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O corporativismo e o diploma de jornalismo

Escreve Hélio Schwartsman, na Folha de S.Paulo (e reproduzo por assinar embaixo).

“Foi só o STF declarar a inconstitucionalidade da exigência de diploma de jornalista para o exercício da profissão que políticos de todos os naipes se articularam para reintroduzi-la, dessa vez via emenda constitucional. Se a proposta que tramita no Senado for em frente, o mais provável é que volte a ser analisada pela corte, com boa chance de ser derrubada outra vez.

A insistência com que se volta ao tema, porém, é reveladora de um dos grandes problemas do Brasil: assombrados por um espírito levemente fascista, não nos vemos como cidadãos de uma República, mas como representantes de uma determinada categoria profissional ou segmento social que seria detentor de “direitos naturais”. Nesse esquema, a ação política consiste em inscrever em lei as reivindicações oriundas desses “direitos” e esperar que o Estado as implemente. Viramos o país das corporações.

A dificuldade é que, como todo mundo faz o mesmo, o arcabouço legislativo se torna uma barafunda de reivindicações sindicais promovidas a norma geral. Elas são tantas que fatalmente se chocam. É nesse contexto que se inscrevem as guerras entre médicos e enfermeiros em torno das casas de parto ou entre psiquiatras e psicólogos pelo direito de diagnosticar. Pior para os pacientes e para a sociedade.

Para provar que não exagero, uma rápida consulta às bases de dados do Congresso revela dezenas de projetos de regulamentação de ofícios.

Apesar de a Constituição afirmar que a regra geral é a do livre exercício de profissões, legisladores buscam regular (e, portanto, restringir) as carreiras de modelo de passarela, filósofo, detetive, babá, escritor, cerimonialista, depilador etc. Já resvalando no reino da fantasia, busca-se também disciplinar a ocupação de astrólogo e terapeuta naturista.

Pergunto-me como nossos parlamentares puderam esquecer de Papai Noel e das indispensáveis fadas.”

A saúde dos jornais

Interessante artigo do professor Carlos Alberto Di Franco, com o título acima, aborda uma série de questões importantes sobre a “mcdonaldização dos jornais”, termo que ele usa, e algumas propostas para fazer o produto impresso sobreviver.

A mais curiosa delas, mas que faz algum sentido: aumentar o corpo das fontes do jornal. Afinal de contas, o leitor médio no Brasil beira os 50 anos _ressalte-se que a Folha de S.Paulo fez isso em sua última reforma gráfica, ampliando em 10% o tamanho das letras que publica.

Steve Jobs e nossa ingenuidade biográfica

Material bem consistente publica a Lumina, revista semestral do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Destaco Mozahir Salomão Bruck e “O jornalista e a ingenuidade biográfica”, um tema ainda debatido de forma lateral (mas que a morte de Steve Jobs e a ausência crítica que forrou a reconstituição da vida do personagem mostrou o quanto é importante), além de Eduardo Granja Coutinho com “Cala a boca, Galvão! hegemonia, linguagem e filosofia espontânea das massas”.

Boa leitura.

A doença infantil do jornalismo brasileiro

O futebol é a doença infantil do jornalismo brasileiro? É o que defende Luciano Martins Costa em artigo no Observatório da Imprensa.

Óbvio que há uma generalização, mas com forte fundo de verdade.

O escândalo do tabloide e a velha ética

ATUALIZAÇÃO: Em entrevista ao The Holywood Reporter, uma jornalista do News of the World conta como era o modus operandi da redação em busca de escândalos.

Vladimir Safatle faz a pergunta certa em artigo na Folha desta semana: a questão sobre o “News of the World” e o escândalo de crimes travestidos de reportagens perpetrados por sua (ex) equipe, hoje, é menor. O que os leitores têm direito de saber é se há outros veículos que agem como o (ex) tabloide de Rupert Murdoch.

Decidir “quem vai ser exposto e quem será conservado, quem vai para a primeira página e quem vai para a nota do canto”, como fala Safatle, é trabalho de edição. A obtenção de informações anterior a esse processo é que precisa ser absolutamente ética.

E não posso, aqui, colocar a mão no fogo por ninguém. Muito menos devido à agenda atual dos meios, em grande parte contaminada pelo jornalismo on-line e a ascensão de qualquer bobagem ao status de notícia.

Queira ou não, é a nova ordem. Como se mobilizar nela, entretanto, continua a ser um procedimento tão antigo quanto conhecido.

 

Gostar de escrever basta?

Gostar de escrever é suficiente para querer ser jornalista?

É o que discute Gary Moskowitz neste interessante artigo.

A conclusão, minha e dele, é que não basta gostar, é preciso saber.

Ainda que, no caso do jornalismo on-line, o texto não seja exatamente uma prioridade para quem pretende explorar o potencial das novas narrativas (como Moskowitz explica no artigo).

A caminho de uma nova teoria dos gêneros jornalísticos?

Ana Mancera Rueda explica, no Sala de Prensa, a quantas anda a compreensão e a discussão, na Espanha, sobre as formas pelas quais nos manifestamos jornalísticamente (reportagem, entrevista, editorial, artigo etc, os famosos “gêneros”).

É uma das disciplinas que atualmente ministro na Faap. Aqui no Brasil, infelizmente, estamos muitíssimo atrasados com relação ao assunto.

Desde Marques de Mello, os gêneros cresceram _e não vão parar de crescer graças ao avanço tecnológico.

Caminhar na direção de uma nova teoria dos gêneros, como esboça Mancera, é tarefa complexa, porém altamente necessária.

ATUALIZAÇÃO: Por uma omissão imperdoável (quem me deu o puxão de orelha foi o colega Rogério Christofoletti), esqueci de mencionar o trabalho da pesquisadora Lia Seixas, referência importante na bibliografia do próprio curso mencionado acima, da mesma forma que a tentativa comparativa de Manuel Chaparro em “Sotaques d’aquém e d’além-mar – Travessias para uma nova teoria de gêneros jornalísticos”, que tenta observar semelhanças e diferenças entre o jornalismo praticado no Brasil e em Portugal.

Contando histórias com dados, um artigo

A superprofessora de jornalismo on-line Mindy McAdams indica o artigo Narrative Visualization: Telling Stories with Data, de dois estudantes de Harvard.

Vocês bem sabem que adoro a prática, mas a reflexão acadêmica sobre nosso trabalho é sempre útil. Mestre Leopoldo Godoy, editor do G1, não tem muita paciência com a academia não, mas o azar é dela.

O meio on-line impõe sérias amarras à reflexão _quem trabalha em tempo real regula do banheiro ao cigarro. Difícil, pra quem toca o dia a dia de um site noticioso, refletir sobre o próprio trabalho.

O pensar “de fora” pode detectar tendências que a gente não vê quando faz linguiça.

O artigo usa bons exemplos e expõe de maneira bacana estudos de casos de infografias que podem ensinar a gente a fazer melhor.

Com pensata sobre evangélicos, revista da Uerj está no ar

Saiu a Edição 16 (Vol.8) da revista Contemporânea, produto on-line do grupo de pesquisa Comunicação, Arte e Cidade da Faculdade de Comunicação Social da UERJ.

Neste número, o dossiê Comunicação e Linguagens Audiovisuais (em PDF).

Curti “O telejornalismo na construção da identidade social: os evangélicos em série especial do Jornal Nacional”, de Hideide Brito Torres e Iluska Coutinho. Sempre bom a academia se debruçar sobre o trabalho jornalístico profissional. Ajuda ambos os lados.

A reportagem de Flávio Fachel que o Jornal Nacional mostrou em 2009, se por um acaso você não viu ou não se lembra (eu não tinha visto).

A tempo, é o mote para a análise acadêmica.

Agnóstico, estudei no Colégio Batista Brasileiro em São Paulo.

Curioso ver essa doutrina retratada pelo jornalismo anos depois _e legal ver que ela mantém a ligação com a música, que marcou minha formação.