Arquivo do mês: fevereiro 2011

O paypal do jornalismo

O Google tinha prometido ajudar os jornais a sair da pindaíba. Para isso, criou um produto, o One Pass.

O serviço é basicamente agregar conteúdo pago selecionado pelo usuário. Tem uma vantagem: não se restringe à web (tudo o que é comprado ali pode ser lido em todas as plataformas).

Yahoo e Apple já tinham anunciado iniciativas semelhantes na semana passada.

Não, a internet não inventou a mobilização popular

A queda de mais um ditador tendo o povo mobilizado nas ruas como ator principal suscitou outro pacote de análises sobre como a vida conectada e as redes sociais são imprescindíveis para o triunfo de rupturas desta envergadura.

Ao mesmo tempo, dezenas de analistas realçam coisas como “se a internet é mesmo tão poderosa, como explicar movimentos revolucionários e populares que se deram em épocas em que nem sequer havia telefones fixos?”.

Óbvio que Hosni Mubarak não caiu porque Mark Zuckerberg criou o Facebook _nem a internet inventou o protesto político.

Mudanças assim acontecem num país porque a sociedade, num longo processo de maturação que não caberia num tweet, passou a pensar de forma diferente.

Nesse contexto, as redes sociais e sua incontestável capacidade de mobilização e difusão de notícias são o ingrediente perfeito para catalisar e amplificar os anseios de um povo em ebulição.

Mubarak desligou a internet no Egito. Em vão: feita pelas pessoas, a rede só reproduz nossas atitudes. São elas que fazem revoluções.

Crescem censura e pressão oficial contra jornalistas

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas divulgou ontem o relatório “Ataques à Imprensa em 2010″, com um panorama bastante completo sobre as pressões que sofremos no exercício profissional na América Latina.

De acordo com Carlos Lauría, coordenador do estudo, o problema brasileiro é a censura judicial, enquanto a pressão do Estado se manifesta de forma mais clara na Venezuela, e as ameaças do crime organizado, no México.

Uma situação que, infelizmente, tende a piorar com o passar dos anos.

Ao menos, com a democratização proporcionada pela web, há mais gente difundindo notícias e contrariando os interesses de governos e quadrilhas.

Fórum de professores de jornalismo muda visual de site

O site do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo está de cara nova.

Algumas coisas que fazem falta no Twitter

Já se falou exaustivamente sobre o que o Twitter tem.

Inti Acevedo conta, neste post, cinco funcionalidades que ele gostaria que o sinônimo de microblog tivesse.

Sem dúvida, a caixa-preta do acesso ao perfil é a ausência mais inquietante. Mas eu, se fosse dono do produto, também não entregaria assim, de mão beijada.

Quem gosta do que?

Um infográfico que divide os usuários de redes sociais por renda, idade, escolaridade e outras cositas más.

A Rosaura Ochoa dá mais detalhes.

As fotos mais impressionantes de 2010


Saíram os vencedores de 2010 do World Press Photo, o principal prêmio do fotojornalismo mundial.

De autoria da sul-africana Jodi Bieber e publicada na Time, a chocante imagem da garota afegã Bibi Aisha desfigurada como punição por ter fugido da casa do marido ganhou o prêmio principal.

Confira a galeria com todos os vencedores.

ATUALIZAÇÃO: Oficialmente este é o  World Press Photo 2011. As fotos concorrentes, claro, foram produzidas em 2010.

A caminho de uma nova teoria dos gêneros jornalísticos?

Ana Mancera Rueda explica, no Sala de Prensa, a quantas anda a compreensão e a discussão, na Espanha, sobre as formas pelas quais nos manifestamos jornalísticamente (reportagem, entrevista, editorial, artigo etc, os famosos “gêneros”).

É uma das disciplinas que atualmente ministro na Faap. Aqui no Brasil, infelizmente, estamos muitíssimo atrasados com relação ao assunto.

Desde Marques de Mello, os gêneros cresceram _e não vão parar de crescer graças ao avanço tecnológico.

Caminhar na direção de uma nova teoria dos gêneros, como esboça Mancera, é tarefa complexa, porém altamente necessária.

ATUALIZAÇÃO: Por uma omissão imperdoável (quem me deu o puxão de orelha foi o colega Rogério Christofoletti), esqueci de mencionar o trabalho da pesquisadora Lia Seixas, referência importante na bibliografia do próprio curso mencionado acima, da mesma forma que a tentativa comparativa de Manuel Chaparro em “Sotaques d’aquém e d’além-mar – Travessias para uma nova teoria de gêneros jornalísticos”, que tenta observar semelhanças e diferenças entre o jornalismo praticado no Brasil e em Portugal.

As mil capas do Babelia, sinônimo de suplemento cultural

Babelia, o suplemento cultural do jornal espanhol El Pais, completou mil edições (e quase dez anos) e disponibilizou esse exuberante acervo de capas.

É um cadernão clássico de cultura que, por anos, seguiu um princípio de diagramação da primeira página na verdade presente até hoje na publicação.

Para consultar e usar como referência.

A proposta da Unesco para o ensino de jornalismo

A Unesco publicou em português uma proposta de modelo curricular (em PDF) para o ensino do jornalismo elaborada em 2007. Omissões absurdas poderiam, a princípio, ser creditadas apenas ao tempo (quatro anos é uma eternidade na internet), mas parecem deliberadas.

O órgão resume assim o processo: quatro “especialistas” da entidade elaboraram um esboço depois apresentado a 20 professores “com reconhecida experiência na profissão” (de professor ou de jornalista? Não sabemos). Eles se encarregaram da descrição de cada disciplina e do esboço “das competências fundamentais do jornalismo”.

Depois, um grupo ainda mais numeroso espalhado pelos cinco continentes escreveu o programa das 17 disciplinas fundamentais. Foi um trabalho valoroso que, pese a bibliografia desatualizada, não faz feio ao que hoje se ensina nas faculdades de jornalismo brasileiras.

Mas há outros problemas. A palavra “inovação” não aparece no texto de 161 páginas.

Assim como “empreendedorismo”, que é um tema importante a se debater com pessoas que trabalharão numa área na qual iniciativas individuais cada vez mais conquistam espaço e remuneração.

Insuficiente também a preocupação com o avanço tecnológico, que na proposta da Unesco aparece associado apenas ao jornalismo on-line, quando precisa estar espalhado por toda e qualquer disciplina de um bom curso.

Não existe menção a dispositivos móveis, e o termo “celular” aparece uma única vez quando se fala sobre SMS. Em 2007, o iPad nem existia.

Precisa de um banho de loja essa grade curricular.