Arquivo da categoria: Sobrevivência na Rede

Os melhores do jornalismo digital versão 2011-2012

Saíram os prêmios da American Society of Magazine Editors (ASME) para os melhores do período 2011-2012 em mídia digital.

Palmas para a New York, produto do NYTimes ganhador dos prêmios mais cobiçados (excelência geral e website).

A NatGeo levou o prêmio de melhor versão para tablet – uma moeda em alta no negócio informação em tempo real.

Mas agora atenção: “The Qaddafi Files: An FP Special Report”, de Susan B. Glasser para a Foreign Policy, é o trabalho a ser notado. Ganhou a distinção de melhor cobertura multimídia.

Ótimas inspirações.

Facebook no controle

Às vésperas de abrir seu capital, o Facebook é ainda mais minucioso no que diz respeito à prospecção de novos negócios.

Controla sua plataforma a ponto de muitas vezes negar algum pleito dos usuários com um oracular “nós não queremos que você faça isso”. A desejada introdução do botão “não curti” não passa de ilusão pelo simples fato que Mark Zuckerberg não quer você negativando ninguém.

Com pouco mais de 42 milhões de usuários no Brasil (é praticamente a metade do grupo de brasileiros que tem acesso à internet), o Facebook novamente imporá a seus clientes uma mudança – a adoção definitiva da timeline como padrão do site, prometida para 1º de abril (será verdade?).

Hubs de tráfego (como celebridades e grandes empresas) interessam especialmente à companhia. São espécies de modelos das timelines que Zuckerberg considera ideais – e importante chamariz para destorcer o nariz dos usuários.

Num universo em que só 13% de seus amigos leem cada atualização publicada por você (a estimativa é do próprio Facebook), há uma verdadeira Transamazônica para ser explorada.

Kony 2012: lições de uma manipulação grosseira

Não é possível que mais uma mobilização que tem a desinformação como mola-mestra na internet passe incólume. Sem deixar lições? Não pode.

Estou falando do viral Kony 2012, vídeo visto 100 milhões de vezes que reorganiza aleatoriamente e sem contextualização fatos ocorridos há mais de uma década em Uganda para fazer uma denúncia ainda válida: um criminoso está livre.

A ONG Crianças Invisíveis pretendia mostrar ao público as atrocidades de Joseph Kony, líder de um tal Exército de Resistência do Senhor – que cooptava crianças para sua guerra santa nas décadas de 80 e 90 e hoje está reduzido a um grupo de párias que não passa de 400 e não tem qualquer importância política ( as crianças que não morreram em combate já são adultos).

A trajetória de Kony mobilizou o mundo, e a ONG conseguiu arrecadar muito dinheiro com o buzz todo.

Tirando a desonestidade intelectual de se distorcer fatos, a entidade é muito séria e está na linha de frente de uma série de ações em prol das crianças africanas. Mas seu principal papel, de fato, é produzir vídeos que chamem a atenção para o problema, jamais resolvê-lo.

Ninguém deveria se sentir lesado pela campanha Kony, mas certamente é preciso parar para pensar de que forma nos engajamos em qualquer coisa que apareça on-line, sem o menor critério ou informação. Isso sim é gravíssimo e aponta para a existência de uma gigantesca massa de manobra altamente manipulável.

Pense nisso.

ATUALIZAÇÃO: Na Folha de S.Paulo de hoje, Nizan Guanaes fala do fenômeno Kony 2012 sob o ponto de vista da publicidade – um evidente case de sucesso.

Só bom conteúdo salva


Você conhece o projeto Beyond the Fold, desenvolvido pelo pesquisador português Sebastian Rodriguez Kennedy Bettencourt?

Bem, se trata de mais uma tentativa de mostrar como será o jornal num futuro sem o uso de papel (por questões econômicas sim, mas também ambientais).

Baseado numa navegação sem ícones e botões, o suporte imaginado por Bettencourt poderá mostrar infográficos em 3D e já é capaz de transmitir a sensação de tinta nos dedos – alguém sentiria saudade disso?

Em 2008, ridicularizei uma aproximação menos ousada e mais marqueteira do “futuro do jornal” e ganhei um inimigo para todo o sempre – o excelente profissional que representa no Brasil a consultoria por trás daquela mirabolância – aliás devidamente depositada na lata de lixo da história.

Já naquele texto, e como corroborou agora Bernardo Gutiérrez, eu dizia que a tecnologia não iria salvar o jornalismo. Só bom conteúdo é capaz disso.

Ainda assim, pesquisar e testar novos formatos sempre terá alguma serventia (ainda que sejam apenas boas risadas).

El Pais finalmente se rende à convergência

De Juan Luis Cebrián a Javier Moreno (só para citar um ex-diretor celébre e o atual), o jornal espanhol El Pais sempre teve uma certeza: papel e internet não se misturam.

Pois esse paradigma foi quebrado agora que, com direito a uma reformulação do site, o veículo unificou suas redações – e procedimentos.

Vamos esperar mais um pouco para efetivamente sentir as primeiras impressões.

Portas fechadas, um padrão em redes sociais

A maioria dos perfis no Facebook não é público, mas fechado a grupos de amigos. É o que diz o Pew Research Center num trabalho divulgado na sexta-feira.

Não chega a ser propriamente uma novidade, mas sua quantificação (o cadeado da privacidade chega a 60% dos perfis entre pessoas de 30 a 49 anos) nos dá uma noção exata de quem é mais “aberto” à vida em rede social – sujeita à intervenção de pessoas que nada têm ver com as relações físicas.

Qual a definição de mídia social?

Sistemas digitais que permitem às pessoas, identificadas em perfis, compartilhar informação.

É esta a definição de mídia social que a professora Mindy McAdams detalha num post bastante interessante de seu obrigatório Teaching Online Journalism.

Pinterest já influencia o webdesign

O furor do Pinterest continua: a rede social de compartilhamento de imagens e links já está influenciando no design de publicações em linha.

Conheça o Pinterest, sua próxima rede social

Inspirado naqueles antigos quadros de cortiça onde pregávamos fotos (quem é mais novo se lembra disso, meu deus?), o Pinterest é mais uma rede social surgindo no cenário – seu número de usuários já cresceu 145% em 2012.

Aparentemente, é um ambiente mais feminino, embora não hajam números que sustentem essa percepção.

A propósito, o jornalismo já está lá (casos do New York Times e do The Guardian, para ficar apenas em dois exemplos).

E o babado forte é que um tal Mark Zuckerberg criou um perfil por lá – ainda que não se ateste que se trata do verdadeiro Mark.

Outros dados, via Mashable, estão no infográfico abaixo.

Tumblr contrata jornalistas para cobrir… o Tumblr

O Tumblr está contratando jornalistas para servirem como curadores de conteúdo das mais de 42 milhões de páginas que a plataforma (um meio termo entre blog e microblog que privilegia o uso de imagens) oferece.

É um movimento que segue o que Twitter e Facebook já haviam feito.

Está na moda olhar para o próprio umbigo.