Arquivos da Categoria: Sobrevivência na Rede

As lições de quem faz diferente

A InsideClimate News, um pequeno negócio jornalístico, está fazendo o serviço direitinho. Não por acaso ganhou um Pulitzer.

E está no ramo como uma empresa sem fins lucrativos – portanto fora do pacote estatal de subsídios, por um lado, mas habilitado a receber doações de seu próprio público, por outro.

Temos muito a aprender com empreendimentos que fazem as coisas diferente. A propósito, a reportagem ganhadora do prêmio nacional do Pulitzer está à venda no formato e-single.

Jornalismo financiado sofre mas está otimista nos EUA

Os números ainda são ruins, mas jornalistas que trabalham em startups voltadas para a comunicação nos EUA estão otimistas com o que pode acontecer nos próximos meses – é o que mostra pesquisa do Pew.

Das 172 instituições ouvidas, nunca é demais lembrar que duas já ganharam o Pulitzer. E, importante, que praticamente todas ainda estão em busca de um modelo de negócios sustentável.

 

Um raro protesto de jornalistas na redação

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A demissão de toda a editoria de fotografia do Chicago Sun-Times, na semana passada, provocou uma cena rara no meio jornalístico: um piquete na frente da redação, ontem.

A intenção dos 27 demitidos – e de vários de seus ex-colegas de redação que participaram da manifestação – é fazer com que o jornal volte à mesa de negociação para discutir uma medida menos drástica do que a extinção da editoria.

A partir de agora, frilas e repórteres (que estão recebendo treinamento para saber usar o iPhone além das relações pessoais) serão os responsáveis pelas imagens do jornal.

Nem é preciso lembrar aqui o caminho de anos e anos, percorrido por mim, falando sobre as novas exigências do jornalismo (a multitarefa entre elas) e, mais, sobre a importância dos dispositivos móveis para o registro de fatos.

Sempre critiquei a indisposição (de empresas e de jornalistas) com relação à mídia das pessoas, normalmente lembradas apenas num momento de tragédia não registrada por profissionais – aí sim, seu papel se transforma em coisa valiosa. Não pode ser só na desgraça.

Também dediquei linhas e mais linhas a repórteres que alegavam inaptidão para a fotografia mas que, ao mesmo tempo, exibiam páginas pessoais forradas de todo tipo de registro desimportante de seu cotidiano.

Interessante mencionar, agora, a experiência do Diário do Guarulhos, onde fotógrafos (afinal, repórteres) receberam treinamento para escrever matérias, e vice-versa. Voltarei com mais dedicação ao assunto.

Finalmente: o trabalho jornalístico não pertence a uma casta de abençoados. Nessa controversa decisão do Sun-Times, minha única discordância imediata é com relação ao cartaz da foto acima, exibido no protesto. O passo que a provocou, aparentemente, tem tudo para ser um tiro no pé – mas carece de tempo para que se possa cravar tal condenação.

O café do Guardian e a coexistência

A notícia de que o Guardian abriu um pequeno café em Londres poderia ser a ocasião ideal para materializar, num veículo importante, experiências de convívio entre jornalistas e leitores como os que pequenos veículos da Alemanha e da Suíça já protagonizaram.

Num tempo de coexistência pro-am, mas via redes sociais, espaços de verdade frequentados por ambos ajudariam bastante no processo de construção coletiva do que conhecemos como noticiário.

A ideia do café, por sinal, é bastante antiga, mas funcionaria melhor se, estrategicamente, estivesse localizado ao lado da redação. Infelizmente, o local serve apenas à marca institucional do diário.

Open Data e jornalismo

Como o movimento global pelo open data está transformando o jornalismo? A Wired faz um ótimo resumo sobre esse tema, destacando, por exemplo, iniciativas como a Infoamazônia, que combina cobertura jornalística profissional e jornalismo cidadão para reportar sobre o estado da floresta.

Redes sociais: quando chega a hora de jogar a toalha

“Saber a hora de jogar a toalha” talvez seja a dica mais valiosa para administradores de comunidades com a qual já topei.

Contextualizando, refere-se ao trabalho hercúleo de gerenciar presença e conversação de marca em todos os cantos, da web aos móveis, muitas vezes em ambientes que nem nós mesmos sabemos exatamente de que forma está sendo usado pelas pessoas.

Pense nisso antes de morrer de ataque cardíaco.

Nesta coleção de dicas do link acima faltou a que considero mais importante: jamais considerar o buzz em redes sociais, seja ela qual for, como um sinônimo de “todo mundo está falando disso”. Nada mais equivocado.

Você é um ex- jornalista de papel?

Você acha que, na maioria das matérias, um ou dois parágrafos bastam para contar a história? Ou que frequentemente uma boa infografia vale mais do que um texto?

Bem, talvez você seja um ex-jornalista de papel. Confira outros 154 sintomas dessa síndrome compilados por John L. Robinson.

A moda do paywall

O paywall será o grande personagem do jornalismo em outras plataformas (que não a impressa) em 2013. Até o Politico, projeto pioneiro sem fins lucrativos nos EUA, vai testar o modelo.

Ressuscitado num movimento exponencial de jornalões como The New York Times e Folha de S.Paulo, a cobrança por conteúdo web e móvel tem dado sinais auspiciosos de que seus críticos (entre os quais me incluo com orgulho) provavelmente se equivocaram.

Paul Gillin discorre mais sobre o tema num texto obrigatório para quem tenta entender a mudança do ecossistema informativo.

Projeto reconta as notícias para crianças

Conheci agora e adorei o Projeto Recontando, obra de uma mãe jornalista que, às voltas com a tarefa de explicar o noticiário para seu filho, teve a ideia de traduzir os fatos para torná-los acessíveis aos pequenos (como o vídeo acima, que fala das enchentes em Xerém, no Rio). Hoje, ela percorre escolas com seu trabalho.

Iniciativas como essa (e a do jornal japonês Tokyo Shimbun, mais tecnológica) ajudam a preservar nossos futuros consumidores de notícias.

Ferramentas para storytelling

Uma coleção de ferramentas para storytelling – uma especialidade jornalística que o mundo da comunicação abraçou.