitidas).

O Metro americano seguirá utilizando matérias de mais de 100 edições da empresa pelo mundo (inclusive o Brasil), além de conteúdo de Reuters e Bloomberg.

A morte de Fidel: a matéria de gaveta mais célebre de Miami

Não são apenas fogos de artíficio, armazenados por ansiosos exilados cubanos, que estão cuidadosamente guardados em Miami. O obituário de Fidel Castro também.

É o que revela um dos mais experientes editores do jornal The Miami Herald, Manny Garcia. “Aqui no jornal, Fidel Castro equivale a uma pedra no rim: uma dor constante que parece nunca acabar, e que você reza para ir embora”, relata.

Outro editor do jornal, Tom Fiedler, diz que os planos para a cobertura da morte do líder da Revolução Cubana, de 82 anos, remontam à década de 90 e “são mais detalhados do que o plano americano para a invasão do Iraque”.

Não é só lá. Todo jornal minimamente planejado tem pelo menos um caderno especial já pronto sobre a vida e a obra (contestadas, ambas) de Castro. É assim com todas as personalidades relevantes cuja morte não seria exatamente uma surpresa.

É, talvez, o aspecto da profissão que mais choque os estudantes de jornalismo. “Como assim, você torce para alguém morrer?”

Não é torcer, mas estar preparado _planejamento é tudo para o sucesso de uma cobertura jornalística (só não digo que é condição sine qua non porque já participei de coberturas catastróficas do ponto de vista organizacional que, no final das contas, e por vários outros elementos, acabaram dando certo).

Lembrei de dois casos em que o “planejamento” acabou sendo revelado, inadvertidamente, aos leitores: o caso do UOL, que “matou” o ex-governador Mário Covas dois anos antes da hora, e o recente vacilo da Bloomberg, que colocou no ar por instantes o obituário de Steve Jobs, da Apple.

São as agruras do jornalismo.