E a discussão sobre o conteúdo pago chega à universidade

Quem diria: o debate sobre o conteúdo pago ou gratuito chegou à academia.

Coube à prestigiosa Universidade de Harvard (EUA) meter o dedo na ferida: num comunicado à sua comunidade científica, a instituição pede que os pesquisadores priorizem a publicação de trabalhos em revistas de conteúdo aberto.

O motivo: acabou o dinheiro para financiar as altíssimas assinaturas das publicações pagas – só para Harvard, elas custam quase R$ 11 milhões anuais.

No Brasil, quem paga a conta é a gente (é bem verdade que na Inglaterra a verba para isso também vem em boa parte de impostos).

Anualmente, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) desembolsa todos os anos de seu orçamento cerca de R$ 133 milhões para permitir que 326 instituições acessem 31 mil revistas científicas.

Essa sim é uma novidade no debate do conteúdo pago. E que pode mudar alguma coisa nos rumos que a coisa está tomando, embora a políticia dos micropagamentos que passa a ser adotada em massa parece estar dando algum resultado prático.

Foto incrível de urso vira objeto de disputa nos EUA


Um fotógrafo (ainda que seja frila de um jornalzinho de colégio) pode separar seus cliques entre “pessoais” e “de serviço”?

Bem resumidamente, é essa a discussão entre o CU Independent (ligado à Universidade do Colorado) e Andy Duann, aluno da instituição. Duann flagrou o momento em que um urso que invadiu o campus era abatido por uma dose de tranquilizantes e viu a foto correr o mundo creditada para o veículo. Ele diz não querer dinheiro, apenas o crédito da imagem – que foi retirada do repositório da AP, primeira a distribuir a foto, justamente por causa do imbróglio.

Como bom foca, Duann diz que jamais pensou que seu clique era bom (muito menos que seria reproduzido tantas vezes. “A foto estava fora de foco”, resume.

Não sabe o que é notícia, mas se preocupa com o nominho que acompanha uma imagem. Começamos bem, garoto.

ATUALIZAÇÃO: Ah, e como não poderia deixar, o “falling bear” virou meme.

ATUALIZAÇÃO II: Uma semana depois do incidente na Universidade do Colorado, o “falling bear” morreu atropelado.

O destino da estante

Ruy Castro está certo: enquanto perdemos horas e horas discutindo o futuro do papel (e de seus produtos derivados, como o jornal e o livro), o escritor está preocupado mesmo é com o destino da estante.

“Vão-se guardar tablets, Kindles ou e-readers em estantes?”.

Muito bom.

Será que todo mundo está falando disso mesmo?

Redes sociais 'falam muito', expressão notabilizada pelo técnico corintiano Tite

Quem usa as redes sociais “para substituir a realidade não aumenta o seu capital social. Pelo contrário, pode mesmo sentir o isolamento típico de um peixe que contempla o mundo através do vidro do aquário.”

Apoiado, João Pereira Coutinho (autor da frase acima).

Mais: achar que os sites de redes social são a representação fidedigna da humanidade é um erro grotesco.

Não, o mundo não está (apenas) falando do que reverbera nas redes. Elas são só um pedaço (que pode eventualmente ser o mais relevante) dele. E tudo forrado de mentiras, mobilizações artificiais e ativismo.

Preocupe-se com o que estão falando nas redes, mas dê atenção ao que falam diretamente para você nos canais de participação do seu produto jornalístico.

É, basicamente, o resumo de minha participação no 1º Seminário de Redes Sociais do Comunique-se, quinta-feira passada, em São Paulo (os slides da apresentação estão disponíveis on-line).

O jornal mais antigo do mundo é… um diário oficial

A ANJ (Associação Nacional de Jornais) tem uma breve história do veículo em seu site, com uma linha do tempo interessante que traz os jornais mais antigos ainda em circulação.

E o campeão é… o sueco Post och Inrikes Tidningar, uma espécie de diário oficial, de 1645.

Os fins justificam os meios

Já houve quem previsse que o fim do jornalismo impresso significaria também o imediato crepúsculo da blogosfera. É um exagero que, ao menos, parte de uma observação que segue alguma lógica.

Ou não é verdade que nesse ambiente on-line (e em outros, como as redes sociais) um número considerável de usuários passa o dia se entretendo com o noticiário produzido especialmente para uma velha rotativa e meramente transposto para a internet?

O suporte impresso foi identificado, num estudo conduzido na Universidade de Oregon (EUA), como o mais capaz de reter a atenção de quem lê. Seu formato de hierarquização é insuperável, a ponto de ter sido mimetizado quase na íntegra pela web.

Ainda assim, todos os dias nos perguntamos – em muito influenciados pela situação dos jornais no hemisfério norte – até onde precisam se reinventar nossos impressos para sobreviver num mundo de tanta informação barata, onipresente e relatorial.

O avanço tecnológico e um de seus derivados, a cultura do minuto, transformaram o timing característico do jornal em papel. Um dia parece ser (e é) uma eternidade para elaborar, preparar e acabar um produto jornalístico dessa natureza.

Os jornais têm a obrigação de ser melhores. Da discussão dos assuntos que comporão seu cardápio à definição da maneira como serão apresentados nos 29,7cm por 52cm de cada uma de suas páginas (no formato standard), há mais tempo para debater, demandar e corrigir.

O negócio dos jornais não é vender papel, mas conteúdo. Nesse aspecto, ainda que ganhem pouco ou nenhum dinheiro na plataforma on-line, encontram na internet um forte aliado. Afinal de contas, é onde se fala dele. Bem ou mal.

O esporte é um tema que ganha extrema visibilidade no país da Copa e da Olimpíada. Tanto que os principais jornais do Brasil derrubaram o tabu de não elevar assuntos da editoria às suas manchetes. Aconteceu algumas vezes em Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo muito recentemente. Significa que o jornalismo esportivo está na vitrine.

Quem faz a coisa em papel tem a possibilidade adicional de amplificar o alcance de sua produção usando a rede. Se por um lado os “forros de gaiola” representam o artesanato da notícia, ao mesmo tempo trafegam com naturalidade no ambiente que – dizem – irá matá-lo.

É momento de mostrar serviço, só para usar um clichê tão frequente quanto verdadeiro no jornalismo.

*Texto originalmente publicado no blog da Virta

Londres quer proibir torcedores de compartilhar a Olimpíada em redes sociais

Atenção, surgiu mais uma iniciativa fadada ao fracasso: o comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Londres pretende impedir que o público pagante do evento limite o registro de fotos, vídeos e áudios à esfera “doméstica e privada”.

O contrato que rege a venda de ingressos cita expressamente o veto à distribuição em sites de redes sociais “e na internet de forma geral” de qualquer conteúdo captado “em ambiente olímpico”.

Veja, não será proibido filmar ou fotografar – mas sim compartilhar esse material.

Com quase 6 milhões de entradas para eventos em 26 modalidades, eu me pergunto como alguém acha que é possível controlar de que forma se dará o armazenamento do registro feito pelas pessoas.

Por mais que YouTube e Facebook (só para citar os dois canais mais óbvios e pops de escoamento da produção das pessoas) montem um exército para excluir material indesejado pelos proprietários dos direitos da competição – e eles irão, já há acordos nesse sentido com o Comitê Olímpico Internacional -, mais uma vez será uma disputa de gato e rato. E o vencedor já sabemos todos quem será.

É 2012 e ainda não entendemos que a rede e seu poder de compartilhamento são incontroláveis?

Brasil, o país em que mais se mata jornalistas

A morte do jornalista maranhense Décio Sá, executado com seis tiros nesta semana, colocou o Brasil no topo do ranking dos países mais perigosos para os coleguinhas em 2012 – superamos a Síria, que vive uma guerra civil.

No ano passado, o país foi o 8º em que mais jornalistas morreram.

É tétrico porque, há cerca de algumas semanas, o governo brasileiro melou na ONU um plano que discutia justamente a criação de um padrão global de proteção aos profissionais de imprensa.

Minha participação no Ficom de Montes Claros

Parte da plateia que acompanhou o evento

Muito produtivo o II Fórum Integrado de Comunicação (Ficom), que as Faculdades Santo Agostinho organizaram nesta segunda em Montes Claros (MG) e durante o qual tive o prazer de trocar ideias com colegas e muitos estudantes (ou “acadêmicos”, como eles dizem lá).

Cerca de 200 pessoas participaram da conversa, que girou em torno das novas responsabilidades do jornalista num mundo de inovação tecnológica. Obrigado às faculdades e ao Andrey Librelon, em especial, pela acolhida.

Na ocasião, os colunistas sociais da cidade (e são muitos, acredite!) foram homenageados pela instituição. Agradeço o carinho de todos, mas especialmente de Felicidade Tupinambá e Márcia Vieira (a “Yellow”) – a quantidade de fotos que tirei nesta noite, seguramente, superou as que foram tomadas em toda a minha existência!

Capa da Gazeta Norte Mineira de 23/4/2012

Muito obrigado a todos os montes-clarenses, espero voltar em breve!

Quanto vale o rapper 50 Cent

Uma matéria da Reuters editada por um redator de jornal desatento evidenciou mais uma vez o lado B dos automatismos: o rapper 50 Cent teve o nome “convertido” para a moeda da Malásia, o Ringgit. Simplesmente sensacional.

Aqui mesmo já dei outros exemplos de que nada substitui a edição humana, casos do mapa muito louco da Geórgia, do atleta Tyson “Homossexual” e do bug do mapa da criminalidade em Los Angeles.