Arquivo do mês: abril 2012

Mídia social e os falsos furos

Um bom gráfico sobre notícias e mídia social. E a constatação inevitável: cerca de 50% das pessoas que acreditaram em “furos” dos sites de rede social descobriram, depois, que aquela notícia era falsa.

Quem não está on-line?

Um em cada cinco americanos adultos não possui atividades on-line. Basicamente, são idosos, pessoas com pouca instrução e gente com baixa renda.

O Pew tem mais informações sobre o tema.

Quando o humorismo atrapalha o jornalismo

Falo com alguma frequência, em sala de aula e rodas de amigos, sobre o CQC, mas aqui no Webmanario a atração da Band foi tratada de forma quase tangencial. Até mais uma polêmica envolvendo coleguinhas e um personagem do programa.

Antes de tudo, você precisa saber o que eu acho de programas televisivos tipo CQC: não se trata de jornalismo, é humorismo mimetizando a linguagem jornalística, o que pode, com sorte, até virar jornalismo.

Não estamos diante de repórteres, mas de personagens brifados para a zombaria. Pior, eles confundem consumidores de notícias, que volta e meia se perguntam por que os jornalistas “tradicionais”  não são tão despojados e combativos nas entrevistas do dia a dia.

Simplesmente porque não são humoristas, cara-pálida.

Fazendo-se essa separação entre as duas profissões, não vejo grandes problemas na liberação do acesso do CQC ao ambiente profissional jornalístico (é o último privilégio da imprensa tradicional: a legitimidade de ter acesso aos protagonistas do noticiário, como o vestiário após os jogos).

O que não é legal é o humorismo atrapalhar o bom desenvolvimento do jornalismo. Aí a coexistência deixa de ser pacífica – e chamar os caras pra porrada, como no caso citado lá no começo do texto, é compreensível.

E, a julgar pelos números de audiência, a fórmula está pra lá de desgastada…

ATUALIZAÇÃO: Nos comentários, nosso colega Sergio Leo (que testemunhou a confusão com o CQC em Brasília) dá um importante depoimento.

A ilustração na edição diária

Isso é uma verdade: desenhista que não fica “dentro da redação” (ou pelo menos não tem intimidade com o noticiário), não pode levar ao cabo a tarefa de confeccionar charge, cartum ou caricatura da edição diária.

Uma das grandes “novidades” que introduzi em A Gazeta Esportiva nos idos de 2000 foi a participação do cartunista nas reuniões de pauta. Conseguimos melhorar – e muito- a conexão entre ilustração e reportagem no jornal no dia a dia.

Infelizmente, alguns ainda consideram “artístico” esse trabalho. É o primeiro passo para esfriar o material e dissociá-lo da edição do dia.

E os canetinhas, como ficam?

A UPP (União dos Fotógrafos Profissionais da França) encontrou uma imagem forte para sua campanha de respeito aos direitos autorais.

Não podemos nos esquecer que, ainda assim, o fotógrafo é um privilegiado com relação a seus colegas de caneta, que não têm a assinatura de obras como prerrogativa e muito menos são remunerados por eventuais revendas de seu material – ok, esta última é uma prática cada vez mais em desuso, mas a que só fotógrafos têm acesso.

Podíamos, todos os jornalistas de texto, fazer um esforço para adquirir alguns dos (poucos) direitos a que nossos queridos retratistas (o termo é carinhoso, viu?) já foram contemplados.

Etnias e a Associated Press

O mundo está tão complicado que a maior agência de notícias do planeta, a Associated Press (mantida por um consórcio de jornalões), atualizou recentemente o verbete de seu manual de redação que trata da conveniência de se referir à raça de algum protagonista do noticiário.

Para a AP, a descrição é pertinente em matérias de procurados pela polícia ou pessoas desaparecidas e sugere que a referência racial seja suprimida do conteúdo on-line assim que foram localizados.

‘O jornalismo impresso vende informação, não papel’

Uma entrevista que concedi a alunos da faculdade de jornalismo da UniverCidade, do Rio.

- O senhor estreou como repórter da Folha da Tarde, trabalhou no Diário do Grande ABC, na Gazeta Esportiva, entre outros; e inovou usando o jornalismo na transmissão de dados online. Como ocorreu essa transição do jornalismo impresso para o online?
Na verdade, ainda estamos em pleno processo de acomodação. Eu não diria transição porque, ao meu ver, o termo pressupõe a substituição de uma coisa pela outra, quando na verdade o que há é a complementaridade entre os dois suportes. O jornalismo on-line começou basicamente como uma mera transposição do conteúdo em papel, a ponto de os sites nem sequer serem atualizados em tempo real (apenas uma vez por dia, mesmo timing do produto impresso). Com o passar dos anos – importante lembrar que a internet comercial chega ao Brasil em 1996 – o conceito de minuto a minuto foi se consolidando, mas mais importante do que ele é a compreensão das ferramentas que a plataforma multimídia colocou à nossa disposição. O meio on-line comporta absolutamente todas as outras mídias (TV, rádio, livro etc), e saber se mobilizar nesse mundo é algo que leva tempo. Pior: nem bem sabemos o que fazer na web e surgiram os celulares e seua aplicativos. Daí toca a aprender a explorar esse novo ambiente. E surgem os tablets. Enfim, é uma corrida sem chegada.

- Com um papel importante na consolidação dos novos processos jornalísticos e como pesquisador de novas mídias, o senhor acredita que o jornalismo impresso corre o risco de acabar? Necessita de renovação? O que precisa mudar?
O jornalismo impresso há muito deixou de ser um produto de massa, e nem por isso acabou. Assim como o rádio não acabou com o papel e não foi exterminado pela TV. As mídias são complementares. Por uma questão de sustentabilidade (seu processo industrial é caro e danoso para o meio ambiente), é natural supor que o jornalismo impresso passaria por uma retração. Porém, em países emergentes como o Brasil, ele ainda tem décadas de expansão. É bem diferente da situação do hemisfério norte, onde a própria penetração da banda larga (e há um estudo ótimo de Alan Mutter sobre o tema) colabora para a queda de circulação dos jornais. Jornalista não vende papel, vende notícia. Pouco importa em que suporte se está. Acho que em grande medida os impressos têm sabido trabalhar de forma complementar com seus sites e oferecer, nas bancas e a assinantes, produtos diferenciados recheados com mais análise e opinião – algo que, fora os blogs, deixa a desejar na web.
- Quais atividades o senhor realiza no jornalismo multimídia e, principalmente, quais realiza hoje e que não desempenhava no jornalismo impresso?
Meu próprio cargo atual só existe por causa do avanço tecnológico (sou editor de mídia social e jornalismo colaborativo), mas posso ser considerado uma exceção entre os colegas. Muito antes da internet eu já gravava áudios e vídeos e fotografava. Nesse aspecto, pessoalmente, não incluí em minha rotina como jornalista multimídia nada que eu já não fizesse antes (claro que para outras mídias que não apenas o jornal).
- O jornal impresso é limitado pelo tamanho das colunas ou pelo tempo, mas na internet, sobretudo blogs, não há limites, como garantir a qualidade da informação? Como perceber os interesses por trás de determinada ideia?
É o grande problema da internet: a falsa impressão de que ela comporta tudo. Não é verdade, existe limite físico de armazenamento de dados. Não só o limite da existência do elemento químico com a qual as mídias armazenadoras são produzidos, mas o próprio limite financeiro de se bancar expansão eterna de servidores para atender a uma demanda específica. No caso do jornalismo on-line, a sensação de que ele proporciona espaço para tudo provoca a catastrófica mania de se publicar tudo, relegando a edição para o último plano. Ora, editar é o ato de escolher, e na internet nós jornalistas deveríamos fazer mais opções – digo entre publicar e não publicar – para limpar um pouco a rede de bobagens. É o grande buraco do jornalismo on-line. Quando à motivação de pessoas que usam a rede para apurar/difundir/analisar informação, preciso deixar claro que eu considero, antes de mais nada, um direito fundamental da pessoa, jamais um monopólio dos jornalistas. Interesses estão por trás de ideias muito antes da internet, é um apanágio da humanidade. Checagem e amplo conhecimento do que pode motivar, por exemplo, uma denúncia é um dos passos para reduzir esse risco.
- E ainda, um bom jornalista passa a ser redefinido como alguém que é bom o suficiente em qualquer mídia. Quais características um jornalista deve possuir para se sair bem no meio multimídia?
Reiterando, o jornalismo trabalha com informação, não com papel, ondas magnéticas ou banda larga. O bom jornalismo como o conhecemos continua com os mesmos critérios. Só há dois tipos de jornalismo: o bom e o ruim.

Boca a boca, ainda a propaganda mais eficiente on-line

Levantamento recente da Nielsen mostra que a recomendação de amigos (taí a galinha dos ovos de ouro das redes sociais) ainda é a propaganda que as pessoas veem com mais credibilidade (92% dos pesquisados). Menos da metade desse universo acredita em anúncios em meios tradicionais.

A publicidade on-line é crível para 33% dos entrevistados – eram 26% em 2007.


O segredo do sucesso da Bloomberg

Criado pelo atual prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, em 1982, a rede de televisão anônima focada em economia (e com aqueles indicadores loucos poluindo a tela) hoje produz cerca de 5 mil matérias por dia em 146 redações distribuídas por 72 países. O canal atinge 310 milhões de pessoas globalmente.

Wikipedia, games e gatekeeping no cardápio de discussões da Compós

Saiu a programação do Grupo de Trabalho Comunicação e Cibercultura da Compós, que este ano se reunirá em Juiz de Fora entre os dias 12 e 15 de junho.

No cardápio, discussões sobre a Wikipedia (incrível como o debate em torno dela nunca morre!), gatekeeping (este sim, em extinção), games e visibilidade midiática.

Esta edição promete!