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A pretensão de impor temas

Banda larga residencial, uma ameaça aos jornais impressos

E atenção: turbinada pelo governo Dilma Rousseff, a penetração de banda larga residencial chegou a 40% dos domicílios do país.

Isso significa que ultrapassamos com sobras o cabalístico número de Alan Mutter, que relacionou a queda inexorável da circulação de jornais a uma penetração de banda larga superior a 30%.

Interessante lembrar que Dilma começou seu governo com 27% dos brasileiros dispondo do serviço.

Mas e então, será que agora sim nossos jornais estão fadados aos caixão? Muita calma nessa hora: o que o estudo de Mutter certamente não levou em consideração – por óbvio que deveria ser – é a velocidade da banda.

A nossa, é certo e sabido, muitas vezes oferece tanto ou menos que a boa e velha conexão discada, por mais incrível que possa parecer. Logo, aqui cabe observar o cenário dos próximos meses.

O Estado de S. Paulo põe 137 anos de história no ar

Já está no ar uma preciosidade: a história, digitalizada, de 137 anos de O Estado de S. Paulo, um dos mais importantes jornais brasileiros.

É edição por edição desde 4 de janeiro de 1875 quando, sob o nome de A Província de São Paulo, o produto circulou pela primeira vez.

Tá esperando o que pra ir lá?

A nossa New Yorker

Ótima notícia: a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo lança agora em junho uma edição especial que resgata a elegante revista Senhor, editada de 1959 e 1964 e que teve entre seus editores nada menos do que Paulo Francis.

É o caminho. O arquivo público paulista já vem fazendo a sua parte há anos digitalizando publicações ainda mais antigas.

A vida começa aos US$ 38,23

Depois do buzz, as ações do Facebook – partindo de US$ 38,23 – voltam a ser negociadas no mercado nesta segunda. Vida que segue.

Seu criador, Mark Zuckerberg, levou tão a sério a abertura de capital de sua criatura que se casou – afinal de contas, agora é um homem sério.

A empresa de US$ 105 bilhões tem novos parceiros, os acionistas. E terá de deixar de ser uma caixa-preta – condição, aliás, indispensável para quem capitaliza ações nos Estados Unidos.

Não compartilho o gostinho de fracasso que IPO do maior site de rede social deixou na sexta-feira. Pelo contrário, preocupava-me muito mais o valor estabelecido como preço inicial da ação (aliás onerado em US$ 3, subindo a US$ 38, quase na véspera do começo dos negócios).

A sombra da bolha existe, mas foi o próprio mercado quem tratou de dar uma pitada de realidade à coisa toda: diante de um papel supervalorizado, nada como uma ducha de água fria.

Veremos, de hoje em diante, qual é exatamente a estratégia.

ATUALIZAÇÃO: O texto acima foi publicado por volta de 1h da madrugada desta segunda. Acompanhe em tempo real a negociação das ações do Facebook – que chegaram a cair 15%.

A desimportância das homepages, revisitada

Um novo levantamento nos Estados Unidos traz a última quantificação sobre a (ir)relevância das home pages para alavancar a audiência de fatos noticiosos.

Na média, 75% dos acessos ocorrem de fontes externas e, portanto, apenas 25% dizem respeito a notícias que o usuário viu na página principal e teve interesse em clicar.

Partindo desse ponto, a Associação Mundial de Jornais comenta o barulho provocado pela capa da última edição impressa da revista Time e diz que, entre as revistas, a primeira página ainda é a rainha.

Jack Lail fala sobre o assunto (o hábito das primeiras páginas) num post bastante recente.

Acomodação nas redes sociais

Será que, após tanto barulho, as coisas finalmente estão se acomodando nos sites de rede social, bombados por uma falsa percepção de que o mundo todo está ali falando sobre os assuntos que realmente importam?

Estagnado, o Twitter não representa mais o drive de audiência de outrora e, agora, a General Motors – um dos maiores anunciantes do mundo – avisa que deixará de promover seus produtos pagando ao Facebook porque essas ações simplesmente não ajudam a vender carros de verdade.

Um estudo quantifica o tamanho da encrenca: só 3% dos usuários da rede clicam em banners publicitários.

É o momento de se discutir o velho mantra de que essas ferramentas servem, para as marcas, como instrumentos de relacionamento – e a longo prazo, coisa que a urgência por cliques ou o ROI (retorno do investimento) publicitário, positivamente, não estão a fim de esperar.

O sucesso da autorregulamentação da mídia na Escandinávia

Num país em que se pretende utilizar a regulamentação da mídia como clara forma de censura (o tal “controle social” nada mais é do que garantir que a agenda do governo seja contemplada pelos meios de comunicação), é até ridículo tratar do case de sucesso da Escandinávia, onde a autorregulamentação, bem-feita, venceu.

É o que mostra interessante raio-x do Columbia Journalism Review sobre os conselhos expressos de mídia, modelo existente em Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia.

Lá, as reclamações do público são deliberadas de forma expressa por grupos independentes cujas decisões são, via de regra, acatadas de imediato.

Uma proposta de redesenho do calendário


Parece algo louco – e é. Mas é da loucura que saem as grandes e ousadas ideias: nesta, a apresentação linear dos dias do mês tem o sentido de nos mostrar que nada como dia após o outro (no clássico, as semanas empilhadas no dão a sensação de que tudo vai recomeçar no quadrante de baixo).

Faz sentido? Gostaria de ouvir o mestre Alberto Cairo sobre o tema…

Dicas para verificar a autenticidade de conteúdo publicado em mídia social

O Poynter (o centro de estudos de jornalismo que tem um jornal) fez uma compilação, a cargo de Craig Silverman, sobre verificação de conteúdo em redes sociais – principal matéria-prima do jornalismo cidadão.

São ao todo oito links com procedimentos de grandes empresas de comunicação (como BBC e CNN) e ouras dicas valiosas. Divirta-se.

O destino da estante

Ruy Castro está certo: enquanto perdemos horas e horas discutindo o futuro do papel (e de seus produtos derivados, como o jornal e o livro), o escritor está preocupado mesmo é com o destino da estante.

“Vão-se guardar tablets, Kindles ou e-readers em estantes?”.

Muito bom.