Arquivo do mês: maio 2010

A convergência de mídias agora já vem original, de fábrica

A convergência de suportes agora já está vindo de fábrica. Nesta semana, o UOL anunciou uma parceria com a empresa sul-coreana LG para o desenvolvimento de conteúdo específico. Até aí, nenhuma novidade.

O bacana da história vem agora: “Textos, vídeos e fotos das estações Notícias, Entretenimento e Esportes, além de uma home page do portal UOL editada especificamente para esse canal, estão disponíveis na nova geração de aparelhos da LG, que possuem acesso à web”, informou o portal.

O interessante dessa convergência TV-Web é que o UOL participou diretamente do desenvolvimento de peças para a plataforma, ou seja, não se trata de mera transposição de meios.

Júlio Duram, diretor de Interface do UOL, explica que houve, por exemplo, estudo de usabilidade para que a apresentação do conteúdo ficasse adequado numa tela bem maior do que a do computador.

“A convergência entre os meios de comunicação era inevitável. A agilidade na circulação das informações acontece graças à internet e, hoje, ninguém quer esperar para receber as notícias se existem meios de acessá-la em tempo real. Entramos na era do sofá, onde os usuários podem se conectar entre um programa e outro sem ter de levantar e pegar seu notebook. Basta um click no controle remoto, o que muda a maneira de olhar para os aparelhos de TV”, afirma Duram.

As novidades, em nosso meio, não param…

Projeto experimental usa agregador para festejar os 200 anos da independência argentina

Parte da famosa avenida 9 de Julio, em Buenos Aires, já está com quatro faixas ocupadas pelos estandes que representam cada uma das provincias do país. A motivação é nobre: os festejos do bicentenário da independência do país (a data exata é 25 de maio).

Na web, a iniciativa mais bacana até agora é o Tu Bicentenario, um projeto jornalístico que se apresenta como “experimental e baseado no uso de ferramentas sociais da internet e com a colaboração vital dos usuários”.

Na prática, funciona como um fantástico agregador do conteúdo que as pessoas estão produzindo agora em diversas frentes on-line.

A insuportável indignidade de ser repórter

John Carlin escreve um texto bastante forte (e direto) sobre o que ele chama de “a insuportável indignidade de ser jornalista”.

Basicamente é o desabafo de um repórter esportivo obrigado a conviver com milionários (os personagens das notícias, ou seja, jovens jogadores alçados de repente ao estrelato) e as dificuldades de entrevistá-los.

“A primeira exigência para ser um repórter é a persistência, virtude admirável condenada sempre a beirar a humilhação”.

Carlin descreve como nós, em busca de um entrevista, somos obrigados a esperar e suplicar (às vezes, rastejar). No caso de esportes, e ele detalha isso bem, é clara a distância entre jornalista e fonte _de fato, muitas vezes é mais difícil conversar com a nova estrelinha do futebol do que com o próprio presidente da República.

E há saída? “Vingar-se da profissão e virar assessor de imprensa de um clube ou encontrar a salvação na pré-aposentadoria jornalística do escritor de colunas opinativas”, receita.

Hilário, ao mesmo tempo triste, mas absolutamente verdadeiro.

O Facebook como ferramenta de auxílio a entrevistas

O jornalista André Lobato, da Folha de S.Paulo, fez uma experiência interessante neste final de semana: usou o Facebook para entrevistar (de forma pessoal, não solicitada pelo periódico) a deputada federal gaúcha Manuela Davila.

Sua primeira observação é que a ferramenta é pouco ágil para este gênero jornalístico: aguardar as atualizações (ou seja, as respostas do entrevistado) tomou muito mais tempo do que sugeria. No final das contas, uma “conversa” de cerca de 30 minutos se reflete em pouco conteúdo digitado.

A vantagem é a quantidade praticamente ilimitada de caracteres e o registro permanente, ainda que num ambiente onde seus dados não pertencem a você, mas ao Facebook.

Não posso afirmar que tratou-se da primeira entrevista no Brasil via a rede social, mas certamente foi uma das primeiras. Bem por isso o registro aqui. Se você conhece outras iniciativas do gênero, me avise.

Gay Talese está ficando gagá

Gay Talese, 78 anos, definitivamente, está ficando gagá.

O pai do novo jornalismo (novo?) dá mostras evidentes de senilidade numa entrevista publicada sábado pelo jornal espanhol El Pais na qual, entre outras asneiras, diz que a chegada das mulheres ao jornalismo e outras posições de poder converteram os escândalos sexuais em notícia.

“Tivemos uma revolução sexual e graças a ela agora você pode viver com seu namorado sem se casar, mas se você tem um rolo fora do casamento… Veja o caso de Tiger Woods e suas amantes, como se ele as tivesse obrigado a dormir com ele”, disse Talese à atônita repórter Bárbara Celis.

Tem mais. “Quando alguma coisa é realmente boa, acaba chegando aos jornais”, afirma, ao justificar seu desinteresse pelo jornalismo on-line ou qualquer coisa que signifique avanço tecnológico (Talese nem sequer tem celular e seu telefone fixo, num elegante apartamento de Nova York, exibe um vistoso fio ligado à parede).

Para não ser de todo maldoso, há coisas bacanas na entrevista (mas leia se quiser descobrir, eu não vou contar).

De verdade? Eu acho que a gente devia deixar certas pessoas em paz.

Ludibriar as pessoas por meio de links patrocinados vira crime no Brasil

Atenção, empresas jornalísticas: enganar usuários por meio de links patrocinados que fazem você se passar por um concorrente virou crime no Brasil. Resumindo: comprar palavras-chave capciosas para direcionar o consumidor para um lugar onde ele não queria ir, agora, é passível de punição legal.

“A decisão é a 10ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) ao condenar dois representantes de uma empresa a pagar indenização à concorrente por ter fraudado através dos principais mecanismos de busca na internet (Google, Terra, entre outros) (…) que, ao digitar o nome da concorrente nos mecanismos de busca, encontravam o nome da empresa-ré”, informa a assessoria da Opice Blum Advogados Associados, um dos primeiros escritórios do país a se especializar em direito digital.

Não vou dar nome aos bois porque não tenho provas (não fui espirituoso e esqueci os benditos printscreens), mas repare como fácil se deparar com algumas malandragens exatamente do mesmo gênero perpetradas por grupos jornalísticos (alguns de grande envergadura).

Ainda ontem discorri sobre a sugestão do ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que vê no Marco Civil Regulatório da internet uma possibilidade de criar “a Constituição da web”, justo num país em que as leis já existem, apenas não são transpostas corretamente para o meio eletrônico.

Essa decisão, de certa forma, ajuda a provar isso. Tratou-se da primeira condenação criminal do país envolvendo o uso malicioso do link patrocinado.

Cumpram-se as leis vigentes e bastará.

A internet precisa de uma Constituição?

A internet precisa mesmo de uma Constituição específica, como defende o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto?

A declaração, é claro, foi dada no contexto da consulta pública para o estabelecimento do Marco Civil Regulatório da web no Brasil (e sobre a qual pesa a responsabilidade de tipificar tecnicamente o ambiente, mas também a sombra de acolher propostas que atentam contra a liberdade de expressão, como já comentei).

A consulta, aliás, segundo dados do próprio Barreto, já recebeu 750 contribuições neste ano.

Pessoalmente, eu vejo a judicialização com preocupação. Temos leis suficientes, falta interpretá-las e transportá-las para o ambiente da web.

O marco regulatório pode ajudar, isso sim, na definição técnica e operacional do suporte _justamente onde a Justiça se enrola quando tem de deliberar sobre litígios ou delitos na internet.

Demitidos, jornalistas se organizam para ‘discutir a relação’ com o jornal

Cerca de 60 coleguinhas demitidos num passaralho no The Baltimore Sun se reuniram agora num site para contar suas histórias _basicamente, sua relação com o diário (alguns tinham longa ficha de serviços prestados à publicação).

Não deixa de ser uma lembrança, para a gente, de que a crise do jornalismo impresso nos Estados Unidos está muito distante da nossa realidade nos países emergentes, onde pessoas recentemente começaram a comer de forma decente.

Temos alguns anos pela frente antes de nos lembrarmos com nostalgia dos dias de glória do impresso, como retrata o romance The Imperfectionists, de Tom Rachman, recém-lançado.

Jornais e TVs investem contra portais de internet

Chegou à Procuradoria Geral da República uma representação que promete provocar bastante barulho: ANJ (Associação Nacional de Jornais) e a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), em nome dos veículos de comunicação brasileiros, consideram que portais de internet (casos específicos de Terra e Ig) controlados por estrangeiros estejam descumprindo a determinação constitucional que limita a 30% a participação forasteira no capital de grupos de mídia.

“Entramos com a representação com base em duas premissas: o de que a internet não é uma terra sem lei e o de que algum órgão público tem que fazer valer uma regra constitucional que está sendo flagrantemente desrespeitada”, disse Daniel Slaviero, presidente da Abert.

O grupo português Ongoing, dono dos jornais Brasil Econômico e O Dia, também está na mira das entidades patronais do mainstream.

É polêmica para mais de metro.

O Terra, por exemplo, pertecente à espanhola Telefónica, diz que não é um grupo de mídia, mas uma empresa de tecnologia. Fato, mas que produz conteúdo, como todo mundo sabe.

No cerne do tema não está a Constituição, mas uma mera questão de concorrência. Coincidentemente, justamente com a internet, que tantos apontam como a responsável por tomar leitores dos jornalões…

Reiventando o jornalismo, por Ethevaldo Siqueira

Texto de Ethevaldo Siqueira publicado há um par de dias de no Estadão é obrigatório para quem trabalha profissionalmente com informação. Intitulado ‘Reiventando o jornalismo’, fala sobre as mudanças pelas quais a profissão passou com o avanço tecnológico e a era de uma imprensa para cada um _mantras bem conhecidos de quem lê o Webmanario.

Duas coisas que merecem destaque: “Um exemplo de herança antiga que sobrevive é a atitude imperial de alguns colunistas e editorialistas, que ainda se comportam como donos da verdade e parecem ignorar solenemente a opinião dos leitores.”

Isso realmente é uó.

Como é uó o patrulhamento, a grosseria e ausência de noção de ridículo de quem comenta ou quer participar exibindo intolerância e ausência de recurso argumentativo e vernacular.

Tá tudo lá no texto do Ethevaldo.