Arquivo do mês: novembro 2010

Politiken, o jornal do ano na Europa

O diário dinamarquês Politiken (sim, significa “Política”) conquistou o Newspaper Award de 2010.

Não consegui ver muita coisa da publicação em papel, que é a que se refere o prêmio.

Na web, porém, nota-se facilmente dois aspectos em geral bastante criticados em sites noticiosos: primeiro, a opção pelo texto: há, de longe, palavras em excesso e ícones e imagens de menos.

Ainda, a despreocupação com o tamanho da página inicial, tornando sua navegação uma longa estadia na barra de scroll.

Mas está longe de ser uma página desinteressante.

ATUALIZAÇÃO: Vi home pages recentes do Politiken e não, não há a obsessão pelo texto, ao que parece. É um site noticioso bem desenhado.

O estado das marcas no Facebook

O gráfico abaixo tem informações bacanas sobre a presença (e a atuação) de grandes corporações no maior site de rede social do mundo.

Por isso insisto tanto na necessidade de os veículos jornalísticos estarem ali, no mesmo nível de seus consumidores, trocando informações e impressões sobre o produto.

Publicidade de rua é mais eficiente para jornais e revistas, diz estudo

Interessante: no Reino Unido, segundo estudo recém divulgado, o canal de divulgação publicitário mais eficiente para o negócio de jornais e revistas é a propaganda exterior (cartazes, outdoors, panfletos etc).

Para cada libra investida, esse meio retorna 1,29. Todas as outras mídias _pela ordem TV (0,77), impressos e rádio (0,50) e internet (0,39) dão prejuízo.

A indústria de bens de consumo, por outro lado, obtém resultados melhores ao anunciar na mídia impressa (1,47 de retorno por libra investida).

Anunciar em papel também é, e de longe, um ótimo negócio para as empresas de telecomunicações com operações no país: nada menos do que 11,31 de volta por libra empenhada.

O mesmo levantamento mostra que quem trabalha com turismo e comércio varejista se dá melhor ao gastar a verba publicitária no rádio.

Algumas observações sobre esses dados: a Brand Science, responsável pela pesquisa, é uma empresa de marketing que tem entre suas especialidades justamente ações exteriores. Mais: a íntegra do trabalho não foi divulgada, e há dúvidas sobre sua abrangência e metodologia. Ainda: jamais compare Brasil e Reino Unido.

De toda forma, parece lógico que o contato visual direto com o cliente em pontos de venda (ou próximo deles) tende a favorecer o jornalismo impresso. Acho, inclusive, que sempre foi assim.

Jornal impresso: extinção não, perda de relevância

O monótono debate sobre o fim dos jornais impressos parece, enfim, ter chegado ao ataque adequado.

À “linha de extinção” de Ross Dawson, que mostramos aqui há duas semanas destacando que tratava-se de uma análise (ainda que contestável) sobre relevância, não uma previsão sobre sua extinção, acresceu-se agora outra, que pegou dados gerais de circulação na Europa e os dividiu pela população.

Por esse critério, nota-se que os países nórdicos, além de curiosidades como Luxemburgo e Liechtenstein, aparecem no topo da cadeia entre os consumidores de jornais. Logo, é possível dizer que nessas regiões o jornal possui mais importância do que, genericamente, costumamos determinar.

É o que acontece em países ainda em desenvolvimento, como Índia (que possui o maior número de títulos pagos do mundo, 2,5 mil) ou China (que tem mais jornais entre os 100 maiores em circulação no planeta).

Há anos estamos dizendo aqui que o jornal impresso, como o conhecíamos, já experimentou uma mudança importantíssima, deixando de ser um produto de massa. Há outras opções informativas (e mais agradáveis do ponto de vista tecnológico) a dividir atenção com o papel tingido de notícias e serviço.

Além de tudo, esse produto piorou e, em boa medida, passou a repetir as informações que o jornalismo on-line tem horas de vantagem na divulgação _isso também certamente explica essa perda de relevância a qual voltamos a comentar hoje.

Porém é impossível tentar imaginar o simples desaparecimento de algo cultural e enraizado. Insisto na aposta do jornal impresso como produto premium, mas é algo que, no Brasil, por exemplo, ainda está distante de ser debatido. Temos décadas de jornal na banca pela frente ainda.

Mais de 300 contatos de pesquisadores da comunicação

Quem procura pesquisadores e grupos de estudos da Comunicação no Brasil (aliás, todo o dia alguém me pergunta a respeito) tem nesse post do Rogério Christofoleti um índice precioso com mais de 300 contatos.

Há, ainda, uma expansão lusófona com o povo que (e eu me incluo modestamente) tem se dedicado a analisar as transformações pelas quais passam os processos comunicativos com o avanço tecnológico e a mudança comportamental.

É muito interessante poder dividir conhecimento com colegas tão relevantes como os listados lá.

A ausência de limites da tecnologia

Um casal gay do Texas conseguiu consagrar seu casamento mesmo com a proibição da união civil de pessoas do mesmo sexo no Estado.

Como? Ele recorreu ao Skype e a um oficial a quilômetros de distância, em Washington DC, onde o casamento homossexual é permitido.

Não há, nas leis texanas, nada contra o “e-casamento”. Logo, está tudo valendo.

Outro exemplo da ausência de limites que só a tecnologia dá para a gente. Sabendo usar, não vai faltar.

Sim, volto já


De ressaca pelo jogo do Corinthians, prometo voltar em breve…

Organização e planejamento no videojornalismo

Já falei aqui do trabalho de Ruud Elmendorp, que se intitula videojornalista e tem um trabalho interessante em reportagens na África (onde é mais fácil fazer bom jornalismo, convenhamos, diante de tanta pauta nova).

Organizado, ele disponibiliza também os roteiros das matérias e mostra que, sempre, a disposição de se fazer reportagem.

Como ele publicou exemplos novos, é legal dar um pulo lá para conferir.

Você já ouviu falar em 4D?

Você já ouviu falar em 4D?

Eu não, até ler isso aqui.

Claramente uma farra em cima de um rótulo.

É como, por exemplo, se referir a etapas da evolução da web usando números mais afeitos à indústria automobilística, tal qual 3.0 ou o que o valha.

A campanha de Marina Silva não fez isso tudo

Caio Túlio Costa pode ter acertado ao dizer que sem a internet não haveria segundo turno na eleição presidencial, mas certamente errou ao creditar essa avaliação à expressiva votação de Marina Silva (PV), que ficou em terceiro na disputa ao Planalto.

A equipe da verde tem participado de alguns encontros para fazer as pessoas crerem que seu trabalho na internet foi determinante para o resultado das urnas. Enganoso.

Além de única campanha com mobilização em rede pré-existente, a candidatura ainda virou natural beneficiária da polêmica religiosa ocorrida entre primeiro e segundo turnos (Marina não apenas parece, ela realmente crê nessa coisa retrógrada que relaciona punição divina a quem pratica o aborto).

Costa, uma referência em gestão editorial, diz orgulhoso que “nem Leonel Brizola teve 20 milhões de votos”.

Claro: a última vez que o caudilho gaúcho-carioca se submeteu ao escrutínio do eleitor foi em 1998, o que elimina qualquer possibilidade de comparação.

A “onda verde” foi uma entrada a preceder o banquete, fomentado pelo jornalismo impresso, que culminou com a queda de Erenice Guerra da Casa Civil.

Ao mesmo tempo a internet estava sendo usada da forma mais baixa, mas como sempre houve na humanidade, para espalhar mentiras e bobagens em correntes de e-mail e sites de redes sociais _tendo como pano de frente o detestável caráter religioso.

O spam do mal teve muito mais reflexo no resultado da urna do que propriamente o propalado sucesso da equipe de Marina na rede.

Aliás, o oposto: quem tuitava pela senadora causou problemas ao repassar mensagem em que a morte do escritor José Saramago foi reduzida ao passamento de alguém “que blasfemou contra deus a vida toda” e por causa disso não deveria ser lamentado.

Nunca antes neste país a expressão “devagar com o andor” fez tanto sentido.