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Jornal publica anúncio classificado que sugere o assassinato de Obama

Perdido no meio dos classificados, o insano anúncio que liga Obama aos quatro presidentes norte-americanos assassinados

Perdido no meio dos classificados, o insano anúncio que liga Obama aos quatro presidentes norte-americanos assassinados

Apesar do péssimo gosto da brincadeira, essa vai entrar para a história: o jornal Times-Observer, da cidade de Warren (Pensilvânia), publicou em sua edição de anteontem um anúncio classificado que sugere o assassinato do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

“Obama pode seguir os passos de Lincoln, Garfield, McKinley e Kennedy”, dizia o pequeno tijolinho de uma coluna por três centímetros de altura. Como se sabe, Lincoln, Garfield, McKinley e Kennedy foram mandatários norte-americanos assassinados no exercício do mandato.

John Elchert, editor do jornal, diz que o anúncio foi pago para circular por três dias, mas sua publicação foi suspensa após “descoberto” na quinta-feira. O jornal ainda divulgou uma retratação.

“O leitor que faz isso com a imprensa é um infeliz”, afirmou Elchert, esclarecendo que o funcionário que aceitou o anúncio não foi demitido porque não soube relacionar os sobrenomes aos dos presidentes mortos.

O jornal diz que o anúncio custou cerca de US$ 30 e que não possui nenhuma informação sobre quem o mandou publicar.

O descuido do Times-Observer levou policiais do FBI à pacata Warren (que tem cerca de 12 mil habitantes). Eles estariam investigando o caso.

Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?

A Argentina ficou na mão

De verdade, há umas coisas no noticiário que deixam a gente constrangido, triste, estranho.

E quem está a falar é alguém que sempre diz que jornalista tem uma pedra no lugar do coração e que não deve reagir emocionalmente ao apurar, decupar e analisar acontecimentos.

Mas eu desmenti toda minha teoria repetida há milênios ao ver a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, com a mão estendida em vão enquanto seu similar norte-americano, Barack Obama, passava solerte para cumprimentar Stephen Harper, primeiro-ministro do Canadá, durante a cúpula do G20. Justo Cristina, que chegou antes para guardar o melhor lugar.

Vendo a cena mil vezes, até tento criar a hipótese de que a mandatária argentina percebeu a situação e,   com a mão cerrada (gesto pouco típico do aperto de mão), preparou-se mesmo apenas para tocar o   presidente dos Estados Unidos.

Deu dó. E ocorreu apenas dois dias depois da histórica surra que a Argentina de Maradona levou da Bolívia (1 a 6),   placar que igualou a pior derrota da vida do selecionado argentino (os mesmos 1 a 6 para a  Tchecoslováquia na Copa da Suécia-58).

Mas… e se a hipótese do “tapinha nas costas” estiver correta?

Coletiva on-line de Obama reúne 64 mil internautas

Cerca de 64 mil pessoas participaram ao vivo da primeira entrevista coletiva de um presidente dos Estados Unidos na internet, hoje. A ênfase foi em economia, mas houve perguntas também sobre educação e saúde.

As perguntas foram feitas por 92.932 cidadãos, e as 104.096 questões formuladas, votadas e hierarquizadas por 3.606.272 internautas. O presidente respondeu apenas às indagações mais escolhidas pelo público.

O formato adotado só é novo no uso da web: o “town hall”, que originalmente é o encontro do governante com o governado, é até uma tradição nos EUA.

Eu, que tanto critiquei o começo da gestão eletrônica de Obama, não posso deixar de registrar esse exemplo de conversação com o público que deveria ser repetido e adotado pelos demais governantes.

“Eu prometi abrir a Casa Branca a vocês e é isso que estou fazendo hoje”, disse Obama antes da sabatina.

Mais um passo em falso do presidente bossa-nova

Eu já vinha avisando há tempos, desde antes da posse, durante e depois: a propalada “cabeça 2.0″ de Barack Obama e equipe não era estratégia de governo, mas de campanha.

Tanto é assim que já existe, nos sites de redes sociais, mobilização por doações à chapa Obama-Biden para 2012. Entrementes, os canais oficiais do presidente Obama na Web estão pra lá de abandonados.

Agora Tiago Dória conta a estocada da Casa Branca ao You Tube _depois de relegar o microblog ao último plano. Diz -se que, “por segurança nacional”, expor os pronunciamentos oficiais do presidente num site público (com as devidas estatísticas de audiência, por exemplo) não é recomendável.

Tudo bem, mas e compartilhar os textos, vídeos e áudios que milhares de americanos, por dias a fio, encaminharam para a página supostamente 2.0 do novo presidente? Nada. Essa comunicação tem mão única. E reforça o caráter altamente triste de micagem na Internet.

Meu mestre mandou, eu não questiono.

O site da Casa Branca dissecado

A Smashing Magazine fez uma excelente análise do novo site da Casa Branca, cujo principal morador agora se chama Barack Obama.

O raio-x aqui é absolutamento técnico e de usabilidade (sobre a gestão on-line de Obama, eu mesmo já tinha dado alguns pitacos aqui antes, e voltarei à carga mais para diante, quando alguns processos já estiverem consolidados).

Via Contra a Clicagem Burra.

As fotos certas na ordem certa

Já me perguntaram algumas vezes o que é mais difícil, editar um bom texto (e seu conjunto, incluindo o título) ou escolher uma boa foto. Minha resposta padrão costuma ser “editar um bom texto vendido com um ótimo título e aliado a uma boa foto”.

Os jornalistas que trabalham no fechamento sabem bem do que estou falando. Os prazos para a conclusão das edições, cada vez menores, não dão muita chance para diagramar as páginas com as fotos já na mão _compatíveis, portanto, com a mensagem noticiosa e, melhor, passíveis de serem trabalhadas de forma harmoniosa na composição do design.

Nas editorias de esportes, em que se fecha via de regra 15 minutos após o encerramento das partidas, a escolha de fotos é quase aleatória. Entra a que couber no corte (às vezes entram mesmo as que não cabem) por um imposição insolúvel da etapa industrial (impressão + distribuição) que ainda fazem do jornal em papel o mais lento e atrasado produto de mídia.

Quando se consegue a combinação perfeita entre o que se diz no texto e o que se vê na imagem, sua tarefa de editor foi bem-sucedida. É o que aconteceu na edição de anteontem do espanhol El Periodico.

Há, claro, um truque genial de edição: na capa, um Obama que entra. Na contracapa, um Bush que sai. Ambas as imagens acompanhadas de um minieditorial sobre o governo que começa e o que terminou.

uma aula de edição

Contracapa e capa do espanhol El Periodico: uma aula de edição

Nada como ter agilidade e, também, tempo para refletir melhor sobre o que mostrar ao público, e de que forma. Ainda é uma vantagem de jornalismo impresso sobre qualquer outro.

O blog que não é blog

Afinal, Barack Obama começou bem ou mal sua gestão on-line?

A questão é controversa. Dave Winer, o primeiro blogueiro de que se tem notícia, reparou logo de cara que o “blog” do site da Casa Branca se apropriou indevidamente do nome: não leva o leitor a lugar algum, não coleciona coisas bacanas, não indica outros sites e, reparei agora, nem sequer é publicado na ordem cronológica inversa.

Desta forma, serve apenas para amontoar releases.

Agora há pouco o novo presidente dos EUA repetiu “por precaução” o juramento à constituição americana porque houve uma pequena gafe no juramento original, feito ontem em público, e que emocionou o mundo.

Por um acaso a informação foi distribuída em algum dos canais interativos de Obama? Não. Aliás, nem área de notícias há no site oficial da presidência. Cadê a tal da comunicação imediata tão apregoada?

Jeff Jarvis, professor da Universidade de Nova York, acha que ainda é cedo para avaliar o trabalho da equipe de Obama na web. Eu também, mas isso significa que caracterizar o recém-empossado governo como um exemplo no uso das novas tecnologias é avançar bastante o sinal.

Funcionou na campanha mas, como já falei outras vezes, há vários outros pontos ainda obscuros.

Um dia histórico

A foto oficial do 44º presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a primeira feita numa câmera digital

A foto oficial do 44º presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a primeira feita numa câmera digital

Difícil falar de outro assunto hoje, quando Barack Obama se tornará o 44º presidente dos Estados Unidos.

E seus canais de interação on-line, que andavam abandonados, voltaram com a corda toda.

O microblog oficial da posse já está a toda, dando inclusive dicas de trânsito para quem está se mobilizando em Washington.

Há ainda a opção de enviar imagens para o álbum oficial da posse e também acompanhar, via feed, notícias no Tumblr, ou o noticiário geral no Alltop.

Outra opção é acompanhar o que as pessoas estão dizendo no Twitter e, também, na blogosfera. Para ver ao vivo pela TV, a dica é o Justin.tv.

É um dia para entrar na história.

A primeira indefinição do novo presidente

Algumas coisas já podem ser ditas sobre o plano da gestão Barack Obama para o diálogo e a convergência de pessoas on-line _tática que se mostrou decisiva no pleito que conduziu o democrata ao cargo de presidente dos Estados Unidos, mas que por ora pareceu ser só isso: uma estratégia de campanha, não de governo . A posse, aliás, é nesta terça.

Este miniartigo atualiza e complementa o que eu escrevi há dez dias.

Falta de padrão, deslizes na condução de redes sociais consolidadas e bem-sucedidas e, o pior de tudo, um discurso vazio sobre como serão financiados, administrados, hierarquizados e priorizados os canais de conectividade na Web que transformaram a campanha de Obama num exemplo de multiplicação em tempos de altíssima tecnologia _e acesso à ela.

Vamos à falta de padrão: há um canal no Flickr que trata do gabinete de transição. Desatualizado, por sinal. Enquanto isso, surgiu outro, apenas sobre as cerimônias de posse. Eles não se falam, não se linkam. Claro desvio de condução de grupo em mídia social.

E o microblog? Depois que registrei que a última atualização ocorreu em 5 de novembro (um dia após a votação), eis que surgiu outra ontem, mas tirando as pessoas do canal ao sugerir que acompanhem a página oficial da posse. Onde, logicamente, há um grande destaque para o botão “doe dinheiro agora“.

Há, ainda um canal de microblog atualizado desde 28 de dezembro sem nenhuma publicidade nas outras palataformas on-line por onde o democrata desfila.

A pá de cal foi o último discurso de Obama postado no You Tube (hábito hebdomadário do futuro mandatário). Ele choveu no molhado ao ressaltar a importância da participação das pessoas. Foi um discurso quase religioso que, é evidente, recebeu crítica muito bem fundamentada.

Afinal, quais são as propostas concretas para o uso da tecnologia no 44º mandato presidencial dos Estados Unidos?

Posse de Obama provoca corrida por jornal em papel

A posse de Barack Obama, nesta terça (e mais dois dias de festas), já está sendo anunciada como uma grande data para o jornalismo cidadão.

Quem trabalha incentivando a participação dos usuários está esfregando as mãos à espera de imagens (fotos e vídeos) exclusivas dos eventos que marcaram a ascensão do primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Não é só isso: a data deverá marcar também um recorde na vendagem de jornais impressos, que andam há muito tempo em baixa no país.

Vários jornalões já preparam tiragens extras e também edições temporãs para dar conta da procura pelo jornal que, entendem muitos americanos, será histórico.

Quando Obama venceu a eleição, em novembro, faltou jornal nas bancas para atender aos interessados que, mais do que as notícias (muitas das quais já haviam lido na Web bem antes), queriam era guardar uma recordação.

Neste aspecto, o jornal em papel ainda não foi superado, né? Parece sempre que a coisa física, preto no branco, transmite uma sensação melhor para quem busca a noção histórica e contextual de eventos verdadeiramente relevantes.

Ver os fatos num papel, e não numa tela, ainda parecem reforçar sua importância.