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Como calar o Anonymous

Imagine uma cabeça decapitada, mas portando fones de ouvido. Ao lado do corpo, um teclado.

A mensagem de narcotraficantes mexicanos foi clara: blogueiros, esqueçam a “resistência paralela” ao jugo do tráfico de drogas que submete o país a níveis nunca antes vistos de violência.

O Anonymous (grupo de ciberativistas) desistiu imediatamente de penetrar nos arquivos da polícia e tornar públicos dados e nomes que fazem parte do Zetas, o maior cartel do país.

Não, a vida em rede não é dissociada da vida em carne e osso.

JFK morreu


Walter Cronkite e uma transmissão caótica, o dia do assassinato de Kennedy no Texas.

Um clássico.

Google patrocina memorial jornalístico no YouTube

A internet abriga, desde ontem, um memorial de jornalistas que morreram “perseguindo a notícia”, como o Google descreve no canal no Youtube criado em parceria com o Newseum, o museu americano da imprensa.

O projeto já nasce consistente, com várias histórias bacanas de serem lembradas.

Jornalista bom é jornalista vivo _nessas sempre me lembro de Assis Chateaubriand brifando Joel Silveira antes da partida deste para a cobertura da Segunda Guerra (“Não me morra, seu Joel, não me morra. Repórter não é pra morrer, é pra mandar notícia”).

Hoje a guerra é aqui: o maior número de baixas na profissão ocorre fora de zonas de conflito internacional, a mando de poderosos/criminosos.

As coisas mudam.

Em grandes furos de reportagem, a sorte é preponderante

Um furo de reportagem não depende só de competência e experiência. A sorte é um fator preponderante, ainda mais hoje, em que há excesso de informação circulando (e gente correndo atrás dela).

Não era assim, claro, no dia 8 de dezembro de 1980, quando o ex-Beatle John Lennon foi baleado diante de seu prédio, o célebre Dakota, em Nova York.

Levado ao pronto-socorro do hospital Roosevelt, Lennon não resistiu aos ferimentos. No mesmo local estava Alan Weiss, que era produtor da rede ABC e tinha acabado de sofrer um acidente com a moto pela qual se deslocava em NY em busca de notícias. Achou A notícia.

O áudio original da ligação de Weiss para a ABC é perturbador. O trecho traz ainda o anúncio oficial da morte, dado por um locutor durante o tradicionalíssimo Monday Night Football.

O jornalismo chapa-branca na tomada do Alemão

Eu estou simplesmente impressionado com a cobertura, notadamente das Organizações Globo, Record e revista Veja, da ação policial que culminou com a ocupação do Complexo do Alemão, até então símbolo do narcotráfico e da ausência do Estado no Rio de Janeiro.

A Globo tem um motivo particular para tornar dela o discurso oficial e transformar os agentes que participaram da operação em heróis: foi no Alemão que um de seus profissionais, o jornalista Tim Lopes, acabou sequestrado, torturado e assassinado em 2002 quando produzia uma reportagem sobre a exploração sexual, por traficantes, de meninas do morro.

Mais de um apresentador do canal se disse “pessoalmente satisfeito” com a tomada do Alemão, citando diretamente Tim.

É, evidente, um motivo menor diante do alcance (e do simbolismo) da ação coordenada da polícia e das Forças Armadas.

Ainda assim, e mesmo com um lado “bom” tão evidente, ainda acho que jornalista não deve torcer.

Essa atitude, aliás, explica porque hoje vemos tanta gente a favor de que a polícia simplesmente chegue atirando e matando pessoas.

Jornalista não tem medo de morrer

Acaba de ser traduzido para o espanhol o livro “Murder Without Borders” (Assassinato sem Fronteiras), do canadense Terry Gould.

A obra investiga os assassinatos de sete jornalistas em distintas regiões do planeta (só no ano passado, 76 colegas perderam a vida).

Sua conclusão é espetacular: porque todos eles adotaram uma atitude quase suicida ao prosseguir em suas investigações a despeito das ameaças de morte?

“Todos eles concluíram que deviam aceitar a morte como consequência de seu trabalho”, diz o autor.

Por essas e por outras me orgulho desta profissão.

Jornal publica anúncio classificado que sugere o assassinato de Obama

Perdido no meio dos classificados, o insano anúncio que liga Obama aos quatro presidentes norte-americanos assassinados

Perdido no meio dos classificados, o insano anúncio que liga Obama aos quatro presidentes norte-americanos assassinados

Apesar do péssimo gosto da brincadeira, essa vai entrar para a história: o jornal Times-Observer, da cidade de Warren (Pensilvânia), publicou em sua edição de anteontem um anúncio classificado que sugere o assassinato do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

“Obama pode seguir os passos de Lincoln, Garfield, McKinley e Kennedy”, dizia o pequeno tijolinho de uma coluna por três centímetros de altura. Como se sabe, Lincoln, Garfield, McKinley e Kennedy foram mandatários norte-americanos assassinados no exercício do mandato.

John Elchert, editor do jornal, diz que o anúncio foi pago para circular por três dias, mas sua publicação foi suspensa após “descoberto” na quinta-feira. O jornal ainda divulgou uma retratação.

“O leitor que faz isso com a imprensa é um infeliz”, afirmou Elchert, esclarecendo que o funcionário que aceitou o anúncio não foi demitido porque não soube relacionar os sobrenomes aos dos presidentes mortos.

O jornal diz que o anúncio custou cerca de US$ 30 e que não possui nenhuma informação sobre quem o mandou publicar.

O descuido do Times-Observer levou policiais do FBI à pacata Warren (que tem cerca de 12 mil habitantes). Eles estariam investigando o caso.

Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?