Arquivo do mês: dezembro 2009

Busca em tempo real dá musculatura à suíte

O parceiro Leonardo Fontes deu sequência ao bom papo que tocamos por aqui ao discorrer sobre a chegada do tempo real às buscas do Google, por nós lida como a fragilização do furo _motivo: quem publica depois, aparece primeiro.

Daí Leopoldo Godoy, outro companheiro velho de guerra, mudou o rumo da discussão ao levantar que a grande sacada da busca em tempo real do Google é a utilização do mesmo algoritmo que norteia a versão standard da marca, ou seja, que a classificação deverá ser feita em ordem cronológica reversa sim, mas respeitando-se a autoridade dos links, ou seja, suas citações na web e, consequentemente, sua relevância.

Pois revisitando o conceito, Leonardo Fontes encontra um patamar mais adequado para se discorrer sobre o tema. Juntando quem deu por último com quem deu com mais propriedade, chegamos à verdadeira beneficiada pela busca em tempo real: a suíte.

Sim, atualizar o quanto possível o material noticioso, com notas frescas e contextualizadas. Quem publicar material mais atualizado por último é quem sairá ganhando. Quem atualizar com frequência suas matérias, mudando a embocadura com o passar das horas, deve figurar no topo das buscas.

Portanto, está preservado o principal objetivo do jornalismo profissional: dar antes, e melhor (com o meio on-line, esse “melhor” é uma eterna página em branco em busca de novas informações).

Dar por último e abandonar o assunto

50 marcas que sabem se comunicar com o público no Facebook

Como 50 marcas estão conseguindo se comunicar com seu público e ganhar reputação (e dinheiro) usando com inteligência as redes sociais?

Neste slideshow, a The Big Money e a Slate mostram os segredos de quem está se mobilizando no Facebook em sintonia com a ex-plateia.

De novo, algumas lições pra gente aplicar às marcas jornalísticas.

Trabalhos que dão vontade de copiar

O uso do Google Earth num viral do Discovery é o tipo de trabalho que me dá ideias para aplicar no jornalismo.

É óbvio que coisas irrompendo, em geral, só funcionam na publicidade _e que você, para entender do que estou falando, terá que jogar o jogo.

A proposta é pensar numa forma mais ágil e moderna de agregar vídeo às incríveis imagens de satélite (que não são em tempo real, bem entendido) que compõem este aplicativo do Google.

Pense em sobrevoar São Paulo e clicar, digamos, no Parque Antarctica e ser direcionado para gols de partidas que aconteceram ali. Ou então selecionar o Teatro Municipal, na Praça Ramos, e ter acesso ao preview em imagens das produções em cartaz.

Deixando, para isso, o player totalmente sob o controle do usuário. Básico. O jornalismo não invade _a publicidade, sim.

É claro que há toneladas de exemplos de vídeo associado ao Google Earth. Mas a nossa parte quase sempre é a mais modesta (o público parece manejar melhor essa linguagem do que a gente).

Isso acontece em boa medida porque falta o respaldo para a inovação.

Jornalismo não é mais só contar histórias?

O que é o jornalismo, senão contar histórias? Jeff Jarvis, professor da Universidade de Nova York, descreveu os motivos pelos quais discorda desse mantra.

Ele lembra que existem muitas novas formas de jornalismo surgindo. Dados, algoritmos, colaboração, crowdsourcing… E que tudo isso, quando condensado, também ajuda a contar histórias.

A conclusão é a de que jornalismo é um processo. As histórias, apenas um produto.

O alerta de Jarvis: se nos assumirmos apenas como contadores de histórias, estamos nos limitando e desprezando todo o resto.

O passo adiante disso a gente já sabe como se chama: curador de conteúdo.

Busca em tempo real fragiliza o furo

O recente anúncio de que o Google já está testando e vai lançar o serviço de busca em tempo real só reforça a tese do brilhante Leonardo Fortes _cidadão do mundo e que faz falta por estas bandas.

A chegada do tempo real ao maior serviço de busca da web significa, para Leonardo, que no jornalismo será premiado quem for o último a publicar, não quem deu o furo. Toda uma subversão dos valores a que estamos acostumados.

Faz todo sentido, porque afinal de contas, se os resultados passarão a ser mostrados do mais recente para o mais antigo, quem publicou depois vai aparecer na frente de quem deu antes. É claro que quanto antes o seu conteúdo estiver na rede, distribuído em ferramentas de mídia social, melhor a sua chance de atrair mais público (o que definitivamente pode ser capaz de ainda valorizar a agilidade e a qualidade de apuração).

Mas do ponto de vista estritamente do Google, a análise de Leonardo (síndico de um condomínio de blogs e ativista de primeira hora da web) é perfeita.

Estudos em Jornalismo e Mídia

Não tenha dúvida de que jornalismo se aprende bastante na prática. Mas a discussão de fundo sobre a profissão está em outro lugar, a universidade.

Tire a semana para ler o caderno Estudos em Jornalismo e Mídia, editado pela UFSC e coordenado pelo Rogério Christofoletti.

Muita coisa bacana.

Resumo da semana no Webmanario

Vou copiar descaradamente o 233Grados, superblog com noticiário de mídia, e relacionar coisas legais que passaram pelo Webmanario nesta semana.

1. Seu jornalista não dá furos? Tomate nele! (excelente viral de jornal da Nova Zelândia)

2. O dia em que o jornalismo derrubou o Orkut (bobagens nossas de cada dia quando queremos publicar a matéria o quanto antes)

3. Os jornalistas acreditam em ONGs, em si próprios e na ONU! (pesquisa mostra o quanto nosso nível de credibilidade nas instituições é surreal)

4. Compram-se jornalistas (os que acusam os colegas de serem vendidos são os que foram comprados)

Webmanario sob ataque

Socorro, este site foi invadido e está gerando tráfego a quem não devia.

Em hipótese alguma clique em hiperlinks que levem aos endereços hqgeneric.com, pharmacyship.com, hqdrug.com e hqgenerics.com.

Certamente é coisa do snapshots (esse preview dos hiperlinks no site).

Alguma sugestão pra resolver isso?

Compram-se jornalistas

“¿Qué totalitarismo?, ¿qué autoritario?, ¿qué dictador? Por favor compañera de Unitel [canal de TV da Bolívia], usted cambie ese discurso de su jefe de prensa, de sus dueños, y si le someten mejor renuncie, véngase a trabajar acá yo te respeto mucho”.

Foi assim que Evo Morales, o presidente boliviano, respondeu a uma pergunta, numa entrevista coletiva, sobre as constantes declarações da (escassa) oposição no país de que ele, o mandatário, está construindo um regime totalitário.

A reação foi lida pela Associação Nacional de Imprensa local como uma ameaça, ou pior, como uma insinuação de que há empregos públicos disponíveis para jornalistas que decidam se rebelar contra seus patrões.

Inacreditável o ponto a que chegamos.

Tirando o aspecto do ineditismo e a importância da ascensão de representantes do povo a cargos relevantes, nunca morri de amores por Evo Morales.

Mas tem gente que aplaude esse tipo de comportamento nada afeito à conversação e à autocrítica. Jornalistas, inclusive. Principalmente aqueles que rotulam de “vendidos” os colegas que trabalham nos grandes grupos de mídia.

Como se os que trabalham advogando por um ídolo não tivessem sido comprados. Estes, sim, tiveram toda a consciência estuprada.

Aliás, dica de emprego pra quem não enxerga o próprio rabo: Evo Morales está contratando jornalistas, que tal bater à porta em La Paz?

Seu jornalista não dá furos? Tomate nele!

Se a sua redação não dá furos, isso tem consequências.

E um “jornalista” da equipe crucificado a um outdoor, pronto para levar tomatadas de seus leitores.

Viral bem sacado e humorado do Stuff (Nova Zelândia), um dos jornais que compreendem a web.