Wall Street Journal restringe diálogo entre redação e leitores

Os jornais ainda não fazem questão de monitorar o que diz (e interagir com) sua audiência on-line, mas já estão bem interessados no que fazem seus jornalistas nestes canais.

O Wall Street Journal inclusive lançou um manual de conduta on-line para seus profissionais. E, por ele, é proibido compartilhar informação com o público.

Nada mais equivocado.

As normas do jornalão para regular a atividade dos funcionários nas redes sociais é digna de reprodução. Uma lição de como não fazer.

* Deixe nossa cobertura falar por si, não detalhe como uma matéria foi apurada, escrita ou editada;
* Não discuta artigos que não tenham sido publicados, as reuniões que você assistiu ou o planejamento de coberturas ou entrevistas que você fez ou fará;
* Negócios e prazer não devem ser misturado em serviços como o Twitter. O bom senso deve prevalecer, mas se você está em dúvida sobre a conveniência de postar uma mensagem, converse com seu editor antes do envio;

Estas recomendações simplesmente excluem a possibilidade de diálogo com pessoas que acompanham seu trabalho e, com frequência, dão sugestões ou simplesmente insights sobre coisas que poderão virar matéria.

Ao mesmo tempo, tenho ouvido opiniões que me desanimam. Como gente experiente em redação recomendar que “o leitor jamais deve ser respondido” porque “não tem nada a acrescentar e só enche o saco”.

Incrível porque várias dessas pessoas reclamam que, ao tentar um conversação via, digamos, microblog, não são respondidas. “Mas pera lá”, costumo interpelar, “e você por um acaso respondeu quando foi perguntado?”. Não, né?

A qualidade da conversação com a audiência depende de uma relação recíproca e de confiança. Se você for útil a um determinado grupo, receberá como recompensa o esforço dessas pessoas em lhe remunerar de alguma forma _normalmente, oferecendo informação.

Mas nossos jornais, ainda por cima, preferem evitar ou mesmo restringir esse contato. Outra desconexão com a vida real, que aponta claramente a tendência de pessoas serem mais importantes que instituições.

Inominável.

5 Respostas para “Wall Street Journal restringe diálogo entre redação e leitores

  1. Oi, Alec!

    Para variar, concordo com vc em determinados pontos e concordo com o WSJ em outros.

    Acho, sim, que os jornais têm de ter um canal de relacionamento com leitor. Eu fico desapontadíssima quando um meio de comunicação, inclusive os onlines, não respondem um comentário.

    Mas também acho que os jornalistas devem tomar cuidado sobre o que falam na rede da empresa para a qual trabalham e do trabalho em si. Tem coisas que não devem ser ditas ao leitor mesmo. E vc sabe disso. rs

    beijo,

    • Carol,

      Aqui não se trata de canal de comunicação do jornal, mas canal de comunicação próprio. Pessoas são mais do que instituições. Comunicando-se em rede, o trabalho jornalístico fica mais veloz e próximo do pulso do leitorado. Quando se regulamenta isso, se perde essa conversação.

      Agora, claro, tudo o que é dito em qualquer instância tem de ser avaliado antes do clique de “enviar”. Isso chama-se bom senso, não necessita de regulamentação interna.
      bjs

  2. Eu acho que devemos responder o leitor sempre. E o quanto antes. E da forma mais completa possível. Se não houver tempo para tudo isso, que ele ouça nossos mais sinceros pedidos de desculpa pelo atraso na resposta.
    Só vivemos para os leitores e ainda tem gente que não entendeu isso.

  3. Alec,

    eu concordo plenamente que pessoas são mais que instituições. Mas nesses casos, elas representam as instituições. E acho correto que as empresas saibam o que seus funcionários andam comentando por aí sobre a empresa…

    Como vc sabe, bom senso é algo raro na atualidade.

    O bom senso resolveria inúmeros problemas cotidianos, principalmente no jornalismo.

    beijo!

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