Arquivo do mês: janeiro 2011

Testemunha ocular da história


Impressionantes as imagens e a narração do radialista Herbert Morrison, que acompanhou a tragédia do Hindenburg, o último grande dirigível de passageiros, que pegou fogo em 6 de maio de 1937 em Nova Jersey (EUA). Das 97 pessoas a bordo, 35 morreram.

Por que o Facebook é um bom investimento

Apesar de Amazon, o rei do comércio on-line, e Google, o dono das buscas, valerem mais, Juan Varela explica porque o Facebook “parece ser um bom investimento”.

“É a joia da economia da atenção. Seus ativos são a privacidade, a afetividade, o tempo e o consumo dos usuários. Um gerador de conteúdo e relacionamento imprescindível para a publicidade, o e-commerce e a política”.

Consultor discute como dar sentido à massa de dados na rede

Segue abaixo crítica que fiz do livro Pull (publicada ontem pela Folha). Nele, David Siegel consegue explicar a evolução da web semântica, sem entretanto escapar de uma coleção de clichês e do inevitável “você ainda vai ganhar muito dinheiro com isso” que povoam 100% das obras traduzidas sobre o tema para o português.

“Ainda que sem dolo, Tim O’Reilly fez um grande mal à internet ao batizar seu evento para debater o futuro da rede como Web 2.0, termo que se revelou apenas mais um rótulo marqueteiro.

Trata-se de uma evolução impossível de pontuar aleatoriamente em números simplesmente porque alguém decidiu que é assim.

David Siegel é sutil ao prever que, quando todos os aplicativos forem hospedados na “nuvem” (ou seja, na web, não em hardwares), chegaremos à fase 4.0.

Outro rótulo, mas “Pull – O Futuro da Internet e o Impacto da Web Semântica em Seus Negócios” está forrado deles. Alguns, porém, são surpreendentemente bons.

Por exemplo, explicar web semântica como algo “inequívoco”, como faz Siegel, é bem didático e esclarecedor.

E o que isso significa? Que, se eu procurar informações sobre uma pessoa, as chances de chegar a um homônimo serão bem próximas do zero.

Essa é a vantagem de uma estrutura semântica numa rede que, afinal de contas, serve para coletar e organizar informação, pessoal ou não.

É nela que repousa a crença de Siegel em que a economia será revolucionada por armários de dados pessoais com todas as nossas preferências _que poderão, graças à semântica, ser acessadas rapidamente.

Desde que a web é web, ela precisa ser semântica, necessidade básica cumprida com algum louvor _não avançamos por acaso da fase da navegação impessoal em páginas iniciais para a estruturada na busca. Os algoritmos das ferramentas de pesquisa procuram todo o tempo atribuir significado ao conteúdo.

A questão é que o passo definitivo tem de ser dado por milhões de indivíduos, os consumidores e produtores de conteúdo, principais responsáveis pela catalogação inequívoca de seus próprios dados. Ao lado disso, a criação de bancos de dados com todas as nossas transações comerciais e pessoais (já em curso) joga um papel decisivo nesse processo.

Siegel escreve ainda sobre o que seria uma revolução: que a web profunda, ou cerca de 90% da rede, pudesse estar disponível. É um caminho distante, mas que também já começou a ser trilhado.

Hoje, essas informações em boa medida estão escondidas dos mecanismos de busca, mas, aos poucos, começam a ser indexadas.

O centro da atividade on-line é o indivíduo, diz Siegel. Faz todo sentido numa época em que pessoas são muito mais importantes que instituições. O usuário está no controle, mas, para conhecê-lo melhor (e mais rápido), as empresas terão de modificar radicalmente a forma como se relacionam com ele.

Se a obra de Siegel não é uma visão nova ou revolucionária sobre o momento que estamos vivendo agora, ao menos nos reforça o caráter inevitável da transformação.”

Censura política na Rússia, quem diria, parece a do Brasil

Muito interessante texto de Evgeny Morozov, originalmente publicado pelo NYT e que o Estadão replicou ontem.

Nele, conta como o Kremlin atua na censura a opositores políticos.

“Exércitos de internautas pró-governo encarregam-se da tarefa e atacam sites opositores. Os ataques são apenas um dos vários modos pelos quais o Kremlin controla o conteúdo da rede. Muitos dos provedores do país pertencem a oligarcas amigos e empresas controladas pelo governo, que não hesitam em suspender usuários e blogs independentes”, conta Morozov.

Não difere muito da estratégia brasileira, onde o governo paga um pelotão de barnabés e ex-jornalistas para caluniar, mentir e dourar a pílula sobre seus feitos.

A China e seu megafirewall associado a 150 mil censores que fazem o trabalho na unha, positivamente, estão na pré-história.

Pronto: já estão achando que o tablet vai substituir o jornal

Demorou, mas começou a onda de análises que colocam os tablets (com o iPad na linha de frente) como os substitutos dos jornais.

A previsão é que 70 milhões de unidades do produto (das quais 50 milhões de aparelhos da Apple) sejam vendidos apenas nos Estados Unidos em 2011.

Em “The Newsonomics of tablets replacing newspapers”, Ken Doctor analisa ponto a ponto, e pela ótica econômica, a possibilidade real do tablet se transformar num produto a ser levado muito a sério pelo jornalismo.

Eu acredito nisso. Mas, de novo: não tentemos achar um substituto para o papel. O papel é insubstituível. Se ele continuará abrigando notícias, é outra história.

Em grandes furos de reportagem, a sorte é preponderante

Um furo de reportagem não depende só de competência e experiência. A sorte é um fator preponderante, ainda mais hoje, em que há excesso de informação circulando (e gente correndo atrás dela).

Não era assim, claro, no dia 8 de dezembro de 1980, quando o ex-Beatle John Lennon foi baleado diante de seu prédio, o célebre Dakota, em Nova York.

Levado ao pronto-socorro do hospital Roosevelt, Lennon não resistiu aos ferimentos. No mesmo local estava Alan Weiss, que era produtor da rede ABC e tinha acabado de sofrer um acidente com a moto pela qual se deslocava em NY em busca de notícias. Achou A notícia.

O áudio original da ligação de Weiss para a ABC é perturbador. O trecho traz ainda o anúncio oficial da morte, dado por um locutor durante o tradicionalíssimo Monday Night Football.

2011, o ano pela liberdade de expressão

Não sabia, mas 2011 é o Ano pela Liberdade de Expressão, de acordo com a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa).

Venício Lima discorre, no Observatório da Imprensa, sobre os documentos que dão base a essa ideia.

Levando-se em conta que 2011 pode ser também o ano em que controlaremos o conteúdo de rádio e TV (é o que pretende o novo governo), essa discussão promete.

A face moderna das notícias

O veterano jornalista inglês Richard Ingrams, 73, fez uma visita à redação do Telegraph registrada pela BBC em áudio.

“Ah, quer dizer que não se fuma mais, mas se bebe?”, pergunta ele, criador de algumas das mais importantes revistas humorísticas do país.

Ingrams notou ainda que o Telegraph tem poucos livros, muitas mulheres trabalhando e bastante silêncio _aliás, presenciei recentemente dois episódios em que pessoas pediam “silêncio” na redação, o que é um absurdo completo (quem quer silêncio em jornalismo tem de trabalhar em assessoria de imprensa de hospital).

A não perder, como diria o António Granado, quem descobriu essa pérola e cujo Ponto Média completou 10 anos. Parabéns.

Como se procurava emprego numa redação em 1965

Um achado: como se procurava emprego em jornalismo em 1965. Tem de olhar com calma porque se trata de uma espécie de “guia do estudante” norte-americano que tem muita bobagem _e muita coisa datada também. Uma megadescoberta.

Em 1933…


…até Lampião, no sertão nordestino, lia jornal impresso.

(fotografia sensacional do acervo do jornal O Globo)