Arquivo do mês: dezembro 2009

Infografista faz serviço completo e reconstitui, em texto e gráficos, naufrágio no Egito

Numa das muitas conversas e aulas que tive com Alberto Cairo por ocasião do Master em Jornalismo Digital Multimídia, ficou patente o distanciamento (cultural e de interesses, portanto) entre jornalistas “de texto” e os infografistas, aqueles que trabalham no departamento de “arte” _definição que causa calafrios em Cairo.

No geral, observamos nas redações um distanciamento quase completo entre as duas áreas. É cada um na sua, e pior, sempre praguejando contra o outro. É um dos motivos para que o jornalismo visual (uma necessidade impressa e um imperativo on-line) caminhe a passos tão lentos numa época em que tudo anda muito rápido, menos essa relação.

Assim como comentei um dia que se jornalista e nerd são a mesma pessoa as coisas têm mais chance de começar (e terminar) bem, se o infografista tem espírito de repórter há uma oportunidade desse abismo entre departamentos ser minimizado _claro, também investimos contra os colegas de TI, e eles contra a gente.

Bem, o infografista Emilio Amade, do espanhol El Mundo (aliás, jornal onde Alberto Cairo brilhou no comando da “arte”), arregaçou as mangas (permita um clichê, vai) e foi atrás de testemunhas de um naufrágio para recontar, em imagens e texto, a história do Coral Princess, que foi a pique em águas egípcias levando consigo dois mergulhadores espanhóis que viajavam num grupo de 14, mês passado.

Uma demonstração de que, na medida do possível e respeitando os perfis, existe a figura do jornalista multitarefa. Aquele praticamente capaz de fazer tudo.

É verdade que o jornalismo é um trabalho em grupo, e é belíssimo quando esse conjunto consegue ser amarrado com perfeição. Mas que a gente precisa de mais iniciativas como a de Amade, não resta dúvida.

Em quem os jornalistas acreditam?

Os jornalistas confiam em ONGs, em si próprios (!) e na ONU, essa entidade que deixou de ter relevância quando foi solenemente ignorada pelos Estados Unidos na segunda Guerra do Golfo.

Os dados são de uma pesquisa que ouviu 1,8 mil coleguinhas de 356 redações em 18 países.

diferenças importantes de país para a país, mas a média global da confiança dos jornalistas é representada no quadro que abre este post.

Absolutamente preocupante.

Essa eu vi primeiro no Blog do GJOL.

‘Jornalcídio’ ameaça dedicação à profissão

Pelo menos 15 mil jornalistas já perderam o emprego neste ano nos EUA. A cifra está bastante próxima de igualar (ou até mesmo superar) o banho de sangue do ano passado, quando 16 mil colegas foram para o olho da rua.

Alan Mutter, autor de brilhante estudo que relaciona a penetração da banda larga residencial ao declínio das tiragens dos veículos impressos, faz uma reflexão não sobre quem já estava no mercado, mas que diz respeito a toda uma geração de jornalistas que está saindo das universidades e, agora, encontra muito mais dificuldades para começar na profissão numa única função _é a profusão de frilas substituindo o trabalho regular numa redação.

Para ele, a sociedade como um todo sentirá essa lacuna. “Essa perda”, diz ele, “privará, no futuro, os cidadãos dos insights que só podem ser entregues por profissionais que se dedicam a um trabalho”.

Em infografia e reportagens multimídia, 27 representações da crise financeira global

A crise financeira que eclodiu em 2008 era só uma marolinha?

Não sei, mas o jornalismo visual produziu toda forma de representação da catástrofe político-administrativa que levou o planeta à beira do caos.

Algumas coisas já conhecíamos, outras são novidade.

Importante é que se trata de infografias ou reportagens multimídia que nos ajudam a pensar em coisas diferentes e bacanas. É essa nossa principal função, dos jornalistas, nos tempos de hoje.