Arquivo do mês: março 2009

O dia em o IG criou a data da notícia boa. Era 11 de setembro de 2001…

A história das boas notícias rendeu. Em seu blog, e por coincidência, Sérgio Dávila comentou no mesmo dia sobre o Good News Network, cuja audiência cresceu 45% desde que começou a crise econômica.

Recapitulando: já há quem recomende aos jornais que criem seções ou invistam numa agenda positiva para recuperar leitores, cansados de desgraças, crimes e patifaria.

Inevitável alguém lembrar (não me conformo como é que eu esqueci) do “Dia da Boa Notícia” que Nizan Guanaes tentou instituir no portal IG. A data escolhida, 11 de setembro de 2001.

A efeméride seria comemorada assim: a capa do produto destacaria apenas noticiário otimista, edificante, social e feliz. A data foi anunciada com pompa pelo portal na véspera, que prometia um festival de boas notícias em sua capa ao usuário no dia seguinte.

Já na madrugada, o plano começou a fazer água: era assassinado o prefeito de Campinas, Toninho do PT, numa ação ligada a sequestro que até hoje jamais foi bem explicada. A capa do IG ignorou _a notícia sobre o crime, claro, foi jogada na lista de últimas normalmente.

Até que chegou 9h45, hora de Brasília, e um avião atingiu uma torre do World Trade Center. A capa do IG, impávida. Mas decidiu-se por acordar a chefia. Veio 10h03. Outro avião, outra torre. A prisão do “Dia da Boa Notícia” colapsou o site, que só abandonaria o propósito perto do meio-dia, quando notou que o mundo estava de fato acabando e só ele, porque tinha tomado a decisão errada no dia errado, ignorava o Armagedon em sua entrada mais nobre (até então), a home page.

Louco saber que, dois meses depois, Diléa Frate _por mais de 20 anos diretora dos talk-shows de Jô Soares e que mantinha, como até hoje, um site chão de fábrica com apenas notícias positivas  (ou bizarras)_ dava uma entrevista comentando o caso. É absolutamente insano.

“No dia 11 de setembro aconteceu uma coisa interessante. O portal do iG elegeu o dia como sendo “O Dia da Boa Notícia” e nós fomos escolhidos para ser a estrela do portal. Fizeram uma entrevista comigo muito parecida com esta aqui e íamos enviar boas notícias durante o dia todo. Foi um desafio, mas conseguimos nos safar: Choveram emails de pessoas confraternizando com o site e dizendo que não agüentavam mais aquele massacre de baixo-astral americano, com várias notícias que omitiam a verdade e massacravam um assunto. E nós conseguimos uma nova saída editorial no boa notícia: a partir da seção de Opinião, fizemos um apanhado crítico do que havia acontecido e projetamos que uma guerra não seria solução. A manchete desse dia no site foi: “DEU A LOUCA NO MUNDO!” E a partir de então, todos os dias, colocamos na parte superior do site um banner com uma arte de campanha pela Paz.”

Esse é um exemplo extremo, claro, mas definitivo para compreender que agendas e amarras e predisposições não fazem parte da rotina jornalística. Podem, no máximo, se resumir a seções ou pequenas notas. Jamais orientar a linha editorial de um produto noticioso.

Publicar só boas notícias é uma saída para o jornalismo?

O ponto de vista não é propriamente novo, mas é normal ressurgir em tempos sombrios, como o atual, de depressão após a turbulência econômica. Estou falando do uso da boa notícia como válvula de escape no jornalismo.

Mais de uma pesquisa já apontou que, além de saturadas das notícias, as pessoas estão especialmente saturadas de notícias ruins (seja o crash economômico ou mundo cão construído por pedófilos e assassinos).

É sobre isso que Paul Lamb escreve, citando como exemplos redes sociais construídas em torno de temas edificantes e até um projeto de jornalismo cidadão que só aceita “notícias felizes“.

Lembrei que a Folha de S.Paulo, há anos, chamava na primeira página sob o chapéu “boa notícia” a pauta “otimista” da edição do dia. No rádio, a CBN até hoje possui seção semelhante.

Resolveria o problema do declínio do jornalismo impresso? Respondo com uma reflexão: ele (o jornalismo) não estaria se desvirtuando caso optasse por uma agenda desse tipo?

O monstro chamado linkagem externa

A linkagem externa é encarada como o monstro do pântano nas redações on-line. Muito disso deve-se, importante ressaltar, à política das empresas de comunicação de evitar citações e (deus me livre!) hiperlinks para sites alhures.

Eu defendo a tese que, diferentemente do que muitos pensam, linkar para outros sites, além de estar no próprio bojo da criação da web, atrai gente. Reza a lenda que, quando dou um link externo, o freguês se perde na rede e jamais retorna.

Tenho visto situações opostas a esse quadro: os usuários regressam a páginas que, sabidamente, os levam a lugares legais da internet. É mais do que obrigação histórica, é serviço.

Por isso que é bacana este texto sobre a escala, em nove degraus, do seu relacionamento com a linkagem externa. Faça o teste.

(via @anaestela)

A animação a serviço do jornalismo

Escrito, dirigido, animado e sonorizado por Jonathan Jarvis, a animação ”The Crisis of Credit Visualized” é mais uma peça inspiradora para quem está pensando, por exemplo, em maneiras de usar a web como complemento do noticiário estático em papel.

Só vendo mesmo para entender o que uma boa ideia pode fazer pelo jornalismo.

A propósito: este post dá boas dicas de como casar som e imagem.

Aeroportos querem banir revista Caras da sala de embarque

A coleção de artigos proibidos em voos ofertada por Caras a seus leitores

A coleção de artigos proibidos em voos ofertada por Caras a seus leitores

Censura? Não, o problema é o arsenal que você vê na imagem acima. Arsenal? É, do ponto de vista do código de segurança aeronáutico pós 11 de Setembro, utensílios domésticos como facas, garfos e tesouras não podem viajar com o passageiro na cabine do avião. Têm de ser despachados na bagagem. E a Caras, já há algumas semanas, tem oferecido este tipo de brinde a seus leitores.

O problema é que a maioria das salas de embarque dos aeroportos brasileiros _localizadas após a habitual revista no raio-x_ tem bancas de jornal. Daí, tornou-se frequente nos últimos dias a ocorrência, dentro das aeronaves, de portadores de armas capazes de facilitar um sequestro aéreo. Sim, é o brinde de Caras quebrando todas as regras de etiqueta no ar.

Anteontem, em Teresina, um avião da TAM prestes a decolar teve de voltar ao portão de embarque porque uma aeromoça percebeu que havia uma faca a bordo _inocente, o passageiro nem imaginava que tinha se transformado num risco para a sociedade apenas por ter comprado um exemplar da revista que esmiúça a vida de celebridades. O voo atrasou 40 minutos, até que a faca fosse levada por um funcionário da companhia aérea.

Alguns aeroportos, como o da capital piauiense, já recomendaram aos jornaleiros em áreas avançadas do terminal que não exponham a publicação _ou, se for o caso, dissociem a revista do faqueiro e expliquem aos clientes que ali dentro, antesala do ingresso num avião, é impossível contar com o cobiçado presente.

Oficialmente, a Infraero diz que não há uma resolução proibindo a venda da revista Caras nas salas de embarque. Fala-se muito nisso entre pilotos, tripulação e aeroportuários (já há até lenda dando conta da proibição, inexistente). Para a autarquia, segue valendo a norma da Anac que proíbe o acesso ao avião dos portadores deste tipo de utensílio. Como se fosse possível controlar seu porte a metros da poltrona da aeronave, sem revista acurada.

Enquanto isso, os aeroportos se mexem por conta própria para evitar novos problemas.

Interessante caso de um anabolizante (esses brindes que ajudam a vender publicações impressas) que mexe com toda a logística de distribuição de um produto. Ninguém tinha pensado nisso até a vida real dizer “presente” e escancarar um problemão.

A sociedade não precisa de jornais, mas de jornalismo

Cresceu, nas últimas semanas, a discussão sobre a cobrança por conteúdo jornalístico na internet, por sinal uma grande bobagem que já foi testada e reprovada nos primórdios da web.

E não adianta comparar com o iTunes _afinal, notícia é perecível, ao contrário da música, executada milhares de vezes (logo, seu valor é imensamente superior).

Mesmo assim, me responda: você conhece alguém, no Brasil, que paga ao iTunes por música diante de tanta oferta gratuita? Um louco, talvez.

Daí aparece Clay Shirky, professor da Universidade de Nova York (o lugar para se aprender jornalismo hoje no mundo), contando que em 1993 uma investigação antipirataria identificou uma série de torneiras que vazavam, de forma ilegal, o protegido conteúdo da popular coluna humorística que Dave Berry publicava no jornal Miami Herald.

A força-tarefa achou muita coisa, desde material na usenet (espécie de avó da internet), a listas de e-mail com mais de 2 mil destinatários e até um garoto de 14 anos que copiava as colunas porque adorava Barry e queria “que mais gente lesse o que ele escreve”. Isso há 16 anos.

“Quando uma criança ameaça o seu negócio não porque te odeia, mas porque te ama, você tem um grave problema”, disse a Shirky Gordy Thompson, que na época era executivo dos negócios on- line do New York Times.

Pois é exatamente este grande problema que está encarando o jornalismo de frente. Por mais que você se feche em copas e exija moedinhas para liberar pílulas de conteúdo, ele estará circulando livremente na web por outras vias. Várias. Milhares. E principalmente por pessoas que acham o seu trabalho o máximo. Elas pagariam apenas para ter o prazer de distribuí-lo na rede, sem auferir qualquer lucro.

“A habilidade do público de compartilhar conteúdo não vai cair. Pelo contrário, se expandirá cada vez mais”, diz Shirky. É essa certeza que torna absolutamente inócuo qualquer modelo escorado em cobrança do usuário.

Jornais não vendem papel. Vendem notícia. Sobre isso, Shirky _autor do principal livro sobre a sociedade em rede em 2008, Here Comes Everybody_ é definitivo.

A sociedade não precisa de jornais. Ela precisa de jornalismo“.

Mark Deuze, professor de jornalismo e novas mídias, também fala sobre o assunto em post recente de seu blog.

O avião, um urubu e fragmentos de conversação com o público

A lacônica nota da Gol, que se recusou a prestar mais esclarecimentos

A lacônica nota da Gol, que se recusou a prestar mais esclarecimentos

O incidente do urubu tragado pela turbina esquerda do Boeing 737 que operava no dia 10 de março de 2009 o voo Gol 1244, entre Congonhas e Porto Alegre, voltou a bater em minha porta.

Agora porque a crônica na qual relatei a quase tragédia foi parar num fórum de discussão de pilotos, aeronautas, aeroportuários e simpatizantes (atenção: só para cadastrados, mas se você gosta do assunto e quer monitorar ou trocar informações com insiders, vale bem a pena).

Foi uma terça-feira (esta, como aquela) bem agitada por conta disso, quando mais uma vez vivenciei de forma prática e presencial que esse papo de era da conversação sobre o qual tanto tenho conversado com colegas e alunos está longe de ser algo a longo prazo _pelo contrário, já é real e transcorre diariamente diante de nossos olhos.

Recapitulando: notei uma afluência grande de tráfego ao Webmanário vinda do tal fórum. Lá, encontrei duas mensagens que diziam respeito diretamente a mim.

QUOTE(pilot81 @ Mar 16 2009, 09:31 AM) * Semana passada(terça feira) eu estava de extra para POA e tivemos um bird strike na dep. em CGH. Após varias orbitas o cmte. optou por prosseguir ao destino. O avião passou o dia inteiro em manutenção em POA. Vibration em 3,8 na subida… Deu até na Zero Hora no outro dia.

QUOTE(Rafaelguimaraes @ Mar 16 2009, 10:31 PM) * Olá, teve até um jornalista que estava a bordo e que decidiu publicar em seu blog. http://webmanario.wordpress.com/2009/03/11…ia-do-voo-1244/

Bird strike, vibration… enfim, era o público (sim, o público também apura/relata/analisa/difunde notícias) complementando uma informação que eu tinha dado aqui dias antes _mas porque estava dentro desse avião que, agora, era objeto de comentários. Óbvio que fiquei louco para saber o que significava uma vibration 3,8…

Entrei no fórum para dialogar com esse povo. É tudo o que eu sugiro para um jornalista: que corra atrás de sua audiência, tente entendê-la, seja próximo dela e, principalmente, leve suas observações em conta.

Descobri que o limite recomendado pelo fabricante da turbina do Boeing 737 é vibration 4,0 _ou seja, estivemos de fato à beira de um colapso (vibration é isso mesmo, a trepidação da peça). Mais: que o choque contra pássaros em aeroportos, que há tempos é assunto antigo, está ultrapassando a barreira do “eventualmente acontece” (de novo, área restrita aos cadastrados do fórum).

Segui pesquisando e encontrei a informação (devidamente compartilhada com o público) de que o aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, já estava usando aves predadoras _no caso, gaviões_ para espantar famílias de pássaros nos arredores. “Apesar de terem começado em aeroporto errado, é um avanço”, foi uma das respostas.

Soube ainda que grandes aeroportos no mundo têm departamento de biologia, que estuda o ecossistema e intervenções possíveis em casos concretos de ameaça à segurança aérea.

Daí o caldo da conversação engrossou.

QUOTE(Boeing737 @ Mar 17 2009, 05:44 PM) * Olá Alec, li seu relato e como profissional do meio achei um pouco sensacionalista como de costume, mas até entendo por se tratar de uma pessoa leiga no assunto.

Ponderei que “de leigo certamente, sensacionalista não. Eu estava dentro do avião. Não estou dizendo o que me contaram, mas o que vivenciei”. Logo, outro usuário voltaria à carga.

QUOTE(Lear_60 @ Mar 17 2009, 07:08 PM) * Desculpe, mas a sua afirmação não condiz em nada com o seu texto. A começar pelo título: “Jornalista até na hora da morte: a quase tragédia do voo 1244″ No texto várias vezes o tom de drama não condiz com a sua afirmação de não ser sensacionalista, muito pelo contrário. É bastante compreensível que por não entender o que estava se passando, o medo e apreensão se fizessem presentes mas ao relatar os fatos, as palavras utilizadas e o tom em que o texto foi escrito é possível notar uma bela dose de sensacionalismo, pra Datena nenhum botar defeito.

Até de Datena (ou ainda melhor que ele) fui chamado!!! É nessa hora que há um conflito quase insuperável entre jornalista e cidadão. Afinal, se estava claro que o repórter era leigo, ficou nítido que o público, especialista em aeronaves, não sabia nada de jornalismo.

Confundiu-se uma crônica publicada num blog com uma notícia de jornal. Ou seja: para essa audiência, o simples fato de ser jornalista significava que um texto seu, qualquer texto seu, tinha o mesmo valor de uma notícia.

É um ruído tremendo, mas a interação que rolou antes disso paga qualquer prenda. Porém fica escancarado o abismo. E cabe a nós nos aproximarmos.

Por ora, a conversa a parou no comentário “Acho louvável a atitude de vir até um fórum como esse e pedir informações para entender o que se passou, mas escrever um texto como esse, só reforça a imagem que todos temos de que os profissionais do jornalismo adoram aumentar absurdamente os fatos envolvendo aviação.”

PS – Procurei a assessoria de imprensa da Gol que, burocrática, limitou-se a reenviar nota produzida sob demanda e se negou a prestar outros esclarecimentos sobre o voo 1244. É a imagem que se vê no início deste post.

Oito casos de convergência analisados bem de perto

Já saiu do forno o livro “Jornalismo Integrado: Convergência de Meios e Reorganização de Redações“, editado pela Universidade de Navarra.

A obra estuda em profundidade oito casos de jornais que optaram por integrar suas redações em papel e on-line. São eles: Daily Telegraph, Tampa News Center, Schibsted, O Estado de S.Paulo, The New York Times, Guardian, Clarín e Financial Times.

O estudo de cases é muito relevante neste momento, em que diversos outros veículos estão optando pela fusão de conteúdos para, enfim, atingir a tão sonhada convergência (quando todo o trabalho jornalístico é pensado em várias dimensões e plataformas).

Como aperitivo, o capítulo sobre o Daily Telegraph, considerado modelo mundial no tema.

ATUALIZAÇÃO: Minha amiga Ana Estela, aí embaixo, nos comentários, faz uma observação bem importante: “Era bom ressalvar que o livro é francamente integracionista e que tem gente ali no meio que vende consultoria para quem quer fazer Redações integradas… Ou não?”

Sim, completamente. Salaverría, por exemplo, viaja o mundo vendendo um modelo que não foi ele quem criou. Tem sido assim com alguns outros personagens de Navarra: ocuparam bastante espaço, mas com um discurso difuso e que, muitas vezes, assemelha-se a autoajuda.

Doa-se uma conta no Twitter

O falso perfil da presidência da República do Brasil no Twitter, que já tem 507 seguidores e se assumiu como fake depois que a Secom (Secretaria de Comunicação Social) do governo Lula anunciou que as atividades presidenciais não estão no microblog, está doando a conta para seu verdadeiro dono.

Segundo seus criadores, já houve contato com a própria Secom oferecendo a senha e o acesso. Contudo, ainda não houve resposta.

Na semana passada, a Secom disse que iria contatar o Twitter, onde a conta está hospedada, para encerrá-la.

Leitores se mobilizam para salvar seus jornalistas

Leitores abraçaram a causa dos jornalistas do Rocky Mountain News

Leitores abraçaram a causa dos jornalistas do Rocky Mountain News

ATUALIZAÇÃO: Acaba de rolar a coletiva do povo do Rocky Mountain News. Com o apoio de três empresários, 30 ex-funcionários do extinto jornal tocarão um site noticioso on-line, o Indenvertimes.com. O modelo escolhido, porém, sugere um novo fracasso: o conteúdo será fechado e espera-se que, até abril, o produto consiga reunir 50 mil assinantes para ser ampliado. É muito otimismo.

*******

Hoje, a partir das 14h (horário de Brasília), vamos conhecer o destino de parte da redação do Rocky Mountain News, jornal de quase 150 anos que encerrou suas atividades (em papel e on-line) definitivamente há três semanas com uma emotiva última edição que teve cobertura ao vivo no microblog e virou um documentário no melhor estilo chora-leitor.

Até onde se sabe, um grupo expressivo de leitores influentes (entre os quais há políticos, empresários e o próprio xerife de Denver) encabeça o projeto “Quero meu Rocky“, que convocou entrevista coletiva para anunciar “uma nova visão baseada em 150 anos de tradição”, como propaga seu slogan. Traduzindo: o reaproveitamento de parte da equipe do RMN, mas agora apenas em ambiente digital.

É mais uma movimentação de leitores que se mobilizam para manter vivo, de alguma forma _via de regra apenas na internet_ seu jornal favorito, despedaçado pela incapacidade administrativa de compreensão ao ambiente tecnológico e à transformação pela qual passou o modelo de negócios ultrapassadíssimo do jornalismo impresso.

Isto é jornalismo financiado, cujas experiências estão pipocando mundo afora.

Simultaneamente, no My Space, começou a fazer barulho uma comunidade portuguesa que propõe às pessoas a compra de um jornal por dia como forma de amenizar as perdas (de faturamento e leitores) que este tipo de produto experimenta especialmente no hemisfério Norte _entre nós e todos os emergentes, se as coisas não andam às mil maravilhas, ainda estão longe de se transformar em colapsos de corporações com dezenas de décadas de existência.

No manifesto assinado por Afonso Pimenta, o Movimento a Favor da Imprensa Escrita Paga destaca aspectos como “O jornalismo escrito, enquanto produto, não pode ser encarado exclusivamente como tal: ele é aquilo que me alerta para o que eu não sou. O único veículo que possuo para estar atento relativamente ao que é exterior à minha diminuta capacidade de alcance e atenção: o poder.”