Arquivo da categoria: Vida de jornalista

Viciados

Ao mesmo tempo “ingrato e generoso”,o jornalismo está na veia da octogenária Elena Poniatowsk desde os seus 20 anos – é o meu caso, resta saber se chegarei aos 80.

Um dos ícones do jornalismo cultural mexicano, Elena diz que a profissão “é uma droga difícil de abandonar“.

Tem cura?

Eles não desistem

Nesta semana mais uma vez há a expectativa da apreciação no Senado, pela segunda vez, de uma PEC (proposta de emenda constitucional) que restitui a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.

Que preguiça…

Como se fazia linguiça em 1942

Documento histórico disponibilizado pelo British Council mostra, da reunião de pauta à impressão, como era o processo de confecção de um jornal impresso em 1942. O pior é que não mudou muita coisa desde então – e isso explica tudo.

Aula gratuita de ética jornalística

É por essas e por outras que recomendo às pessoas: não deem entrevistas, você não sabe diante de que tipo de profissional estará. No Tocantins, um repórter açodado foi advertido severamente pelo entrevistado. “Vá estudar”. Merecido, e que sirva de reflexão antes de atrapalharmos as pessoas.

O jornalismo faz mal à saúde

Em “O Trabalho do Jornalista: Estresse e Qualidade de Vida“, o pesquisador Roberto Heloani traça uma raio-x devastador da profissão. O trabalho foi conduzido com base em entrevistas concedidas em meados de 2010 – dispensável dizer que, de lá para cá, nossa situação não melhorou, muito pelo contrário.

Heloani é uma das maiores autoridades do Brasil em assédio moral, essa praga que invadiu o ambiente de trabalho (em especial o jornalístico). Formado em Direito pela USP e em Psicologia pela PUC/SP, é mestre em Administração pela FGV/SP e doutor em Psicologia Social pela PUC/SP.

No trabalho, o professor aborda muitos aspectos do nosso dia a dia, como a competição dentro das redações e a tendência da contratação, cada vez mais intensa, de profissionais mais novos. “Os patrões adoram porque eles não dão trabalho”, diz.

Há tempos venho dizendo que jornalismo é coisa para garotos – mais do que a tendência à despolitização (que evita raros mas possíveis embates sindicais), pesa nesse aspecto a juventude mesmo. Ser um profissional 24 horas por dia, sete dias por semana, como reza o mantra, cansa. E cobra um preço.

Há, ainda, a pressão por atualização – consequência do avanço tecnológico – e o surgimento cotidiano de novas tarefas e rotinas. Nesse aspecto, Heloani vai ao ponto: a lenda de que jornalistas devem saber de tudo um pouco serve justamente para reforçar, diante de seus patrões, que todos são substituíveis.

Síndrome do pânico, angústia e depressão são as doenças mais comuns ligadas à nossa atividade, segundo o especialista. A falta de tempo para família, lazer, estudos e atividade física, positivamente, está nos tornando profissionais piores.

Daí é inevitável lembrar do divertidíssimo ‘Salvar un Periodista‘. Seja um ex-jornalista você também.

Os fins justificam os meios

Já houve quem previsse que o fim do jornalismo impresso significaria também o imediato crepúsculo da blogosfera. É um exagero que, ao menos, parte de uma observação que segue alguma lógica.

Ou não é verdade que nesse ambiente on-line (e em outros, como as redes sociais) um número considerável de usuários passa o dia se entretendo com o noticiário produzido especialmente para uma velha rotativa e meramente transposto para a internet?

O suporte impresso foi identificado, num estudo conduzido na Universidade de Oregon (EUA), como o mais capaz de reter a atenção de quem lê. Seu formato de hierarquização é insuperável, a ponto de ter sido mimetizado quase na íntegra pela web.

Ainda assim, todos os dias nos perguntamos – em muito influenciados pela situação dos jornais no hemisfério norte – até onde precisam se reinventar nossos impressos para sobreviver num mundo de tanta informação barata, onipresente e relatorial.

O avanço tecnológico e um de seus derivados, a cultura do minuto, transformaram o timing característico do jornal em papel. Um dia parece ser (e é) uma eternidade para elaborar, preparar e acabar um produto jornalístico dessa natureza.

Os jornais têm a obrigação de ser melhores. Da discussão dos assuntos que comporão seu cardápio à definição da maneira como serão apresentados nos 29,7cm por 52cm de cada uma de suas páginas (no formato standard), há mais tempo para debater, demandar e corrigir.

O negócio dos jornais não é vender papel, mas conteúdo. Nesse aspecto, ainda que ganhem pouco ou nenhum dinheiro na plataforma on-line, encontram na internet um forte aliado. Afinal de contas, é onde se fala dele. Bem ou mal.

O esporte é um tema que ganha extrema visibilidade no país da Copa e da Olimpíada. Tanto que os principais jornais do Brasil derrubaram o tabu de não elevar assuntos da editoria às suas manchetes. Aconteceu algumas vezes em Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo muito recentemente. Significa que o jornalismo esportivo está na vitrine.

Quem faz a coisa em papel tem a possibilidade adicional de amplificar o alcance de sua produção usando a rede. Se por um lado os “forros de gaiola” representam o artesanato da notícia, ao mesmo tempo trafegam com naturalidade no ambiente que – dizem – irá matá-lo.

É momento de mostrar serviço, só para usar um clichê tão frequente quanto verdadeiro no jornalismo.

*Texto originalmente publicado no blog da Virta

Brasil, o país em que mais se mata jornalistas

A morte do jornalista maranhense Décio Sá, executado com seis tiros nesta semana, colocou o Brasil no topo do ranking dos países mais perigosos para os coleguinhas em 2012 – superamos a Síria, que vive uma guerra civil.

No ano passado, o país foi o 8º em que mais jornalistas morreram.

É tétrico porque, há cerca de algumas semanas, o governo brasileiro melou na ONU um plano que discutia justamente a criação de um padrão global de proteção aos profissionais de imprensa.

‘No futuro, os jornalistas escreverão em computadores’

É o que nos conta o jornal argentino La Nación em 4 de março de 1981. Uma preciosidade que o Paper Papers resgatou (e o Sala de Prensa, sempre solerte, divulgou).

Quando o humorismo atrapalha o jornalismo

Falo com alguma frequência, em sala de aula e rodas de amigos, sobre o CQC, mas aqui no Webmanario a atração da Band foi tratada de forma quase tangencial. Até mais uma polêmica envolvendo coleguinhas e um personagem do programa.

Antes de tudo, você precisa saber o que eu acho de programas televisivos tipo CQC: não se trata de jornalismo, é humorismo mimetizando a linguagem jornalística, o que pode, com sorte, até virar jornalismo.

Não estamos diante de repórteres, mas de personagens brifados para a zombaria. Pior, eles confundem consumidores de notícias, que volta e meia se perguntam por que os jornalistas “tradicionais”  não são tão despojados e combativos nas entrevistas do dia a dia.

Simplesmente porque não são humoristas, cara-pálida.

Fazendo-se essa separação entre as duas profissões, não vejo grandes problemas na liberação do acesso do CQC ao ambiente profissional jornalístico (é o último privilégio da imprensa tradicional: a legitimidade de ter acesso aos protagonistas do noticiário, como o vestiário após os jogos).

O que não é legal é o humorismo atrapalhar o bom desenvolvimento do jornalismo. Aí a coexistência deixa de ser pacífica – e chamar os caras pra porrada, como no caso citado lá no começo do texto, é compreensível.

E, a julgar pelos números de audiência, a fórmula está pra lá de desgastada…

ATUALIZAÇÃO: Nos comentários, nosso colega Sergio Leo (que testemunhou a confusão com o CQC em Brasília) dá um importante depoimento.

E os canetinhas, como ficam?

A UPP (União dos Fotógrafos Profissionais da França) encontrou uma imagem forte para sua campanha de respeito aos direitos autorais.

Não podemos nos esquecer que, ainda assim, o fotógrafo é um privilegiado com relação a seus colegas de caneta, que não têm a assinatura de obras como prerrogativa e muito menos são remunerados por eventuais revendas de seu material – ok, esta última é uma prática cada vez mais em desuso, mas a que só fotógrafos têm acesso.

Podíamos, todos os jornalistas de texto, fazer um esforço para adquirir alguns dos (poucos) direitos a que nossos queridos retratistas (o termo é carinhoso, viu?) já foram contemplados.