Arquivo do mês: setembro 2011

A ciência do jornalismo, de Otto Groth, agora em português

Uma boa novidade: o estudo mais importantes de Otto Groth sobre teorias do jornalismo foi traduzido para o português.

O Poder Cultural Desconhecido: fundamentos da Ciência dos Jornais“, da Editora Vozes, tem tradução de Liriam Sponholz e prefácio de Eduardo Meditsch.

Trata-se da obra em que Groth (que trabalhou como redator e chegou a dirigir um jornal alemão) se debruçou até a morte, em 1965, e que oferece uma visão esclarecedora sobre o papel do jornalismo impresso.

Imperdível.

 

Estudo sobre o fantasma da censura no rádio

Interessante trabalho multimídia concebido para exibir o levantamento patrocinado pela Fundação para a Liberdade de Imprensa (Flip) sobre a censura ao meio rádio na Colômbia.

Entre os assuntos abordados no competente material, um que permeia o trabalho jornalístico radiofônico desde sua invenção: a incompatibilidade entre isenção jornalística e a pauta publicitária.

Neste caso, os pesquisadores centraram foco na pressão oficial: como dono das concessões e potencial anunciante, o governo federal exerce uma pressão sem precedentes sobre os radialistas colombianos.

Não é uma realidade muito diferente da que assistimos no Brasil, onde emissoras têm recebido tratamento preferencial do governo, conquistando entrevistas exclusivas com a presidente Dilma Rousseff _desde que assuntos espinhosos, claro, não sejam tratados nas conversas.

Uso de dados, uma ciência

A editora de Tim O’Reilly (ok, não vou dizer mais uma vez que ele foi o criador do detestável, marketeiro e pouco elucidativo termo “web 2.0″) acaba de disponibilizar gratuitamente o livro Big Data Show, que já pode ser descarregado.

Mais do que transformar dados em produto (uma obsessão de Tim e que também diz respeito ao jornalismo), a obra analisa  a ciência que está por trás da coleta, da organização e da apresentação de dados.

Altamente recomendável.

Projeto Tor, o guardião da privacidade na internet

Apareceu uma trincheira para quem defende o anonimato na internet como resposta à vigilância que gigantes como Google e Facebook impõem a nossos passos na rede: o Projeto Tor, desenvolvido pela Marinha dos EUA e que hoje é um caminho para acessar a web que pula a etapa da validação e reconhecimento de seu IP (o RG digital) por um servidor.

Rafael Cabral contou a história em detalhes na última edição do Link, o valoroso e combativo caderno de tecnologia de O Estado de S. Paulo.

Para muitos, o anonimato na internet corresponde tecnicamente à liberdade de expressão como ela é entendida no mundo off-line.

França realiza festival de fotojornalismo


A cidade francesa de Perpignan abriga até amanhã o festival Visa pour l’Image, uma grande celebração do fotojornalismo, neste ano focada na Primavera Árabe que já derrubou três ditadores na região.

Mas o evento não é monotemático e tem imagens como a que você acima, de autoria de Alvaro Ybarra Zavala.

De novo, a importância da curadoria de conteúdo

De Arianna Huffington, em entrevista ao Globo, sobre a importância do conteúdo jornalístico num mundo cada vez mais voltado para as redes sociais e seus “jornais pessoais”.

“Com o tempo, as pessoas reduzem a quantidade de sites que elas frequentam com alguma regularidade. Nos Estados Unidos, não são mais que 20 sites. Então, as pessoas querem o que eu chamo de curadoria, ou seja, querem um conteúdo editado, selecionado. O aspecto social é tão importante quanto a edição à medida que as pessoas vão se acostumando ao ambiente da internet.”

É isso: a massa de mídias e o overload informativo só aumentarão a importância do trabalho jornalístico profissional.

WikiLeaks em guerra contra a mídia tradicional

Julian Assange segue firme em seus cavalos de batalha contra a mídia tradicional, a mesma que, registre-se, tornou seu projeto WikiLeaks célebre.

Agora, Assange acusa o The Guardian de ter sido desleixado e deixar vazar um código de segurança que abriu 251 mil documentos até então não publicados, revelando o nome de diplomatas e colocando outras pessoas em situação constrangedora (para não dizer perigosa).

O jornal britânico se defende e diz não saber como o arquivo que continha o material, removido de seu servidor, reapareceu no BitTorrent _e daí, caiu na rede.

O WikiLeaks já havia rompido com o The New York Times porque o jornalão se recusou a seguir o cronograma de publicações de outros documentos sugerido por Assange.

Convenhamos: quem trabalha com vazamentos não deveria, a priori, se incomodar com um.

Internet, o meio que mais cresce

A internet é o meio que mais viu crescer o faturamento publicitário no primeiro semestre deste ano, alcançando 5,5% de todas as receitas da mídia na rubrica.

Mídia exterior e TV por assinatura aparecem logo depois.

Dispositivos móveis nos EUA, uma questão racial

Estudo do Pew Research Center sobre o uso de telefones celulares nos Estados Unidos aponta diferenças raciais na manipulação dos dispositivos móveis.

Quer dizer, brancos, negros e latinos usam o equipamento de forma diferente, os dois últimos grupos especialmente para entretenimento _e menos para ler notícias.

Isso, pra mim, é uma novidade. E se discute uma maneira de criar produtos especiais para esse público.

Latinos, por exemplos, costumam aparecer no noticiário como protagonistas de matérias de imigração ilegal (ou, no máximo, nas páginas de variedades, com Jennifer López).

Quanto aos negros, eles são foco de apenas 1,9% da cobertura noticiosa nos EUA (esse dado é de Kenneth Maxwell).

Integrar esse público é também outro desafio do jornalismo em novas plataformas.

Comunicação, tecnologia e cultura de rede

O livro “Comunicação, Tecnologia e Cultura de Rede”, com artigos de gente bastante boa ligada à mídia, já está disponível para download.

Aos poucos, a pobre bibliografia brasileira sobre comunicação e avanço tecnológico vai ganhando reforço na prateleira.