Acomodação nas redes sociais

Será que, após tanto barulho, as coisas finalmente estão se acomodando nos sites de rede social, bombados por uma falsa percepção de que o mundo todo está ali falando sobre os assuntos que realmente importam?

Estagnado, o Twitter não representa mais o drive de audiência de outrora e, agora, a General Motors – um dos maiores anunciantes do mundo – avisa que deixará de promover seus produtos pagando ao Facebook porque essas ações simplesmente não ajudam a vender carros de verdade.

Um estudo quantifica o tamanho da encrenca: só 3% dos usuários da rede clicam em banners publicitários.

É o momento de se discutir o velho mantra de que essas ferramentas servem, para as marcas, como instrumentos de relacionamento – e a longo prazo, coisa que a urgência por cliques ou o ROI (retorno do investimento) publicitário, positivamente, não estão a fim de esperar.

Projetos inovadores em jornalismo

A Facultat de Periodisme Universitat Pompeu Fabra, em Barcelona (devo dizer na Espanha ou na Catalunha?) exibe nesta quarta quatro projetos em jornalismo considerados inovadores.

Se servir de inspiração, dá uma olhada.

O sucesso da autorregulamentação da mídia na Escandinávia

Num país em que se pretende utilizar a regulamentação da mídia como clara forma de censura (o tal “controle social” nada mais é do que garantir que a agenda do governo seja contemplada pelos meios de comunicação), é até ridículo tratar do case de sucesso da Escandinávia, onde a autorregulamentação, bem-feita, venceu.

É o que mostra interessante raio-x do Columbia Journalism Review sobre os conselhos expressos de mídia, modelo existente em Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia.

Lá, as reclamações do público são deliberadas de forma expressa por grupos independentes cujas decisões são, via de regra, acatadas de imediato.

A nação Instagram

Vendido ao Facebook por US$ 1 bilhão (mas, principalmente, acessível aos usuários de Android), o Instagram definitivamente entrou na moda. O infográfico abaixo disseca o fenômeno.

Para entender as mídias sociais

Não indiquei aqui, por omissão, o volume dois de “Para entender as mídias sociais”, organizado pela dupla colega (pesquisadora e jornalista) – e, mais importante, amiga – Ana Brambilla.

Faça o download agora!

Quem quer saber o que você está lendo?

Aplicativos que compartilham tudo o que você lê com seus amigos no Facebook, depois de uma expansão extraordinária, estão baixa.

E alguns jornais estão descobrindo isso amargamente, casos de Washington Post e The Guardian.

A verdade é que é muito inconveniente ficar o tempo todo dizendo o que se está fazendo.

Não sei quanto tempo ainda leva, mas esse culto ao eu e à superexposição, certamente, não são sustentáveis e estão com os dias contados.

Como se fazia linguiça em 1942

Documento histórico disponibilizado pelo British Council mostra, da reunião de pauta à impressão, como era o processo de confecção de um jornal impresso em 1942. O pior é que não mudou muita coisa desde então – e isso explica tudo.

Altas imagens…

Doce deleite: as melhores fotos da National Geographic em abril!

Aula gratuita de ética jornalística

É por essas e por outras que recomendo às pessoas: não deem entrevistas, você não sabe diante de que tipo de profissional estará. No Tocantins, um repórter açodado foi advertido severamente pelo entrevistado. “Vá estudar”. Merecido, e que sirva de reflexão antes de atrapalharmos as pessoas.

O jornalismo faz mal à saúde

Em “O Trabalho do Jornalista: Estresse e Qualidade de Vida“, o pesquisador Roberto Heloani traça uma raio-x devastador da profissão. O trabalho foi conduzido com base em entrevistas concedidas em meados de 2010 – dispensável dizer que, de lá para cá, nossa situação não melhorou, muito pelo contrário.

Heloani é uma das maiores autoridades do Brasil em assédio moral, essa praga que invadiu o ambiente de trabalho (em especial o jornalístico). Formado em Direito pela USP e em Psicologia pela PUC/SP, é mestre em Administração pela FGV/SP e doutor em Psicologia Social pela PUC/SP.

No trabalho, o professor aborda muitos aspectos do nosso dia a dia, como a competição dentro das redações e a tendência da contratação, cada vez mais intensa, de profissionais mais novos. “Os patrões adoram porque eles não dão trabalho”, diz.

Há tempos venho dizendo que jornalismo é coisa para garotos – mais do que a tendência à despolitização (que evita raros mas possíveis embates sindicais), pesa nesse aspecto a juventude mesmo. Ser um profissional 24 horas por dia, sete dias por semana, como reza o mantra, cansa. E cobra um preço.

Há, ainda, a pressão por atualização – consequência do avanço tecnológico – e o surgimento cotidiano de novas tarefas e rotinas. Nesse aspecto, Heloani vai ao ponto: a lenda de que jornalistas devem saber de tudo um pouco serve justamente para reforçar, diante de seus patrões, que todos são substituíveis.

Síndrome do pânico, angústia e depressão são as doenças mais comuns ligadas à nossa atividade, segundo o especialista. A falta de tempo para família, lazer, estudos e atividade física, positivamente, está nos tornando profissionais piores.

Daí é inevitável lembrar do divertidíssimo ‘Salvar un Periodista‘. Seja um ex-jornalista você também.