
A recomendação do governo chinês, ainda que temporária, para que os poucos restaurantes de Pequim que servem carne de cachorro retirem o prato do cardápio durante os Jogos Olímpicos foi mais uma ótima oportunidade (perdida) de se fazer bom jornalismo.
Diante de um hábito tão (para nós, ocidentais) insólito quanto isolado, sobrou desinformação nas matérias sobre o assunto publicadas no Brasil. Comer carne de cachorro é um costume praticamente restrito ao sul do país _no resto, é considerado tão tabu quanto no Brasil.
Mais: nem na Coréia do Sul, como mostra reportagem do G1 feita no ano passado, o ingrediente tem muitos adeptos. Foi da Coréia que, pelas mãos de imigrantes, o costume de consumir o melhor amigo do Homem chegou à China.
Tanto é assim que praticamente a totalidade dos restaurantes que servem esse iguaria em Pequim, que recebe a Olimpíada entre 8 e 24 de agosto, é de especialidade coreana. Aliás, em 1988, quando Seul organizou os Jogos Olímpicos, o prato também foi riscado dos cardápios por ser considerado “feio” para os padrões ocidentais.
Mesmo sabendo que os cães usados para consumo não são, evidentemente, animais de estimação, mas bichos criados como vacas, com direito a períodos de engorda antes de virar refeição, os zôochatos da Peta se manifestaram e ganharam voz na imprensa.
Na verdade, falei tudo isso porque queria dar um jeito de publicar a foto acima, distribuída hoje pela agência de notícias Associated Press.
Bah como alguém consegue comer carne de cachorro? Se isso for cultura vou morrer orgulhoso por ser brasileiro!
Bela foto !
Por que será que não nos chocariamos se fosse um boi? um peixe? um porco? ou até mesmo uma bela ave?
Vou ser breve. Um dia fazendo compras no mercado com minha filha, passamos em frente a peixaria. Ela me falou com lágrimas nos olhos:
” veja mamãe, os peixinhos estão todos sem cabeça.. (pausa para observar) por quê? por quê mataram eles? estão todos mortos! e sem cabeça.. onde estão as cabeças deles? Sem cabeça?? coitadinhos..” virou-se e começou a chorar. Ela não se conformava com aquela cena, e para falar a verdade nem eu.
Naquele instante vi como somos cruéis, assassinos frios e calculistas. Não sabia como explicar à uma criança de três anos, que nossa sobrevivência dependia da morte de outros seres vivos. Não temos outras alternativas? Será que temos mesmo que comer cadáveres? Complexo demais. Mas ela entendeu, não precisei dizer nada. Ela entendeu!
Uma imagem vale mais do que mil palavras.
E viva a fotografia! Viva os balcões de peixaria!!
Jessica,
é exatamente esse tipo de sensação que desejava provocar ao publicar esta foto. Vaca, peixe, coelho, javali, enfim, tudo pode. Cachorro não, cachorro choca.
É o ser humano…
bjs
Pois é Alec,
É o ser DESUMANO…
Isso sim..
Ah.. e como descobriu minha identidade secreta?? heim padrinho??..rss..
Bjs
Veja bem. Dificilmente uma vaca ou um porco ou um peixe iria se comportar como um cão. Um companheiro que te atende, te obedece e que percebe seu humor, não pode se comparar com animal de abate. Se pensarmos assim, bicho é bicho, somos tão animais quanto os cães. Daqui a pouco vocês vão achar normal comer gente.