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Presidente 40

Blog da editoria Poder da Folha de S.Paulo que ajudo a fazer.

Recém-nascido, ainda sem blogroll, por exemplo.

E, por vários outros motivos, criticado pela ombudsman do jornal, Suzana Singer.

O que você vai fazer amanhã às 12h?

O New York Times (via o maravilhoso blog fotográfico Lens) convida o mundo a enviar fotos tiradas às 12h (de Brasília) deste domingo e colaborar no que foi batizado (marqueteiramente) como um grande mosaico global, numa tradução livre.

Há temas sugeridos para quem quiser participar: religião, jogos, meio ambiente, família, trabalho, cultura, economia, cidade, assistência social.

É amanhã, às 12h.

Nem cito aqui pelo participar (o crowdsourcing, vindo de quem pouco fez por mim, tem pouco apelo). Mas acho que ver o resultado final é quase uma obrigação.

Futuro do jornalismo investigativo preocupa Bill Gates

Bill Gates, quem diria, está extremamente preocupado com o futuro do jornalismo. Do jornalismo formal, por assim dizer, já que ele apenas recentemente aderiu às redes sociais _e onde também se faz jornalismo, apesar que em boa medida replicando o mainstream.

Numa entrevista ao San Francisco Chronicle, o criador da Microsoft bateu na tecla da preocupante redução de investimento em reportagens investigativas, especialmente de temas “que o público não gosta tanto, como a saúde global”.

Leitor inveterado de jornais, Gates diz que a blogosfera não irá substituir os grandes grupos de mídia, que teriam a obrigação moral de acompanhar de perto temas relevantes para a humanidade.

Na mesma entrevista, Gates fala bastante sobre redes sociais. Vale a pena dar uma olhada.

‘Se um dia você duvidar do valor dos editores de jornais, olhe para a blogosfera’

“Há uma arte no que vocês fazem. E se um dia vocês duvidarem do valor dos editores de jornais, olhem para a blogosfera. É tudo o que vocês precisam ver.”

A frase é de Eric Schmidt, CEO do Google, em mais um dos inúmeros encontros com editores de jornais. E foi encarada como uma pitada de ironia.

A questão é: contra blogueiros ou contra jornalistas?

Cada vez mais blogueiros se autointitulam jornalistas

Já falamos várias vezes aqui que blog e jornalismo não são a mesma a coisa. Claro, há blogs jornalísticos, mas o simples ato de blogar não significa que se está desempenhando a profissão.

Na semana passada saiu uma pesquisa nos EUA segundo a qual 52% dos blogueiros se consideram jornalistas (um impressionante incremento com relação ao mesmo levantamento de um ano antes, cuja resposta positiva a essa pergunta bateu em 33%). Sem conhecer o conteúdo destes blogs, fica difícil dizer se o pessoal está viajando.

Mas é evidente, e como eu sempre digo, que a tarefa de apurar/analisar/difundir informação é direito fundamental da pessoa. Logo, talvez em algum momento mesmo um blogueiro que conduza um diário pessoal clássico faça jornalismo.

Sempre vai depender do conteúdo.

Nova York credencia jornalistas ‘eventuais’

A decisão do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, de credenciar jornalistas independentes para ingressar em repartições e eventos promovidos sob a tutela do município é excelente do ponto de vista de democratização da informação.

Abrir portas para iniciativas individuais é reconhecer que o ato de apurar/analisar/difundir informação é direito fundamental da pessoa, um velho mantra deste site.

A credencial de NY tem uma condição: o postulante precisa provar que cobriu, nos últimos dois anos, ao menos seis eventos. Ou seja, tem de ter a partir de 730 dias de sanha jornalística nas veia (apesar de, na média, a exigência corresponder a três por coberturas por ano _um luxo para quem camela nas redações).

No meio acadêmico brasileiro, já houve quem levantasse a voz questionando o porquê de blogueiros receberem o “status de profissionais diplomados”.

Eu sigo questionando por que motivo um diplomado em jornalismo é, necessariamente, melhor do que uma pessoa qualquer relatando/analisando/apurando um acontecimento.

Não há embate entre blog e jornalismo, entre on-line e jornalismo, entre cidadão e jornalismo. Jornalismo todos nós fazemos todos os dias, e desde sempre. As facilidades trazidas pela tecnologia é que evidenciaram esse processo.

Pesquisas escancaram mudança no modus operandi jornalístico

O Newspaper Death Watch chama a atenção para o fato de que três pesquisas quase simultâneas sinalizem claramente mudanças profundas no modus operandi jornalístico tradicional.

Apesar de serem 100% americanas, todas trazem dados que provavelmente, transpostos a um cenário global, corresponderiam à realidade.

A primeira aponta que sete em dez jornalistas estão usando sites de redes sociais para apuração e reportagem, 28% a mais do que aferido no ano passado.

Na mesma linha de mídia alternativa e jornalismo cidadão, outra sondagem descobriu que 90% dos jornalistas consultam blogs para procurar pautas.

A última, no nicho do “sei como se faz linguiça“, indica que 59% dos sites de revistas generalistas dos Estados Unidos estão na categoria “não são editadas e suas informações checadas como se faz na edição impressa” ou simplesmente “não são editadas nem checadas”.

História que se repete: recicle o calendário a cada 28 anos

Essa é da série Boas Ideias: sabia que a cada 28 anos o calendário gregoriano se repete? Então 2010 corresponde exatamente a 1982 _ano marcado pela performance da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo da Espanha. O time perdeu, mas ficou lembrado como um exemplo de excelência que deu azar (este ano tem Copa, e a final será exatamente em 11 de julho, como há 28 anos).

Para incentivar a reciclagem e o consumo responsável, uma ONG da Itália distribuiu calendários de 1982 “revalidados”. Evidente, a custa de mais papel. Mas a mensagem é ótima.

Uma sacada bacana que poderia até dar pauta jornalística: comparar aquela sequência de dias à atual. Quando se tinha ainda menos consciência ecológica, e futebol mais tosco porém revestido, anos depois, de glamour cult.

O Viu Isso viu isso primeiro.

Blogar serve para que?

Blogar saiu de moda, e faz algum tempo eu falava exatamente sobre os “diários pessoais” na web com o professor André Rosa (o Marmota, na blogosfera), um precursor desta plataforma.

Assim, conversamos sobre as mudanças que o avanço tecnológico trouxe para a profissão. Rosa (que ministra cursos ligados à web no Comunique-se) é definitivo: o desdém pelas novas mídias está deixando para trás os jornalistas que não querem se ocupar delas.

Você é uma das primeiras pessoas de meu entorno a “ter um blog”, isso deve ter sido em 2000, um pouco depois da pré-história. O que você acreditava que faria na época com aquela ferramenta e como enxerga a transformação pela qual passou o relato cotidiano em ordem cronológica reversa, que já foi até padrão em home page de site noticioso importante?
Foi em 2002, já na “idade da pedra polida”. Já naquela época, duas coisas me chamaram atenção. A primeira: não vou precisar mexer em códigos HTML e FTP num serviço de hospedagem gratuito para atualizar um site. A segunda: podia usar este espaço como “válvula de escape”, para textos que não tinha razão de escrever onde trabalhava. Com o tempo, percebi que esta facilidade em publicar trouxe outros objetivos à baila, desde a busca por reputação (técnica, literária, entre outros temas…) até a tal “monetização”. Com outros impactos visíveis, como empresas perdendo dinheiro diante de comentários maldosos de consumidores na rede, o blog definitivamente deixou de ser visto como “diário virtual”. Ainda sobre essa transformação, dá pra enxergar uma curva, quase como uma parábola: um início de descobertas, uma explosão até o auge e, finalmente, uma queda no volume de usuários, passada a euforia. Agora, quem ainda mantém blogs são aqueles que ainda os consideram úteis. E é curioso como este mesmo ciclo está acontecendo agora com o Twitter, não? E vai se repetir com a próxima tecnologia que irá mobilizar um grande número de usuários no futuro, graças a sua facilidade…

O jornalista é, antes de tudo, um teimoso? Essa coisa de “eu conheço quem sabe” nos dá um incremento exponencial no muxoxo ao contato com novas tecnologias, como se pudéssemos recuperar o tempo perdido no período de uma ligação para algum guru de mídia?
Quanto a teimosia, não tenho dúvidas! Mas não sei ao certo se isso reflete na relação dos jornalistas com tecnologias. Tanto é que muitos profissionais pioneiros na web tiveram que lidar com provedores de conexão discada, servidores de hospedagem, scripts gratuitos, entre outras “gambiarras” capazes de resolver problemas como narrações ao vivo, fóruns de debates, chats com convidados… Entre outras coisas que hoje são indispensáveis em qualquer cobertura. Por um lado, é evidente que nem todo jornalista precisa entender todas as tecnologias, e historicamente isso nunca foi um “problema” – quem trabalha em jornal terá mais dificuldades para lidar com TV, por exemplo. Agora, optar pelo desdém da rede neste cenário implica outro ônus, que vai além do simples uso das ferramentas: entender a mudança de lógica, que está mexendo com a profissão. Talvez isso não se resolva com um telefonema (ou e-mail) a um especialista.

O que o avanço da tecnologia fez com o jornalismo que nós ainda não percebemos claramente? Digo, quais devem ser nossas prioridades num mundo em que pessoas, instituições e governos conversam entre si, sem a nossa mediação?
Essa é a pergunta do milhão, Alec. Tem um paper do Nic Newman que traz um balanço interessante do movimento das mídias sociais, ressaltando as eleições do Irã como um desses exemplos a serem analisados com calma. Esse mesmo documento traz uma observação óbvia, mas que ultimamente anda me incomodando um pouco. Ele lembra que, nos últimos 15 anos, tivemos três fases distintas envolvendo ferramentas de publicação e seu uso pelo mainstream, especialmente os sites de notícia: os quadros de aviso num primeiro momento; os blogs num segundo; e finalmente os sites de relacionamento e outras ferramentas, como Twitter, Facebook. E estas fases se sobrepõem, o que representa um volume sem precedentes na participação das pessoas, dentro ou fora destes sites de notícia. O que ainda não percebemos claramente é de que forma essa profusão de mensagens, muitas vezes fragmentadas, repetitivas ou mesmo irrelevantes, poderão fazer sentido. O desafio do jornalista não está apenas em filtrar e encadear estas mensagens – como muitos já sugerem, tornar o profissional um “gatekeeper” constante – mas em desenvolver um ambiente que represente uma “quarta fase”, dentro desta linha sugerida pelo Nic Newman. Meu palpite é a de que, para isso, serão priorizadas questões como a própria relevância destas participações. Mas é só um palpite, lógico.

Qual o destino dos blogs, simplesmente acabar?

Qual o futuro dos blogs? É uma discussão importante, especialmente num momento em que as redes sociais estão, em boa medida, tomando o lugar dos diários pessoais e inserindo a conversação num aspecto verdadeiramente público e de duas mãos.

A conversa foi um dos temas centrais do World Blogging Forum, encontro realizado na segunda quinzena de novembro em Bucareste (Romênia).

Três conclusões básicas: os blogs, em sua maioria, não serão rentáveis; os governos e o poder político entrarão com força total nessa seara tentando utilizar a plataforma em seu benefício; e as redes sociais, com o Twitter na linha de frente, representarão uma ameaça à relevância da ferramenta.

Esta última, aliás, já se nota: há tempos os comentários se mudaram dos blogs para as redes sociais, O público discute em tempo real as observações/divagações dos blogueiros, sem precisar passar pela moderação no próprio blog gerador do conteúdo.

A blogagem em países não democráticos, porém, tende a manter sua importância especialmente na esfera externa, onde o resto da informação é blindada e nunca chega, ou demora muitíssimo a chegar.

Quem nos conta esse relato é Darío Gallo, editor geral do noticioso argentino Perfil.com.