Arquivo do mês: janeiro 2009

Mais uma voz para debater a infografia

Discutir questões sobre a infografia multimídia e tendências dos infográficos, além de exibir uma coleção de bons e maus exemplos, é o objetivo do site Dmultimidia, de Carlos Gaméz Kindelán, que é o editor de infografia do jornal espanhol El Pais.

É mais uma voz para discutir boas alternativas para a agradável exibição de conteúdo jornalístico.

A dica é do blog do Gjol.

A cobertura de guerra dissecada

Talvez nosso correspondente de guerra mais conhecido (estampou a capa da revista Realidade quando perdeu a perna na explosão de uma mina no conflito do Vietnã), José Hamilton Ribeiro analisa hoje, na Folha de S.Paulo, a cobertura jornalística em zonas de enfrentamento bélico.

É um belo retrato de nosso tempos, onde prevalece a sobredose de informação, o excesso de opções noticiosas.

E com direito a uma belíssima frase que nos leva a refletir. “Há um componente que o leva [o jornalista] a ficar sempre do lado do mais fraco (ou do que parece mais fraco). Jornalista que se preze acha que estar ao lado do poder _seja político, econômico, militar, corporativo_ é deixar de ser jornalista e virar puxa-saco.”

Eu acho que é exatamente isso. Jornalismo é oposição. Ponto.

Ideias para o jornalismo on-line

O Alex Gamela usou o microblog para convidar internautas a enviar imagens (fotos e vídeos) da onda de frio em Portugal.

O resultado é um mashup bacanudo, utilitário, jornalístico e colaborativo. Simples, mas uma boa inspiração para iniciativas semelhantes no jornalismo tradicional, ainda despreocupando em trazer o público para dentro do noticiário.

O complemento deste mapa, aliás, é óbvio: acrescentar notícias (notadamente as voltadas para serviço) e outras peças do jogo on-line.

JT demite repórter que ‘esquentou’ entrevista

O jornalismo, como todas as profissões, tem liturgia e códigos próprios. Muitos deles difíceis de explicar, como o senso geral que faz o meu jornal e o seu (mesmo confeccionados a léguas de distância e sem contato entre si) serem tão parecidos no dia-a-dia.

O Jornal da Tarde demitiu ontem um repórter que omitiu, ao vender a pauta para sua chefia, o estado da apuração do material. Trata-se de uma entrevista com a ex-vedete Tônia Carrero. A conversação é anódina, por sinal.

O motivo da demissão foi publicado pelo jornal na edição desta sexta-feira. Registre-se, não se trata de expediente inédito _outros jornais já desligaram profissionais publicamente.

Matando a mensagem

As novas mídias, especialmente as redes sociais, nos impuseram aos jornalistas uma série de novos obstáculos na comunicação e interação com a “ex-audiência“.

Nesta quarta deu pra sentir a extensão de alguns deles ao observar o ataque de BBB9 pelo qual passou o serviço em microblog da Abril.com. Por horas, tudo o que atualizou-se no canal do portal no Twitter dizia respeito à nova edição do reality show da TV Globo _relevante, sem dúvida, mas só para um grupo específico.

É claro, isso desagradou a alguns.

Neste caso faltou segmentar a própria audiência. A criação de um canal “abrilcom_BBB9″, promovido eventualmente no endereço-mãe, teria resolvido o problema e evitado o desgaste.

Ainda dá tempo.

O público heterogêneo de um portal supõe, à produção de conteúdo e concepção de produtos, comprometimento com os interesses de todo um leque de indivíduos. Como eles podem agrupados exaustivamente (até chegar à unidade indivisível, que é você), a segmentação da mensagem é premissa.

Para isso, é preciso conhecer a ex-audiência. O microblog _que já é uma segmentação em si_ dá boas pistas.

O triunfo do branco

Detalhe da nova homepage do portal UOL

Detalhe da nova homepage do portal UOL

Com algumas horas de diferença, os dois principais portais brasileiros na Internet mudaram suas homepages _no caso do Terra, as capas internas também.

A constatação mais fácil e direta que se pode fazer é o notável triunfo do branco, uma tendência que vem acompanhando o redesenho dos sites de veículos noticiosos como o inglês Independent e o canadense Globe and Mail, apenas para ficar em dois exemplos.

No caso do UOL, a mudança teve motivação física: colocar mais conteúdo na página inicial (a empresa diz que o novo desenho permitiu 23% a mais de conteúdo). No Terra, tudo faz parte de um projeto (o Átomo) que está sendo tratado como uma “revolução” pela companhia.

Agora é o tempo que dirá se as alterações, de fato, terão implicação na vida dos internautas. Tudo que venha ao encontro da interação e da clareza na transmissão da notícia é muito bem-vindo.

Porém revolução mesmo, para quem trabalha com jornalismo na Internet, para mim é outra coisa: a adoção ampla, geral e irrestrita da linkagem externa. Creio nisso como o passo decisivo para um comunicação transparente, direta e utilitária.

Afinal, se o conteúdo é rei, a linkagem é a rainha. Sobre o “link journalism”, por sinal, quem tem as infos mais atuais é Scott Karp.

Detalhe da nova homepage do portal Terra

Detalhe da nova homepage do portal Terra

A gestão de Barack Obama on-line

Foto do Flickr do gabinete de transição de Barack Obama

Foto do Flickr do gabinete de transição de Barack Obama

Saudada (corretamente) como um ícone do bom uso das novas ferramentas on-line de mídia social _eu me arrisco até a dizer que se estabeleceu um novo padrão_, a equipe de Barack Obama vai mostrando, em alguns aspectos, que a premência da eleição sobrevalorizou, em boa medida, esse suposto talento internético e propenso à interação.

O site do governo de transição parece manter firme o propósito de interagir com as pessoas. Um imenso quadro vermelho em posição de destaque na página o recepciona com um convidativo “Conte-nos a sua história“, habilitando funções de texto, foto e vídeo.

Esse material (certamente valioso) ainda não foi tornado público _e esse é o primeiro problema. É princípio da gestão de uma comunidade o compartilhamento imediato do material produzido por ela. Assim é o jogo na Internet. Eu colaboro, mas tenho direito à colaboração de meus pares.

O blog do Change.com tropeça em dois aspectos: desconhece o link para outras coisas bacanas da rede e esconde ou não-habilita temporariamente a caixa de comentários. Pode ser um método para tornar a moderação viável, mas não é transparente. Só o blog exibe a galeria de fotos de Obama e seu vice, Joe Biden, no Flickr (por sinal, atualizadíssimas, mereciam melhor destaque na home).

A sala de imprensa virtual é modesta, mas funciona. E, melhor, não é restrita a “pros”. O público adora acessar seções do tipo e se sentir proprietário de notícias em primeira mão (apesar de todo mundo saber que não são).

A promessa de usar o You Tube também foi cumprida: há um canal bastante ruidoso e bem-cuidado. O que levava o nome de Obama (não de uma campanha eleitoral, notem) foi abandonado. E sem contar para onde se mudou…

No Twitter, de novo há a mesma sensação de que só queriam o seu voto: o último scrap é de 5 de novembro, dia seguinte à eleição, quando a vitória de Obama Barack foi confirmada.

Déjà vu no Facebook: uma mensagem de agradecimento e, aparentemente, última atualização em 10 de novembro. Ah, claro: há uma postagem de anteontem convidando os fãs a doar ao menos US$ 5 para a festa de posse, que está sendo vendida pela equipe de Obama como a primeira na história dos EUA que não é patrocinada por lobistas. Detalhe: ainda não existe a página Changedotgov, nova morada das coisas on-line do futuro mandatário dos EUA.

No Twitter, o “domínio” já foi registrado, mas jamais divulgado ou atualizado.

Por enquanto, ainda fica difícil saber se a destreza no poluído mar da mídia social era uma estratégia de governo ou simplesmente de campanha. No mínimo, falta padronização e gentileza na condução dos fiéis seguidores.

A primeira vez a gente nunca esquece

Blog da Universidade de Columbia informa que nesta segunda o The New York Times publicou o primeiro anúncio de sua história na primeira página.

Com a ajuda da correspondente da Folha de S.Paulo em Nova York, Andrea Murta _que teve de revirar o lixo e encontrar o exemplar, já que lá nos EUA o jornal não vem embalado em plástico, mesmo sob neve intermitente, e vai direto para a lixeira em dias úmidos_, descobri que trata-se de um rodapé em seis colunas com destaques da programação da CBS, a rede de TV número um dos Estados Unidos.

Em texto na edição, o jornal justifica a decisão como uma resposta “à pior queda de receita desde a Grande Depressão” e diz que a publicidade será veiculada apenas “abaixo da dobra”, ou seja, na metade de baixo da capa.

A minha surpresa neste caso é saber que só agora essa primeira página foi “maculada”. Por aqui, já tivemos até o triste caso de toda uma primeira página (e dos três principais jornais brasileiros) comprada por um anunciante, e ainda por cima estatal.

Estadão, 134 anos

Hoje o jornal O Estado de S.Paulo completa 134 anos (o veículo costuma contar 129, subtraindo os cinco pelos quais passou ocupado por censores da ditadura do Estado Novo, de Getúlio Vargas).

Trata-se de uma das publicações jornalísticas mais influentes e relevantes do Brasil.

No presente, o “Estadão”, como o conheço desde criança, tenta sobreviver à sobredose de informação que veio como consequência das novas tecnologias.

Tem tido sucesso em algumas frentes, como oferecer produtos diferenciados (um suplemento gastronômico, por exemplo) todas as semanas.

Em outros aspectos, peca tanto quanto seus concorrentes diretos ao dar espaço demasiado ao “aconteceu ontem”, noticiário hardnews que é fartamente explorado horas antes pela Internet.

A verdade é que os jornais brasileiros ainda não mergulharam na viagem sem volta da convergência. Apostam em paliativos aqui e ali (como remissões e mais remissões em suas páginas impressas), mas só.

No momento em que ocorre uma ofensiva bélica no Oriente Médio, é inadmissível assistir a enviados especiais que não produzem um único conteúdo on-line, uma única imagem, seja ela foto ou vídeo. Nossos repórteres não estão preparados para usar smartphones como o Nokia N95 _uma verdadeira estação de TV ambulante.

Esse desafio é, para O Estado de S.Paulo e seus concorrentes, o grande passo para garantir pelo menos mais 134 anos de vida.

Wales convence o mundo a bancar a Wikipedia

Após um apelo emocionado em prol do “conhecimento ao alcance de todos”, Jimmy Wales, o fundador da Wikipedia, conseguiu reunir, em apenas uma semana, os US$ 6 milhões necessários para o prosseguimento do projeto que, hoje, tem por trás 150 mil voluntários (os cães de guarda que tanto nos irritam com suas idiossincrasias).

No total, o envio voluntário de dinheiro para a Fundação Wikimedia _que tem apenas 23 funcionários pagos_ atingiu US$ 6.174.622. Em oito anos, o site acumula 11 milhões de artigos em 265 idiomas ou dialetos.

Pelo jeito, o discurso de Wales (messiânico e com tonalidade política) funcionou. “Nós compartilhamos uma causa: imagine um mundo onde qualquer pessoa tem livre acesso à soma de todo o conhecimento humano. Este é o nosso compromisso.”

Então tá.